Mostra de Nelson Leirner propõe viagem bem-humorada ao mundo do casamento e da sociedade de consumo
Um grande tapete vermelho dá o tom da celebração de “Vestidas de Branco”, a exposição de Nelson Leirner no Centro Cultural Banco do Nordeste-Cariri, em Juazeiro do Norte (Rua São Pedro, 337 – Centro – fone: (88) 3512.2855), que terá o casamento como tema, a partir da próxima terça-feira, 14, às 19 horas. Gratuita ao público, a mostra individual de Nelson Leirner ficará em cartaz no CCBNB-Cariri até o próximo dia 28 de agosto (horários de visitação: terça-feira a sábado, de 13h às 21h). A exposição tem curadoria de Moacir dos Anjos.
Um dos mais expressivos vanguardistas dos anos 1960
A criação é de Nelson Leirner, artista considerado um dos mais expressivos representantes do espírito vanguardista dos anos 1960, no Brasil e no mundo, e cujas realizações têm como foco a popularização da arte, a participação e identificação do público. Suas obras, emblemáticas e instigantes, criam um elo imediato de identificação com as pessoas, através dos elementos que ele utiliza, sempre familiares ao cotidiano do povo.
Em “Vestidas de Branco”, Nelson Leirner propõe uma viagem pelo mundo do casamento, da cerimônia à maternidade; da festa à lua de mel, do erotismo dos casais ao inevitável mundo do consumo. Com muito humor e irreverência, características inerentes ao artista.
A idéia de fazer uma exposição sobre o tema surgiu quando Leirner visitou o Museu Vale, em Vila Velha no Espírito Santo, e ficou impressionado com a quantidade de noivos e noivas que vão ao local diariamente para fazer as fotos do álbum de casamento. Com as roupas da cerimônia, muitas vezes acompanhados dos pais e damas de honra, eles escolhem os mais bonitos ângulos dos jardins daquele Museu.
“Parto muito da observação para realizar o meu trabalho. E a imagem dos noivos fotografados nas mais diversas poses não saiu mais da minha cabeça. Então, decidi: é isso! Está dado o tema da exposição”, conta o artista. “Vestidas de Branco” tem curadoria de Moacir dos Anjos e produção da Imago Escritório de Arte.
A mostra
Um enorme tapete vermelho na área central do espaço leva aos noivos; nas laterais, os convidados: imagens de santos, soldados, divindades afro-brasileiras, bonecos infantis e réplicas de animais, criações do artista já reverenciadas nas obras A Grande Parada (1998), O Grande Desfile (1984), O Grande Combate (1985) e O Grande Enterro (1986). No final da extensão do tapete, os noivos.
A caráter, e com caras de macaco!, outra marca registrada nos trabalhos de Leirner desde os anos 1970. “O macaco é único. É o animal que mais se assemelha ao homem e com o qual o homem tem grande identificação”, diz o artista ao lembrar de sua recente participação na Arco, em Madri, quando os seus macacos fizeram enorme sucesso.
A festa começa com o bolo, de seis andares, Padre Cícero ao alto, e uma série de bonecos do folclore brasileiro, personagens místicos e folclóricos que Nelson Leirner costuma utilizar em seus trabalhos. A música será representada por estantes de partituras e máscaras de macacas.
A “cena” seguinte é a Lua de Mel, com dois ambientes: praia e campo. No primeiro, barracas e cadeiras de praia. Na “cena” do Campo haverá um bosque de grama artificial, com 32 peças de base fina e fotos ovaladas de grama.
O erotismo dois noivos será lembrado com as imagens de três noivas: uma cercada de objetos de petshop, com apelo fálico; outra cercada de macacos; e a terceira, com flores artificiais de madeira também com aspecto fálico.
A penúltima instalação remete à Maternidade. Doze berços, com 12 macaquinhos de pelúcia, representarão a concepção. Por fim, o consumismo, com a instalação Bagalot, uma estrutura que ocupará a parede do fundo da sala com 500 bolsas coloridas penduradas.

