“Vestidas de Branco” no CCBN

13 07 2009

Mostra de Nelson Leirner propõe viagem bem-humorada ao mundo do casamento e da sociedade de consumoVestidas de branco2

Um grande tapete vermelho dá o tom da celebração de “Vestidas de Branco”, a exposição de Nelson Leirner no Centro Cultural Banco do Nordeste-Cariri, em Juazeiro do Norte (Rua São Pedro, 337 – Centro – fone: (88) 3512.2855), que terá o casamento como tema, a partir da próxima terça-feira, 14, às 19 horas. Gratuita ao público, a mostra individual de Nelson Leirner ficará em cartaz no CCBNB-Cariri até o próximo dia 28 de agosto (horários de visitação: terça-feira a sábado, de 13h às 21h). A exposição tem curadoria de Moacir dos Anjos.

Um dos mais expressivos vanguardistas dos anos 1960

A criação é de Nelson Leirner, artista considerado um dos mais expressivos representantes do espírito vanguardista dos anos 1960, no Brasil e no mundo, e cujas realizações têm como foco a popularização da arte, a participação e identificação do público. Suas obras, emblemáticas e instigantes, criam um elo imediato de identificação com as pessoas, através dos elementos que ele utiliza, sempre familiares ao cotidiano do povo.

Em “Vestidas de Branco”, Nelson Leirner propõe uma viagem pelo mundo do casamento, da cerimônia à maternidade; da festa à lua de mel, do erotismo dos casais ao inevitável mundo do consumo. Com muito humor e irreverência, características inerentes ao artista.

A idéia de fazer uma exposição sobre o tema surgiu quando Leirner visitou o Museu Vale, em Vila Velha no Espírito Santo, e ficou impressionado com a quantidade de noivos e noivas que vão ao local diariamente para fazer as fotos do álbum de casamento. Com as roupas da cerimônia, muitas vezes acompanhados dos pais e damas de honra, eles escolhem os mais bonitos ângulos dos jardins daquele Museu.

“Parto muito da observação para realizar o meu trabalho. E a imagem dos noivos fotografados nas mais diversas poses não saiu mais da minha cabeça. Então, decidi: é isso! Está dado o tema da exposição”, conta o artista. “Vestidas de Branco” tem curadoria de Moacir dos Anjos e produção da Imago Escritório de Arte.

A mostra

Um enorme tapete vermelho na área central do espaço leva aos noivos; nas laterais, os convidados: imagens de santos, soldados, divindades afro-brasileiras, bonecos infantis e réplicas de animais, criações do artista já reverenciadas nas obras A Grande Parada (1998), O Grande Desfile (1984), O Grande Combate (1985) e O Grande Enterro (1986). No final da extensão do tapete, os noivos.

A caráter, e com caras de macaco!, outra marca registrada nos trabalhos de Leirner desde os anos 1970. “O macaco é único. É o animal que mais se assemelha ao homem e com o qual o homem tem grande identificação”, diz o artista ao lembrar de sua recente participação na Arco, em Madri, quando os seus macacos fizeram enorme sucesso.

A festa começa com o bolo, de seis andares, Padre Cícero ao alto, e uma série de bonecos do folclore brasileiro, personagens místicos e folclóricos que Nelson Leirner costuma utilizar em seus trabalhos. A música será representada por estantes de partituras e máscaras de macacas.

A “cena” seguinte é a Lua de Mel, com dois ambientes: praia e campo. No primeiro, barracas e cadeiras de praia. Na “cena” do Campo haverá um bosque de grama artificial, com 32 peças de base fina e fotos ovaladas de grama.

O erotismo dois noivos será lembrado com as imagens de três noivas: uma cercada de objetos de petshop, com apelo fálico; outra cercada de macacos; e a terceira, com flores artificiais de madeira também com aspecto fálico.

A penúltima instalação remete à Maternidade. Doze berços, com 12 macaquinhos de pelúcia, representarão a concepção. Por fim, o consumismo, com a instalação Bagalot, uma estrutura que ocupará a parede do fundo da sala com 500 bolsas coloridas penduradas.

Vestidas de branco3

“Vestidas de branco”, por Nelson Leirner

” … A idéia é representar o casamento, fazendo uma passagem do presente para o futuro, e deste para o passado. Será uma exposição espelhada, sem espelho. Ou seja, com a possibilidade de percorrê-la na ida, dentro estilo cronológico do casamento, da cerimônia à maternidade e ao consumo; e na volta, depois de experimentar as várias etapas e poder viver novamente o passado, o momento onde tudo começou”.

O artista

Nelson Leirner possui uma obra marcadamente política, na qual os traços de humor e corrosão crítica caminham juntos. Sua produção abrange diversas linguagens e suportes, entre eles objeto, happening, instalação, outdoor, desenho, gravura, design e cinema experimental.

Em todos os meios, afirma sua posição crítica e irônica ao sistema da arte abrindo brechas ao entendimento do público não-iniciado, através da utilização de materiais familiares ao povo, como imagens de santos e entidades do candomblé, soldadinhos, pequenos brinquedos, animais e adesivos autocolantes.

Nascido em São Paulo, em 16 de janeiro de 1932, Nelson Leirner, 77 anos, é considerado um artista polêmico, irreverente, contestador. Ele busca atingir as ruas de forma a criar indagações nas pessoas, e utiliza várias estratégias estéticas e/ou comportamentais de forma experimental, mesmo que isso cause certo estranhamento. O artista se recusou a participar das Bienais de 1969 e 1971 durante o período da ditadura.

Em 1974, criticou o regime militar através da série A rebelião dos Animais. Leirner iniciou a carreira na década de 1950 e, desde então, participou de mais de uma centena de coletivas, além de realizar individuais no Brasil e em várias partes do mundo e de atuar como professor em cursos de arte por mais de duas décadas.

Leirner fala sobre essa identificação: “o público em geral, independentemente do grau de instrução, se identifica muito com o meu trabalho, com os elementos que eu uso, mesmo não conseguindo conceituá-lo (porque a arte é elitista, carrega um conceito, o artista carrega um pensamento). O fato e que há uma identificação em si mesma, uma atração imediata. Não que eu faça uma arte para grandes públicos, mas o grande público se identifica com os elementos que uso, e as pessoas se encantam por reconhecerem na arte objetos muito familiares, como Iemanjá, São Sebastião, Saci etc. O meu maior fã clube são as crianças. Quando eu faço os stickers eles conhecem, eles identificam todos os elementos que vêem nos programas de televisão, nas revistas, nas histórias em quadrinhos”.

ENTREVISTAS E INFORMAÇÕES ADICIONAIS:

* Nelson Leirner – (21) 8786.9931 (falar com a coordenadora da exposição, Maria Clara Rodrigues) / (21) 2285.1914 / 2225.7470 (falar com Joana Coimbra, assistente de produção) – producao@imagoarte.com.br <mailto:produção@imagoarte.com.br>

* Anastácio Braga (gerente do CCBNB-Cariri) – (88) 3512.2855 / 8802.0363 – anastacio@bnb.gov.br

* Jacqueline Medeiros (coordenadora de Artes Visuais do CCBNB) – (85) 3464.3184 / 8851.5548 – jacquerlm@bnb.gov.br

* Luciano Sá (assessor de imprensa do Centro Cultural Banco do Nordeste) – (85) 3464.3196 / 8736.9232 – lucianoms@bnb.gov.br

Fonte: Assessoria de Imprensa do CCBN





Sobre as estradas do Cariri

13 07 2009

Estradas: A buraqueira que nos cabe e estamos dentro

Por José Cícero
Era uma vez uma estrada.
Algo que nos proporcionava alegria
E às vezes até esperança porque era sinônimo de futuro
E de progresso: BR-116
Rodovia pomposa conhecida, famosa – Santos Dumont.
Uma vontade forte de avançar, seguir sempre em frente.
A estrada era como se fosse artérias e veias
A irrigar toda a vida da nossa sociedade.
Uma estrada que nos ligava ao mundo
assim com ao nosso próprio sonho de grandeza.
Uma promessa firme com o encontro possível.
Agora, não passa de um buraco gigante
a instigar nossa raiva e nossa (des)confiança.
Um atentado. Um grito silencioso de protesto.
Uma vergonha explícita. Uma afronta…
Um desrespeito a toda sociedade cearense
E do Cariri em especial.
Uma tácita declaração de que paciência tem limite.
Quem ver e passa nas nossas estradas hoje,
não se sentirá parte dela como dantes.
É como se estivéssemos sobre o solo lunar
Sequer com a presença de São Jorge no seu perene cavalgar.
Se é verdade que governar é construir estrada;
Estamos todos sob o regime de Bakunin.
Somos para o todo e sempre seres ingovernáveis.
Nossas estradas é um câncer em acelerado processo de evolução.
Uma praga a ferir de morte todo o nosso bom senso.
Uma evidência concreta de que o povo
Ainda permanece no extenso rol dos esquecidos.
Enquanto isso, eles, os políticos, preferem o avião.
Ora bolas, para que serve o povo?!
O povo só presta para votar?
Ano que vem tem mais eleição.
E as estradas devem permanecer assim: uma lástima.
(…)
Quem precisa usar nossas estradas, hoje,
Como lida cotidiana e meio de vida
está desde muito, submetido a uma via-crúcis das mais penosas.
Além de ter que enfrentar outros males perigosos
Como assalto, acidentes, prejuízos financeiros com os veículos,
bem como até mesmo a política propina viciada…
Ou não podemos falar sobre isso?
Mas todos sabem do que estou falando.
A propina é uma prática antiga nas nossas estradas…
Uma política literalmente institucionalizada.
A que os motoristas passaram a encarar como normal.
Se não tivesse desmantelado o transporte ferroviário
Quem sabe o fantasma da buraqueira pudesse ser amenizado.
Mas não. O transporte rodoviário é um compromisso com o lobby
Dos poderosos do setor.
O setor rodoviário gera votos e garante
a manutenção e permanência de muitos que estão lá em cima,(no céu de brigadeiro)
batendo no peito se dizendo representantes dos oprimidos.
O que temos agora é apenas um buraco, quanto muito, cheio de caminhos.
Mas, perguntemos: a quem pode interessar tudo isso?
Por que o descaso explícito?
Ao povo sabemos que não interessa este caos.
(…)
Todo o progresso depende necessariamente das nossas estradas melhoradas.
Não tê-las é simplesmente aceitar a realidade do atraso,
Incompetência e malversação dos nossos impostos e dos recursos públicos.
Os buracos das nossas estradas se parecem a cada dia,
Com os discursos fisiológicos dos nossos políticos carreiristas.
Nossas estradas só servem hoje para os aviões dos magnatas do poder e do capital.
Os buracos das estradas é a prova de uma nação fragilizada
e que não tem ( e nem demonstra) compromisso com o futuro.
Um crime, um delito cometido contra cada cidadão.
Portanto, um crime de responsabilidade. Um agravo à sociedade.
Queremos estrada como um direito elementar dos que ainda acreditam nos políticos
Assim como na perspectiva de um futuro de progresso e desenvolvimento para o Brasil…
Quem casa, quer casa. Quem viaja e sonha, quer estrada.

(*) O autor é Professor, Poeta, Pesquisador e
exerce a Secretaria de Cultura, Turismo e Desporto de Aurora – CE
Joaseiro.com




Conto da Semana

12 07 2009

Recife, 03 de julho de 2009.

“O excesso de luz cega a vista.

O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demasia estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isto, o sábio em sua alma

Determina a medida para cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o invisível.”

(Lao-Tse)

A Horta Comunitária dos Sonhadores

Por Guilherme Patriota

Talvez a leitura seja uma das coisas mais importantes para a cultura programada do ser humano, mas em casos mais raros o degustar do vício se torna uma doutrina quase que incorrigível de repetições e mais repetições do que não foi vivenciado, e assim foi com a vida de PR. Ele acordava cedo para ler Proust ou Joyce, pois ao meio-dia tinha que iniciar suas leituras de poesias ultra-românticas, visualizando o estudo filosófico do início da tarde e as leituras científicas do final, para que no começo da noite pudesse sair para encontrar os colegas e logo voltar para casa e tentar compreender textos biográficos que versavam sobre o homem em estado artístico. PR, aos quarenta anos, já havia lido mais de três mil livros, mil trezentos e cinqüenta notoriamente identificados nas primeiras páginas de uma agenda que ele sempre carregava em baixo do braço, no entanto estes dados e seu PHD na escola de estudos culturais da Inglaterra não solucionaram o sentido de compreensão de sua própria vida. No pouco tempo que tinha com colegas, não amigos, pois PR não tinha paciência de ouvir aqueles conhecidos de infância que falavam sobre trabalho, dificuldades do lar, do dia-a-dia, ele apenas condicionava a conversa dos rapazes e moças, de sua velha cidade, a análises, sempre aplicando dizeres de algum de seus tantos ídolos literários como forma de convencimento e sabedoria superior sobre a vida dos outros. PR morava com os avós, pois seus pais, quando ele completou vinte e oito anos, transferiram todas as responsabilidades convencionais e financeiras da vida de um cidadão para as mãos do jovem leitor, e PR não teve saída mais simples do que ir morar com os avós que tanto o amavam – ele era o único neto do casal quase centenário. A aristocrática família de PR nunca permitiu que ele mexesse uma palha sequer quanto às resoluções práticas do cotidiano. Ele não lavava, não passava, não cozinhava, não trabalhava, não pagava, não participava, não recondicionava; apenas lia. Quando os pais promoveram PR ao que os escritores capitalistas chamam de liberdade, ele sentiu que a perdeu, e, pior, percebeu que poderia perder sua leitura, seu único ente incondicionalmente querido. Morando com seus avós na velha e mesma cidade de sua infância, PR intensificou monstruosamente seu índice de leitura e transformou sua vida em um campo literário daqueles que só as palavras escritas é que têm valor. Todos desacreditavam PR naquela pequena localidade, pois lá a moral de um homem que vive de sonhos sempre foi descartada, impregnando-se todos os horizontes com aqueles dizeres de que “o trabalho engrandece o homem”. PR não ouvia, pois a paciência lhe faltava e, ao mesmo tempo, era totalmente preenchida pelos próprios livros, que o envolviam, que o cativavam a devanear e devanear em sua singular realidade. No aniversário de cem anos de seus avós, quem recebeu o presente foi PR, tudo bem que não era o mais desejado, pois o casal de idosos havia viajado sem rumo pelo mundo deixando uma carta de liberação para o neto, afirmando que agora sua vida estava por sua própria guia, por seu próprio intuito. PR, não tão perturbado como da primeira vez que foi “libertado”, pelos seus pais, juntou seus melhores livros e partiu para a rua. A cidade inteira já tinha noção de tudo, e deixaram PR por duas noites se virar com pequenas porções de alimento doadas pelos, agora, colegas de convivência – os sujeitos das ruas. A vitalidade e a disciplina de PR surpreendiam a todos, dado que não perdera nenhum dos seus hábitos de leitura no quando do habitar a praça. O sentido de [in]desejo dos habitantes daquela cidadezinha, não permitia que PR pudesse sobreviver daquela forma, ativando um inconsciente/consciente coletivo de não ajudar ao ex-aristocrata leitor que se recusava a render-se aos moldes de vida dos cegos do social. O tempo passou e PR continuava feliz, lendo, lendo, lendo, e agora cercado de amigos “ignorantes” que adorava ouvir. Para PR, ao contrário dos colegas de outrora, os mendigos falavam por uma verdade própria que estava “para além do bem e do mal” de sua também verdade, referendando que os sonhos, muitas vezes, e para alguns e outros de formas diferentes, podem ser pequenos traços de montagem para um quebra-cabeças chamado realidade. PR e seus amigos foram e ficaram isolados de sua sociedade, adotando o canteiro central da praça ao fundo do cemitério, com a autorização de sabe-se lá quem, de boa fé, na prefeitura, como “horta comunitária dos sonhadores”, que produzia o essencial a sobrevivência alimentar dos mesmos e servia como biblioteca pública a céu aberto daquele município. Em três anos PR ensinou todos os mendigos da cidade a ler e escrever, cativando um drink diário de sonhos para todos aqueles que não tinham o direito de sonhar. A “horta comunitária dos sonhadores” ganhou outros campos quando um crítico literário bisbilhoteiro a descobriu, pelas palavras de sua fonte “como um ato louco de um aristocrata exótico que quer aparecer”. Publicada a primeira notícia no jornal, relatando a nova comunidade intelectual formada no interior do país por mendigos leitores, todos os veículos de comunicação internacionais queriam conhecer e entrevistar o suposto líder daquela irmandade. PR recusou, pois afirmava não existir irmandade alguma, apenas a resolução de algo que naturalmente teria que se resolver. Mesmo não sendo o desejo de todos, a horta tornou-se ponto turístico daquela cidade, e a não irmandade teve que identificar seu território, agora novamente compartilhado pela população, com uma placa escrita a mão por PR: “A Horta Comunitária dos Sonhadores – Decidi ensinar quando parei de ler. Ao parar de ler descobri que nos homens os vícios sempre irão existir, e somos obrigados a passar alguns destes corriqueiros para nossos iguais, cativando a continuidade das ações quando estas geram sonhos. Passei quase meio século me dedicando a algo que imaginava ser meu, até descobrir que o que era realmente próprio estava resguardado. De tanto sonhar, devaneando por o que não era, acabei encontrando um real caminho, acreditando em mim mesmo, e agora nos outros que também são meus.”