“Vestidas de branco”, por Nelson Leirner
” … A idéia é representar o casamento, fazendo uma passagem do presente para o futuro, e deste para o passado. Será uma exposição espelhada, sem espelho. Ou seja, com a possibilidade de percorrê-la na ida, dentro estilo cronológico do casamento, da cerimônia à maternidade e ao consumo; e na volta, depois de experimentar as várias etapas e poder viver novamente o passado, o momento onde tudo começou”.
O artista
Nelson Leirner possui uma obra marcadamente política, na qual os traços de humor e corrosão crítica caminham juntos. Sua produção abrange diversas linguagens e suportes, entre eles objeto, happening, instalação, outdoor, desenho, gravura, design e cinema experimental.
Em todos os meios, afirma sua posição crítica e irônica ao sistema da arte abrindo brechas ao entendimento do público não-iniciado, através da utilização de materiais familiares ao povo, como imagens de santos e entidades do candomblé, soldadinhos, pequenos brinquedos, animais e adesivos autocolantes.
Nascido em São Paulo, em 16 de janeiro de 1932, Nelson Leirner, 77 anos, é considerado um artista polêmico, irreverente, contestador. Ele busca atingir as ruas de forma a criar indagações nas pessoas, e utiliza várias estratégias estéticas e/ou comportamentais de forma experimental, mesmo que isso cause certo estranhamento. O artista se recusou a participar das Bienais de 1969 e 1971 durante o período da ditadura.
Em 1974, criticou o regime militar através da série A rebelião dos Animais. Leirner iniciou a carreira na década de 1950 e, desde então, participou de mais de uma centena de coletivas, além de realizar individuais no Brasil e em várias partes do mundo e de atuar como professor em cursos de arte por mais de duas décadas.
Leirner fala sobre essa identificação: “o público em geral, independentemente do grau de instrução, se identifica muito com o meu trabalho, com os elementos que eu uso, mesmo não conseguindo conceituá-lo (porque a arte é elitista, carrega um conceito, o artista carrega um pensamento). O fato e que há uma identificação em si mesma, uma atração imediata. Não que eu faça uma arte para grandes públicos, mas o grande público se identifica com os elementos que uso, e as pessoas se encantam por reconhecerem na arte objetos muito familiares, como Iemanjá, São Sebastião, Saci etc. O meu maior fã clube são as crianças. Quando eu faço os stickers eles conhecem, eles identificam todos os elementos que vêem nos programas de televisão, nas revistas, nas histórias em quadrinhos”.
ENTREVISTAS E INFORMAÇÕES ADICIONAIS:
* Nelson Leirner – (21) 8786.9931 (falar com a coordenadora da exposição, Maria Clara Rodrigues) / (21) 2285.1914 / 2225.7470 (falar com Joana Coimbra, assistente de produção) – producao@imagoarte.com.br <mailto:produção@imagoarte.com.br>
* Anastácio Braga (gerente do CCBNB-Cariri) – (88) 3512.2855 / 8802.0363 – anastacio@bnb.gov.br
* Jacqueline Medeiros (coordenadora de Artes Visuais do CCBNB) – (85) 3464.3184 / 8851.5548 – jacquerlm@bnb.gov.br
* Luciano Sá (assessor de imprensa do Centro Cultural Banco do Nordeste) – (85) 3464.3196 / 8736.9232 – lucianoms@bnb.gov.br
Fonte: Assessoria de Imprensa do CCBN


Passou a provar dos relógios, todos os quatro com poucas diferenças, basicamente nas cores. Ficou entre o azul e preto. O homem começou a ajustar a pulseira dos dois para que se adequasse ao braço do comprador. Ficaram apertados: gostava – lembrava-se de seu último relógio há cinco anos – deles girando em torno do pulso sem maiores dificuldades. Mais alguns ajustes e estavam bons. Punha um, depois o outro, os dois juntos, olhava, hesitava. Pensou que quando tivesse dinheiro compraria um daqueles relógios de bolso de modelo bem antigo. Queria mesmo era todos vendo que não se adequava àquele mundo, que preferia o século XIX, que apesar da pouca idade preferia o tempo antigo que não vivera, que protestaria contra a modernidade usando um bom, arcaico e anacrônico relógio de bolso com algarismos romanos e tudo mais! O camelô começou:
– Tá bom, eu vou levar o azul.
Imagens obtidas em Juazeiro do Norte para o projeto “Moon For All Mankind”

No segundo trabalho a sensação das músicas é como estar em alta velocidade junto à banda, numa montanha russa onde só existe o AGORA. Não é a toa que este é o título do trabalho. O resultado são faixas bem dançantes como “Enquanto o Mundo Dorme”, “Carta Pra Depois” e “Acontece”, e para momentos mais calmos faixas como “O Pouco Que Eu Quis” e “As Pequenas Coisas” (adoro ir pra faculdade escutando essas).
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