Joaseiro.com





“Talentos Cariri”?

12 07 2009

[Texto publicado originalmente em 25/05/2008 e reproduzido novamente na página principal em 12/07/2009 por estar sendo alvo de novos comentários por parte dos leitores.]

Impressiona o quanto certas pessoas se esforçam para manter em “alta” na “alta” sociedade. Criam-se fatos, eventos, premiações, tudo para manter-se em evidência. Quase sempre, as mesmas pessoas são as homenageadas (e geralmente são elas quem patrocinam os eventos), e são as mesmas pessoas que as homenageiam. Todos fingem: os homenageados fingem que realmente merecem algo digno de nota e quem presta a “homenagem” finge acreditar que realmente está prestando algum serviço à sociedade.

Sob a desculpa de “valorizar quem trabalha”, “quem luta pelas causas sociais” ou “quem presta relevantes serviços à cidade” todos se promovem, num verdadeiro espetáculo vazio de culto à mediocridade. Discursos feitos e grande perda de tempo! O principal objetivo é o “glamour”, o “destaque” (quanta besteira!). No Cariri, temos várias premiações do tipo “Talentos Cariri”, “Destaques do ano”, “Top of…”, “Troféu…”, “Miss … e Mister…”, enfim, sobra criatividade para nomear a falta de criatividade.

Ao final desses eventos (devidamente divulgados pela imprensa local), todos vão pra casa felizes (e se auto-enganando) com uma placa que será exposta no dia seguinte “O melhor empresário do ramo”, “O melhor médico da especialidade”, “O melhor jornalista”, “O melhor programa”, “O melhor qualquer-coisa-que-dê-dinheiro”. Na verdade, o único mérito dos agraciados, se é que podemos chamar assim, foi pagar para obter uma premiação de um título que foi falsamente aferido mediante “pesquisa de opinião pública”.

Tamanha hipocrisia só pode ser melhor avaliada nos versos de Noel Rosa, que já foram cantados por Chico Buarque e por Zeca Baleiro:

Quanto a você da aristocracia

que tem dinheiro,

mas não compra a alegria,

há de viver eternamente

sendo escravo dessa gente

que cultiva a hipocrisia!

“Filosofia” – Noel Rosa

Joaseiro.com





Recordações

11 07 2009

Cidade de cor

Por Evelyn Onofre*,

Minha pequena cidade é colorida em tudo
Composta por cores quentes e vibrantes
O calor alaranjado do sol, a avermelhada dor do povo
Os muros pintados com as mãos,
São alegorizados por frases de palavras pequenas
Para tocar realmente quem se aproxima

Minha pequena cidade também tem um lado
Meio branco e preto, meio amarelado
Cores corroídas pelo tempo, e pelas mãos de novos jovens
São os mesmos lugares com as mesmas pessoas
As praças com os velhinhos da vida inteira – parece que não morrem nunca
Jogando dominó, porrinha, bebendo cachaça, fazendo poesia ou
Cantando a gafieira do Moreira, relembrando setembros passados

Minha pequena cidade também tem um lado só verde
Cheiro de árvores de troncos largos, cheiro do sul do estado, do sertão
Com velhos sítios cheios de armadores e com mesas grandes
Colheres de pau, caldeirões de sopa e pilão pra fazer paçoca
Mais atrás, no quintal, tem poleiro, varal, horta e sombra pra dedéu
Esse lugar é pra relembrar, com cheiro e tudo, a vida do nosso avô na terra ou no céu

Minha cidade tem cor de saudade, coisa mesmo de interior
De amigos que vão e voltam, só pra reviver a mesmice
É o primeiro nome da lista de viagens cheias de ansiedade
Principalmente em julho, mês do clima bom pra chegar mais perto
E enquanto não voltamos, ficamos aqui, só resmungando, não que seja ruim
Mas a cidade da nossa infância, geralmente é mais querida, mais saudosa

Minha cidade tem o céu mais azul, as nuvens mais brancas
A lua é tão cheia de vida que dá até pra ver São Jorge no cavalo
O calor mais quente e o frio tão atraente
Minha cidade é mesmo de cor, cor dos que voltam sempre
Cheia de verde, cheia de rosa, cheia de água, mas nada de mar
Cidade sem cartão-postal, mas com visita garantida dos que regressam

Sítio no Conjunto Cohabece

Sítio no Conjunto Cohabece (Evelyn Onofre)

Clique na imagem para ampliar.

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* Texto e fotografia enviados pela leitora, estudante de comunicação social, fotógrafa e hoje residente em Fortaleza – CE.

Cidade de cor

Minha pequena cidade é colorida em tudo

Composta por cores quentes e vibrantes

O calor alaranjado do sol, a avermelhada dor do povo

Os muros pintados com as mãos,

São alegorizados por frases de palavras pequenas

Para tocar realmente quem se aproxima

Minha pequena cidade também tem um lado

Meio branco e preto, meio amarelado

Cores corroídas pelo tempo, e pelas mãos de novos jovens

São os mesmos lugares com as mesmas pessoas

As praças com os velhinhos da vida inteira – parece que não morrem nunca

Jogando dominó, porrinha, bebendo cachaça, fazendo poesia ou

Cantando a gafieira do Moreira, relembrando setembros passados

Minha pequena cidade também tem um lado só verde

Cheiro de árvores de troncos largos, cheiro do sul do estado, do sertão

Com velhos sítios cheios de armadores e com mesas grandes

Colheres de pau, caldeirões de sopa e pilão pra fazer paçoca

Mais atrás, no quintal, tem poleiro, varal, horta e sombra pra dedéu

Esse lugar é pra relembrar, com cheiro e tudo, a vida do nosso avô na terra ou no céu

Minha cidade tem cor de saudade, coisa mesmo de interior

De amigos que vão e voltam, só pra reviver a mesmice

É o primeiro nome da lista de viagens cheias de ansiedade

Principalmente em julho, mês do clima bom pra chegar mais perto

E enquanto não voltamos, ficamos aqui, só resmungando, não que seja ruim

Mas a cidade da nossa infância, geralmente é mais querida, mais saudosa

Minha cidade tem o céu mais azul, as nuvens mais brancas

A lua é tão cheia de vida que dá até pra ver São Jorge no cavalo

O calor mais quente e o frio tão atraente

Minha cidade é mesmo de cor, cor dos que voltam sempre

Cheia de verde, cheia de rosa, cheia de água, mas nada de mar

Cidade sem cartão-postal, mas com visita garantida dos que regressam





Nós tentamos…

11 07 2009

.

Um dia conseguiremos.

***

Postagem dedicada às produtoras de eventos, políticos e imprensa da região.

Joaseiro.com

Fonte da tirinha: http://rafaelsica.zip.net





Falando em preocupações eleitorais…

10 07 2009

     Além daqueles políticos que não têm mandato, aqueles que o têm mas não o exercem de forma satisfatória começam a tremer de medo de não conseguirem obter a reeleição. É o caso do deputado federal Manoel Salviano (PSDB-CE), cuja principal base eleitoral é Juazeiro do Norte, de onde já foi prefeito em duas oportunidades.

     Como deputado federal a atuação é Salviano é pífia: sequer durante a gestão de Raimundo Macedo (que tinha um filho de Salviano como vice e que pertenceu aos quadros do PSDB durante os quatro anos em que foi prefeito), o parlamentar alocou verbas para obras e empreendimentos em Juazeiro. Se na gestão de um correlegionário e de seu filho  Salviano não contribuiu para a melhoria da cidade, imaginem agora que a cidade é governada por um adversário de outro partido.

     Como, então, Salviano pedirá votos ao povo de Juazeiro? O que terá para mostrar na campanha de 2010? Pois é, em 2006 ele já não tinha muito o que mostrar e se valeu de três aspectos: 1) vangloriar-se do que tinha feito enquanto foi prefeito; 2) vangloriar-se de ter trazido a TV Verde Vale para Juazeiro (como se o povo da cidade tivesse de agradecê-lo por ele enriquecer seu patrimônio pessoal); 3) promessas.

     E agora, como pedir votos em 2010, se nada fez das últimas eleições até hoje? Salviano agora quer tentar transparecer que fez alguma coisa, que lutou para melhorar a cidade. A estratégia agora é se mostrar como o grande defensor de uma antiga aspiração da região, a Universidade Federal do Cariri. Ora, ora… já faz tempo que a solicitação de tal Universidade foi pedida no Congresso Nacional, inclusive seu articulador foi o então deputado federal Rommel Feijó. Há alguns anos, a proposta foi rejeitada e arquivada em uma das comissões da Câmara.

     Todos que acompanham a história recente do Cariri e que fazem um mínimo de análise crítica sabem que, mais dia menos dia, a Universidade Federal do Cariri será criada. Independerá de vontade política, será algo inevitável, visto ser fato que o ensino superior do Cariri cresce a olhos vistos: cursos de uma Universidade Federal (a UFC) têm se implantado na região, a URCA e o IFET vêm crescendo (sem contar outras instituições). É bem possível que futuramente essas unidades, de alguma forma, possam se juntar e dar origem a uma nova Universidade. Independente do nome, é importante apoiar o crescimento dessas instituições, que muito vêm contribuindo para o desenvolvimento do Cariri.

     Salviano tentar ressuscitar a velha discussão da Federal do Cariri é, portanto, mera preocupação eleitoreira. Ele já ficou na suplência uma vez e isso acontecer novamente não é difícil, tendo em vista a sua pífia atuação como deputado e o fracasso eleitoral do ano passado na eleição municipal.

Joaseiro.com





Até tu, Lúcio?

9 07 2009

     Outro dia comentávamos a respeito da angústia dos políticos sem mandato em não serem esquecidos (para ver o post, CLIQUE AQUI). Outro que anda na mesma linha é o ex-governador Lúcio Alcântara, talvez candidato a deputado federal, talvez candidato a governador.

     Lúcio edita um blog na internet, lançou um livro, mantém um perfil no orkut, fez vídeos no YouTube, vive aparecendo nas colunas sociais, publicando artigos nos jornais, viajando ao interior para promover o seu partido PR – Partido da República. Agora Lúcio também tem um quadro “Conversa Franca” no programa de rádio sensacionalista “Alerta Geral”, da Rede Som Zoom Sat, apresentado pelos mesmos jornalistas que editam o Jornal do Cariri.

     Convenhamos, Lúcio, que é um homem sério e foi até um governador e senador razoável, bem que poderia estar em melhor companhia…

Joaseiro.com





Mais essa

8 07 2009

     Depois de cobrar para que os acompanhantes dos passageiros possam descer até à plataforma de embarque, a empresa que administra a rodoviária de Juazeiro agora está cobrando para utilizar o banheiro. Isso mesmo, assim como em Fortaleza, o usário tem de pagar uma taxa se quiser ir ao banheiro, um tremendo absurdo em se tratando de um serviço público. O cidadão já paga muitos impostos a fim de que estes serviços funcionem e sejam mantidos adequadamente.

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Conto da Semana

6 07 2009

     Como neste domingo não nos chegou o conto do Guilherme Patriota, convocamos Antônio Abujamra pra nos narrar o conto da semana. Aumentem o volume e apreciem!

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Poema da Semana

5 07 2009

Na análise das verdades

Por Franzé Matos

Na análise das verdades

Em que nutrimos uma saudade

Das coisas voláteis que sempre passam

É possível ser diferente

E pensar de forma divergente

De uma realidade enunciada

 

Enunciada pela boca de outros

Que partem de um conhecimento posto

Para não padecer do sofrimento

De todo conhecimento ter de reconstruir

Pois partindo de bases sólidas

Uma linda estrada se abre

E o homem caminha

Por vias seguras feito areia movediça

Olhando para um bonito céu de mentiras

Que parece a verdade

E nutrimos uma saudade

Do efêmero que sempre passa

 

E nesta estrada que se anuncia

Encontramos apenas a agonia

De seguir sem questionar

O conhecimento do movediço do asfalto posto

E com grande desgosto

No fim da vida percebermos a vida mesmo que perdemos.

 

O intuito do meu existir

É dinamizar esta via

E exorcizar a segurança da minha vida

E o oposto a mim sempre buscar

Para adentrar um eterno nascente

Que me oriente para um caminho novo sempre sonhar

Em que tudo careça de ressignifcados

E que mesmo neste estado de incerteza

Encontrarei mais clareza

Do que no pensamento posto.

 

Construir o conhecimento em você

Não pode ser algo fácil

Mas como um parto

Rompendo as forças que tentam lhe prender.

Irrompendo em ato

Ato de liberdade

Que é a vida.

Joaseiro.com





Crônica

4 07 2009

Abuso de Mediocridade

Por Sávio S.F. Machado

“Poesia não tem dono
Alegria não tem grife”

Zeca Baleiro

     Descendo a Rua São Pedro, após comprar três camisas, as mais simples que achou – sem estampa e sem nomes horríveis que chamassem mais a atenção do que seu usuário – deparou-se com um camelô vendedor de relógios. Há anos precisava comprar um relógio com contagem de segundos para o seu trabalho, mas tinha se acomodado em usar o cronômetro do celular, embora isso o fizesse perder grande tempo e manter uma das mãos ocupadas. Tão prático e tão barato um relógio de pulso, mas com o que não se acostumava para deixar de abrir os olhos pra outras possibilidades? Naquele momento, abrira: precisava comprar o relógio.

     Parou um instante e veio o olhar do vendedor, aquele olhar de quem iria puxar o cliente, oferecer milhares de produtos e dizer todos aqueles clichês dos vendedores da Rua São Pedro. Já estava preparado pra devolver o olhar do homem, reeditando o olhar fulminans que fizera há cinco minutos para a vendedora da loja das camisas, quando esta disse que a blusa preta com a caveira “assentaria” muito bem nele. Ante a negativa, ainda teve de usar uma dose maior da sua grosseria silenciosa quando indagado da possibilidade de levar uma cueca estampada com o pato donald ou uma calcinha para a namorada ou pra mãe. Era “tudo promoção” – promoção do ridículo.

     Eis que o senhor simpático surpreendeu gentil, pouco invasivo:

 

     – Bom dia, vamos dar uma olhadinha aí nos relógios?

     - É…

     – É pro senhor? – embora tivesse idade pra ser pai do aspirante a cliente, o tratou com respeito.

     – Sim.

     – De ponteiro ou digital?

     – Ponteiro.

     – Tem esses quatro aqui à prova d’água.

 

     Direto e ainda o tinha feito lembrar-se de um requisito importante pra sua escolha: não queria ter de ficar tirando e botando o relógio toda vez que fosse fazer entrar em contato com água. Vivia lavando as mãos no trabalho.

 

     – E esse outro aqui, né à prova d’água não?

     – É não, senhor, esse é só resistente.

     – Ah! – fez a maior cara de entendido que foi capaz.

 

    relogio-bolsoPassou a provar dos relógios, todos os quatro com poucas diferenças, basicamente nas cores. Ficou entre o azul e preto. O homem começou a ajustar a pulseira dos dois para que se adequasse ao braço do comprador. Ficaram apertados: gostava – lembrava-se de seu último relógio há cinco anos – deles girando em torno do pulso sem maiores dificuldades. Mais alguns ajustes e estavam bons. Punha um, depois o outro, os dois juntos, olhava, hesitava. Pensou que quando tivesse dinheiro compraria um daqueles relógios de bolso de modelo bem antigo. Queria mesmo era todos vendo que não se adequava àquele mundo, que preferia o século XIX, que apesar da pouca idade preferia o tempo antigo que não vivera, que protestaria contra a modernidade usando um bom, arcaico e anacrônico relógio de bolso com algarismos romanos e tudo mais! O camelô começou:

 

     – Achei que esse preto se assenta mais no senhor.

     – (Ah, meu Deus!)

     – Esses relógios são muito bons, viu? Tem garantia, qualquer coisa é só trazer aqui que eu mesmo ajeito.

     – Realmente é uma grande garantia.

     – É! – disse sem entender a ironia. Olhe, tá todo mundo usando. O senhor acredita que até os protestantes estão me comprando esses modelos aí?

     – Não me diga! (E o que diabos os protestantes têm de especial?)

     – Os representantes de vendas também me compram muito e…

relógio de pulso     – Tá bom, eu vou levar o azul.

     – Eu percebi que o senhor gostou mais desse…

     – Quanto custa?

    - Não vai querer levar nenhum modelo feminino pra namorada ou pra mãe? Eu lhe faço um desconto se…

     – Não, quanto custa só o meu?

     – Bom, é doze reais.

     – Que ridículo! – enfureceu-se.

     – Mas… o quê? O senhor quer trocar por outro modelo? Fique à vontade, pode experimentar aí…

     – Não, meu senhor, seu preço, seu preço é que é ridículo. Vocês vendedores são todos iguais, querem vender um troço por dez reais e dizem que custa doze pra poder a gente pedir desconto, dizer que só quer dar oito reais e aí a gente fecha nos dez reais que o senhor queria, não é? “Nem eu, nem você, vamos fechar nos dez né?” Que ridículo! Pois olhe, meu senhor, eu não peço pra baixar não, viu? Tá aqui seus doze reais e pronto!

     – Mas senhor, me desculpe, eu…

     – Nada de desculpe, pegue os seus doze reais e fique calado se não quiser que eu o denuncie agora mesmo ao Decom por abuso de mediocridade!

Joaseiro.com

Imagens: relogiolandia.com





Juazeiro do Norte é o Brasil, na Lua

4 07 2009

     Recebemos as informações abaixo do nosso leitor Valmir Martins de Morais, responsável pela estação astronômica PieGiese de Juazeiro do Norte. A íntegra da reportagem, com mais informações, pode ser acessada em http://astropiegise-ultimasobservacoes.blogspot.com

     Caros Amigos,

     No mês que se celebra os 75 anos da morte do  Padre Cícero, sua terra, Juazeiro do Norte, no Ceará, chega mais perto do Céu: Juazeiro está na Lua ! Foi divulgado hoje, dia 03 de julho de 2009, pelo Comitê do Ano Internacional da Astronomia de Malta, o grande mosaico da Lua obtido das imagens enviadas por 40 países de todos os 5 continentes, em apoio ao projeto “The Moon for all mankind”, ou “A Lua para Toda a Humanidade”, que  pretende mostrar a Lua como um símbolo de paz e de unidade entre todos os homens e mulheres do planeta Terra.

     Para comemorar o 40º aniversário do primeiro Homem na Lua, no ano em que se completa o 400º ano da primeira utilização da luneta por Galileu Gallilei, o comitê em Malta lançou em abril de 2009 a campanha internacional para produzir um mosaico da Lua Cheia, de 1,25 metro de diâmetro, feito a partir de imagens fornecidas por 48 diferentes países.

      Malta, Brasil, Austrália, Bangladesh, Camarões, Canadá, Chile, China Nanjing, Colômbia, Chipre, Dinamarca, Egipto, Alemanha, Gana, Guatemala, Hungria, Índia, Irã, Jamaica, Japão, Quénia, Madagáscar, Malásia, Moçambique, Myanamar , Omã, Paraguai, Porto Rico, Romênia, Rússia, Arábia Saudita, Sérvia, Singapura, Coreia do Sul, Espanha, Síria, Taiwan, Tajiquistão, Tanzânia, Tunísia, Emirados Árabes Unidos, Uganda, Reino Unido, Uruguai, Estados Unidos da América, Vaticano, Vietnan e Zâmbia foram convidados e se comprometeram com o projeto. Cada país fez imagens de uma seção da Lua, nas noites de Lua cheia nos dias 9 de Maio e 7 de Junho de 2009.

     As imagens foram enviadas ao Sr. Leonard Ellul Mercer no Apolen Observatory, em Malta, onde após semanas, a colagem de todas foi  produzida. O mosaico final, divulgado hoje, e uma animação com música de Lynn Faure, serão distribuídos ao redor do mundo como colaboração entre as diferentes nações no espírito de “A lua de toda a humanidade”.

     Ao Brasil foi atribuída a seção lunar 40, uma área situada nas proximidades da bela cratera Tycho que tem 86 km diâmetro e uma profundidade que chega a 4.800 metros .

    A composição final do projeto trouxe duas boas surpresas: a Itália enviou como imagem representativa da área lunar que lhe coube, um esboço da Lua, de quatrocentos anos de idade, feito por Galileu Galilei – o projeto comemorativo do Ano Internacional da Astronomia ,que já era belo, tornou-se extremamente poético, e, a outra  surpresa, para o Ceará, a imagem da seção 40 da Lua, obtida aqui em Juazeiro do Norte, na Estação Astronômica PieGise, foi escolhida para representar o Brasil no projeto internacional. Ou seja, Juazeiro do Norte é o Brasil na Lua!

lua1Imagens obtidas em Juazeiro do Norte para o projeto “Moon For All Mankind”

Nas noites e madrugadas dos dias 6, 7 e 8 de Junho de 2009, em Juazeiro do Norte, 2.035 imagens da seção lunar 40 e suas adjacências, foram obtidas, por Valmir Martins de Morais, com uma câmera CCD Toucam Pro II (Sony ICX098BQ) acoplada ao telescópio principal (de 275 mm de abertura) da Estação Astronômica PieGise.

      O céu juazeirense, dominado por forte turbulência atmosférica, neste período, completamente inapropriado para observações astronômicas, só por momentos permitiu que as imagens do luar fossem captadas por entre as poucas frestas das pesadas nuvens. Mesmo assim, a partir da soma dos 1.616 melhores quadros do total obtido, conseguiu-se um mosaico de 2907×2035 pixels composto por 79 imagens da região, que depois foi recortado e enviado ao comitê IYA-2009 de Malta para avaliação.

 Imagem final do projeto: mosaico

Link para o download da composição final de imagens do projeto de Malta (em tamanho grande):

http://www.astronomy2009.org/static/archives/images/large/iya2009_moon_mankind.jpg

      A contribuição da Estação Astronômica PieGise evoca não só desejo de paz entre os homens, mulheres e crianças no planeta Terra… evoca o desejo de paz nos Céus… Uma Terra… Um Céu! Que a Lua seja de todos nós! Obrigado!

Valmir Martins de Morais
Estação Astronômica PieGise
Juazeiro do Norte, Ceará – Brasil
(88) 3511-2738 / (88) 9619-9757





Bom trato com as palavras…

3 07 2009

     O pessoal da imprensa costuma às vezes escorregar com o que vai dizer e, na empolgação de exaltar a figura do Padre Cícero, comete uma ligeira gafe. É que muitos jornalistas dizem que Juazeiro vai comemorar os 75 anos de morte do sacerdote ou então citam “as comemorações do dia da morte do Padre”. Ora, ninguém aqui comemora a morte de ninguém - nem do pior inimigo - quanto mais do Padre Cícero, tão exaltado na cidade. Seria de bom tom que dissesem que a cidade “lembrará a passagem do aniversário de morte” ou algo semelhante que não lembre propriamente uma festa.

     A propósito, ao dia 20 juntam-se mais duas datas especiais esse ano: no dia 18, comemoração do centenário do Jornal “O Rebate”, com criação do Dia da Imprensa em Juazeiro e show da Orquestra Eleazar de Carvalho na Praça do Romeiro; já no dia 22, a cidade comemora seus 98 anos e dá início aos preparativos para seu centenário em 2011.

Joaseiro.com





Música Mineira e suas múltiplas faces

2 07 2009

Parte III (e final) – A Nova Cara da Música Mineira

“O tempo é curto para o que você quer ser”

Por Helayne Cândido

Quando me propus a escrever esse especial em três partes sobre a “a nova cara da musica mineira”, queria terminar com um som que estou sempre em total sintonia em suas mais variadas vertentes: o rock.

Nos últimos cinco anos há de se perceber que o rock nacional também sofreu forte influência do tal chamado indie rock, que de forma simplificada seria um estilo musical caracterizado por bandas que não são lançadas por grandes gravadoras, ou seja, alternativas ao grande mainstream. Essa tal alternatividade é que possibilita, pelo menos na maioria das bandas, a não perda de identidade do som e, por conseguinte, o “não perder das rédeas” do próprio trabalho por imposições de mercado, grandes gravadoras e afins. A grande explosão indie rocker surgiu em meados da década de 90, na Inglaterra, com bandas como Pavement (sou muito fã dessa!), Oasis, Blur, e gera reflexos até hoje nos anos 2000, com bandas como: The Strokes, Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, The Raconteurs, The White Stripes, The Kooks e tantas outras que, se eu fizer uma lista, dá-lhe ad infinutum nela.

Em se falando de indie rock tupiniquim, podemos citar bandas como: Forgotten Boys, Supercordas, Superguidis, Walverdes e tantas outras. Mas, e Minas Gerais, hein?! A-Há! Eu já tenho uma banda de indie rock mineira preferida e se chama monno (assim mesmo, com letra minúscula), que é formada por Miari (vocal e guitarra), Coelho (guitarra), Euler (baixo) e Koala (bateria) e é um bom exemplo dessa influência no rock nacional. Com apenas três anos de existência, já possuem uma bagagem contando com dois EP’s, um Single Virtual e um DVD. O primeiro disco, lançado em 2006, abriu espaço para a banda em vários festivais (o grandioso Pop Rock Brasil, Calango, Bananada, Labpop, Gig Rock, Garimpo, Grito Rock), canais (MTV e Cultura), e páginas (Bizz e Rolling Stone) do país. No segundo disco, eles mostram que têm a energia necessária para continuar o movimento de expansão. O disco foi inteiramente produzido pela banda e masterizado pelo canadense Harris Newman, que já trabalhou com vários grupos bacanas do seu país, incluindo o Arcade Fire. As gravações começaram em junho de 2007 e, após nove meses, o CD foi lançado. Foi feito também um registro em vídeo, com alguns trechos disponíveis na internet e a versão completa em DVD, que saiu em edição limitada junto com o disco.

Em seu primeiro trabalho, homônimo logo na primeira faixa, “Silêncio”, o vocalista Bruno deixa claro: “O tempo é curto para o que você quer ser”. Passeamos freneticamente entre as sensações de euforia e depressão por todo o CD. As guitarras de “A Falta” e “#1” colam de forma imediata. Entre as melodias tristes e bonitas, como “Nada demais” e “Lugar Algum”, percebemos a estampa indie impressa. As duas últimas faixas, “Quem Sabe” e “Um dia”, caminham entre os dois extremos. Limpas ou sujas, com muitas distorções, as guitarras nos convidam a ver no comum beleza.

No segundo trabalho a sensação das músicas é como estar em alta velocidade junto à banda, numa montanha russa onde só existe o AGORA. Não é a toa que este é o título do trabalho. O resultado são faixas bem dançantes como “Enquanto o Mundo Dorme”, “Carta Pra Depois” e “Acontece”, e para momentos mais calmos faixas como “O Pouco Que Eu Quis” e “As Pequenas Coisas” (adoro ir pra faculdade escutando essas).

Em entrevista, o vocalista Miari afirmou que a intenção era deixar o som da banda “esquisito” como o das bandas canadenses, aliás, ele próprio afirma que uma de suas grandes referências é a banda Pedro The Lion (http://www.myspace.com/pedrothelion), que por sinal é muuuuiiitooo boa! E percebe-se logo de cara a forte influência dessa banda no atual som de monno, mas não acredito que este chega a causar “estranhamento” em sentido negativo. Pelo contrário, reafirma que a monno amadureceu seu estilo em “Agora”, apresentando novidades: guitarras, baixo e bateria com visitas ocasionais de teclados, trompete e efeitos eletrônicos. Na última faixa, “21 Dias”, os versos de Miari deixam claro o caminho da banda: “Prefiro você a ficar em paz / o seu excesso, toda sua urgência / nunca é demais”, e é desse excesso de urgência de vida que a banda se reinventa e recria novas possibilidades para o rock nacional.

***

Confira os vídeos do youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=wsAdEd2MxAM

http://www.youtube.com/watch?v=NxRLzSqqWSo

http://www.youtube.com/watch?v=V1DVuUWzvD4

http://www.youtube.com/watch?v=h-4yHUo4BkA

***

Pra escutar:

http://www.myspace.com/monno

Pra ver:

http://www.fotolog.com/monno

Pra baixar:

http://tramavirtual.uol.com.br/monno

Joaseiro.com

Veja os outros textos dessa série:

PARTE 1: http://joaseiro.com/2008/08/22/musica-mineira/

PARTE 2: http://joaseiro.com/2009/02/06/parte-ii-a-nova-cara-da-musica-mineira/





Nossos números

1 07 2009

     No mês que ontem se encerrou, batemos o recorde de acessos no Joaseiro.com: foram 13.371 acessos (cerca de 3000 a mais que em outubro de 2008, nossa maior ‘audiência’ até então). Se naquele mês as discussões acerca das eleições municipais eram as postagens mais procuradas pelos nossos leitores, agora são os textos relativos à programação das diversas festas da região as mais visadas. A nossa abordagem crítica sobre as festas foi vista, em média, por 445 leitores ao dia.

     Agradecemos o prestígio de poder contar com vocês como nossos leitores e esperamos continuar a ser, de alguma forma, úteis. Grande abraço!

Joaseiro.com





Shows gratuitos: “Férias no Ceará”

1 07 2009

     O Governo do Estado repete o que tem feito nas últimas férias e traz gratuitamente shows com atrações de nível nacional para várias cidades do estado. No Cariri, serão três shows:

02/07 Jota Quest - Barbalha
12/07 Paralamas / Titãs - Juazeiro
23/07 Charlie Brown Jr. - Crato

     A lamentar, somente as ausências de Maria Rita, O Rappa e Artur Moreira Lima, que estarão em Fortaleza e em outras cidades, mas não na região do Cariri. Torçamos pra que essas atrações venham pra cá no fim do ano.

     Atenção: os shows começam cedo, às 20h.

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Começou, mas não começou… e começou mal

29 06 2009

     As inscrições do Consurso Público da Prefeitura de Juazeiro do Norte deveriam ter início hoje, dia 29/06. Porém, até o presente momento (17h, portanto fim do horário comercial), o site www.cev.urca.br ainda não disponibilizou o link para realização de inscrições. Ao contrário, agora há pouco foi divulgado um documento assinado pelo Prefeito e pelo Secretário de Administração contendo 5 páginas de retificações. Eram muitos dados errados no edital: há conteúdos programáticos de avaliação incluídos, outros excluídos; matérias inteiras foram incluídas ou excluídas; o salário de psicólogo estava errado e foi corrigido; regras pra admissão na segunda fase do concurso foram modificadas; valores atribuídos a determinados títulos foram mudados; atribuições de cargos foram acrescentadas; erros de digitação foram corrigidos.

     É muito erro pra um edital só. É muito erro pra um concurso dessa magnitude, pra uma cidade dessa magnitude. Deveriam ter tido mais zelo e revisado exaustivamente a redação do edital antes de divulgá-lo, a fim de não causar confusão para os candidatos. Só nos resta lamentar e dizer aos candidatos que fiquem atentos às modificações das regras, fazendo o download do arquivo de retificação do edital no site: www.cev.urca.br

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Poema da semana

28 06 2009

A consolação da Filosofia – Homenagem a Boécio

Por Franzé Matos

 

No ambiente que me permeia

Sinto no âmago da extensão cutânea

A umidade putrefata dos caminhos que cerceiam

O meu livre caminhar

Que pela falta de liberdade permanecem sozinhos

Encharcados de água no ar

Que de tão úmidos parecem o mar

Mar de lama! E só me resta a cama

E a caneta filosófica usar

Para me afastar dos meus tormentos

Que por uma pena obtusa pagar

Eu deixe de alimentar sentimentos tão vis

Que demovem a noção do ser racional que sou

quE se me deixo vagar

Pelo lado puramente isntintitvo do meu ser

Sinto extremo prazer em concretizar o que pede minha mente

Sofismas e atos doentes

Que me deixam descrente

Da importância do continuar.

Mas pela filosofia

Despejo em tintas minha agonia

E mancho o papel em busca da consolação

Que traz a perfeição de saber que Deus é o próprio bem

E que quem leva uma vida justa e virtuosa

Tem cadeira certa no mundo dos intelectíveis

Pois superar este corpo, que é caverna

É entender a contradição da matéria

E saber que essa mesma contradição

É condição para a verdade

E no caminho do saber sigo pelos anos.

E as prisões materiais que me prendem

Fizeram florescer vivaz energia

Transformando a agonia na força que impulsiona

O livre voar do meu pensamento

Que descobriu a verdade

E que em meu corpo já não habita

E sou princípio de tudo que exista

O puro ato de criar

Sou o próprio nada em movimento.

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Uma nova visão para a humanidade

28 06 2009
Recife, 26 de junho de 2009
“Para o homem que possui o conhecimento, não existe dever… E, para dizer ainda como conclusão o que dizia ao começar: o homem prefere ainda querer o nada antes que nada querer.”
(Nietzsche)

Buscando, de forma lúdica e brusca, uma nova visão para a humanidade

Por Guilherme Patriota

     No mundo da banalidade, MJ apenas sobrevivia. Ele tornara-se, desde criança, o maior pensador de seu tempo, e havia vendido cem milhões de cópias de seus livros quando adulto. Sua personalidade absurda era destaque em tudo, pois conseguia refletir para si os fatos, as vivências e as preponderações de seu tempo sem se perder na história da humanidade. MJ havia se isolado desde os vinte e cinco anos de idade, pois sua forma de pensar já não era o mais importante, dado que a mídia, como que buscando copiar suas formas de agir para gerar outros seres iguais, procurava descrever cada ato de sua vida conturbada, invadindo os limites de convivência particular e atirando as facetas humanas de um, aparente, não humano nas capas de todas as revistas, jornais, blogs e programas televisivos de todo o mundo, no cativar de uma ganância exploratória de geração capital a procura do inevitável banal. MJ, em todos os seus escritos, afirmava que a coletividade individualizada e sadiamente natural tornar-se-ia o fator de modificação de sua sociedade, porém no seu convívio isto se tornara impotente, pois seu isolamento, por sua genialidade banalizada, fazia dele um ser apenas individual, isolado, caricaturado como o deus que pensa e que deve ser seguido. MJ tentava, em vão, se aproximar dos outros, mas sempre era idolatrado, tratado de forma diferente, como algo inalcançável, deverasmente afastado da coletividade humana. Ele resolveu partir sem rumo, porém sua fama avançara por todo o globo e não tinha mais como se isolar em um pequeno grupo de respeito mútuo.  MJ parara de escrever, sua busca limitava-se ao encontrar alguma comunidade que o distinguisse por inteiro, como pares que não considerassem seus escritos e teorias como algo fora do normal, para que pudesse trazer seu estado humano de volta ao seu corpo, a sua mente. Quatro anos “perdidos”, e MJ encontrou relato de um grupo cambojano, na internet, na mídia que tanto o incomodava, que praticava um tipo de liberdade limitada que postava a igualdade absoluta dos semelhantes em detrimento de sua própria existência, de seu corpo, não passando a forma de pensar como absoluta, mas sim a carne, a naturalidade da vida animalesca como o principio de paridade. MJ não acreditava friamente neste sentido, no entanto via neste intuito uma forma de compartilhar suas buscas, de poder atingir um novo principio que há tempos era-lhe negado: ser novamente humano. MJ partiu, cego, surdo e mudo, para o Camboja. Sua nova revolução era uma busca que não poderia ser apenas a mesma, aquela que o conduzira para um patamar de gênio, de superior, de o fora de contexto, ele desejava retornar, retroceder, se fosse o caso, a um estágio de visão colonialista primitiva. MJ queria ser doutrinado, queria ser um mártir de sua espécie, com o simples intuito de ajudar a todos os seus irmãos no sentido de não ser alguém que ele havia se tornado. Em quatro anos de doutrina cambojana e de desaparecimento total, MJ resolveu reaparecer com um novo livro, que duas semanas depois era chamado de a nova bíblia, mesmo sem ter sido lançado ou lido. MJ, se utilizando de sua posição de ídolo, decidiu que seu livro seria publicado por uma editora cambojana, da comunidade a qual agora fazia parte, e que teria uma edição absolutamente limitada ao número de lideres mundiais que faziam parte do conselho de segurança da ONU, e que seu lançamento deveria ser feito, única e exclusivamente, no quando da próxima reunião de tal conselho. Obviamente, apoiado por um consenso mundial, nenhum empecilho foi lhe criado, pois, apesar do desaparecimento, MJ era o grande pensador, o grande conselheiro dos conselheiros, o que havia gerado um sentido de comunhão entre os homens em seus escritos. MJ editou 16 livros, um para cada um dos cinco membros permanentes do conselho, representados pelos seus presidentes (USA, França, Reino Unido, Rússia e China), um para cada um dos dez membros rotativos do mesmo, também representados pelos governantes dos países em representação, e um para ele mesmo, que fazia questão de realizar a primeira leitura. O livro era daqueles que ficavam de pé, na vertical, e aparentava possuir o conhecimento dos conhecimentos, dada a personalidade histórica e única de MJ. No dia do lançamento, MJ fez questão de convidar, pessoalmente, os maiores membros da imprensa mundial, que deveriam ser representados não por seus jornalistas, mas pelos próprios proprietários dos veículos que, acreditando ser um grande privilégio, compareceram em massa, sem faltas, mesmo sabendo que não teriam o direito ao livro tão desejado. Reunidas cinqüenta e cinco pessoas, entre lideres mundiais e “donos do que se vê no mundo”, na sede da ONU, MJ Chegou e distribuiu os livros, afirmando que nenhum deveria ser aberto antes que o mesmo autorizasse e que todos deveriam seguir seus procedimentos se não quisessem gerar uma grande catástrofe. Os líderes, atentos aos dizeres de seu “adestrador/pensador”, seguiram os passos necessários, e MJ pediu-lhes que observassem apenas a capa e que depois, sutilmente, abrissem a primeira página sem ultrapassá-la de forma alguma. Na capa nada existia, apenas o branco, que, para os mais atentos e orientais/orientados, significava o luto da humanidade exposta em sua alma de pensador.  No prefácio, única e primeira página escrita, MJ afirmava que para concretizar sua humanidade todos os homens, inclusive ele, deveriam descobrir o grande segredo, que só poderia ser revelado pela própria curiosidade de todos os leitores, e que este segredo mudaria, ao menos em principio, todas as suas vidas pessoais e, quem sabe, posteriormente, a vida de todo o mundo. Ainda, ele afirmava que esta mudança era de escolha, e para realizar esta escolha todos deveriam mudar de página, mudança esta, que como nos grandes livros, que são optativos na relação de ler ou não ler a próxima página, deveriam ter direção própria.  Como em uma decisão do conselho de segurança, MJ sugeriu uma votação que promovesse a unanimidade ou não daquela abertura, reafirmando que a leitura da próxima página poderia mudar, realmente, a vida de todos, promovendo a grande mudança de suas humanidades. Intrigados pelo sentido de conhecer e deter o grande segredo da humanidade, os cinco membros permanentes, seguidos por todos os outros ali presentes, resolveram, sem votos contra, abrir a próxima página que revelaria o grande segredo filosófico humano. Decidida a questão, MJ pediu concentração para o adentrar da nova realidade e sugeriu que todos fizessem um contagem regressiva do dez ao zero, como nos lançamentos de foguetes da NASA, abrindo, simultaneamente, a segunda página, todos aos mesmo tempo. Ao chegar ao zero, ouviu-se uma grande explosão. A página dois do livro branco do luto de MJ era um dispositivo de bomba que vitimou todos os grandes líderes mundiais na busca de uma nova trajetória de vida para a humanidade. MJ deixou escrito no Camboja, e para ser distribuído por todos os espaços possíveis, reproduzindo, e não criando, a frase de seu grande ídolo igual Nietzsche: “o homem prefere ainda querer o nada antes que nada querer.” Ludibriados por aquele pensamento, os grandes lideres mundiais, dez horas depois, já acordados, perceberam que a segunda página do livro não passava de uma magia cambojana de encantamento, acompanhada de uma caixa de música que induzia os observadores a ter tal pensamento bombástico, seguido pelo sentimento de visão do céu, no qual absorviam a frase do filólogo europeu sendo distribuída por toda a terra. Depois do susto, todos viram MJ deitado ao chão, vestindo uma camisa, ele sim morto, com os dizeres nela escrito: “espero que meu fantástico martírio artístico sirva de visão para uma nova humanidade.”

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Vai um café?

25 06 2009

Funcionária de Sarney mora em prédio restrito a senador

Nomeada por ato secreto, uma funcionária do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), mora há quatro anos num imóvel localizado no térreo de um dos prédios exclusivos para senadores. Valéria Freire dos Santos é viúva de um ex-motorista de Sarney e desde que mudou para o local ganhou um emprego no Senado.

O primeiro emprego de Valéria no Senado foi na direção geral. Em novembro do ano passado, ela foi transferida para o gabinete pessoal de Sarney por um ato que só veio a ser divulgado em abril deste ano. Para servir café em expediente de meio período, recebe salário de R$ 2.313,30 por mês.

Com a anuência de Sarney, Valéria foi autorizada a morar no apartamento por um prazo de 90 dias, a partir de janeiro de 2005. Mas está lá até hoje.

O imóvel é uma espécie de zeladoria que fica no térreo do prédio onde estão os apartamentos funcionais destinados aos senadores. Tem um quarto, sala, cozinha e banheiro e deveria ser destinado ao descanso dos seguranças. O prédio fica em área nobre de Brasília.

***

Para ler toda a reportagem, clique AQUI.

Fonte: Correio Braziliense

P.S: Alguém já lhes disse que nós do Joaseiro fazemos um ótimo café? Por este salário, ainda torraríamos uns pães. Na chapa.





Um comentário que merece ser lido

25 06 2009

     Realmente dá gosto editar o Joaseiro.com. Mesmo quando o tempo nos falta e passamos alguns dias sem postar, eis que os comentaristas continuam as discussões, enriquecendo o conteúdo do blog e nos incentivando a continuarmos o trabalho. É muito bom ter esse retorno de vocês, leitores. Atualmente, uma boa discussão sobre cultura de massa e arte vem se travando no post “Programação da Expocrato 2009″, algo que vale a pena ser lido, pela qualidade dos questionamentos e argumentações expostas. Outro comentário fantástico que nos chamou a atenção foi o do [colunista] Franzé Matos, acerca do conto de Guilherme Patriota postado logo mais abaixo. Franzé sintetizou em poucas linhas grandes reflexões sobre a individualidade humana, os valores nos dias de hoje e banalização de vários aspectos da vida do homem moderno. Reflexões assim merecem ser lidas por todos e, por isso mesmo, reproduzimos o comentário aqui na página principal.

     Aproveitamos a oportunidade em que falamos diretamente aos leitores para agradecer ao Sr. José Gondim, nosso leitor de Fortaleza que nos enviou email elogioso. A ele, nosso forte abraço. E também agradecemos a Luciano Sá, Assessor de Imprensa do Centro Cultural do Banco do Nordeste, que ‘descobriu’ nosso site e agora manda diretamente para o nosso email a programação dos eventos do CCBN. Comprometemo-nos em continuar a divulgar a valorosa a agenda do CCBN, especialmente a do Cariri.

Joaseiro.com

     “O sentimento de angústia no mundo de I é também o meu. Não entendo porque uma pessoa se torna “massa”. Uma pessoa é todo um mundo, mas agimos hoje de maneiras tão semelhantes que tornamo-nos “massa”. 6 bilhões e não mais existem vanguardas? Artistas espetaculares? Grande filósofos? Que contradição é essa?

    Acredito justamente no oposto: há muito mais arte, muito mais literatura, muito mais diversidade que em qualquer época. Mas pela quantidade de novo que a todo segundo surge, torna-se tudo banal demais? E por quê?

     Quantificamos, categorizamos, distinguimos, criamos padrões. É verdade, facilita mais a vida e a ”mudança que cada ser pode dar para seu habitat”, mas aonde isto está nos levando? Literatura é banal, filosofia banal, arte é banal, saber a cada segundo o que ocorre em todo o mundo é banal, destruir a natureza de todo o planeta é banal, quase duas dezenas de países com bomba atômica é banal, a morte é banal, árvore banal, animal banal, tudo banal? Para que viver assim? Se banal tournou-se a vida? Que grande caminho para onde fomos levados.

     O novo é a constância, não mais a ruptura. O “sistema” de hoje vive e se mantém da produção e consumo deste novo. E ele é, antes de virar ruptura, trazido para o seio do sistema como produto que o próprio sistema possibilitou. Nosso pensamento vive sobre uma única lógica. É preciso reverter a própria lógica. Pois a lógica influencia todos nossos pensamentos e ações. E mudarmos os pensamentos e ações e não refundarmos a lógica de onde eles surgem, de que adianta? É muito maior e mais complexo. Vivemos no mundo que é um grão de areia e esquecemos de todo o resto. Em nosso entorno há quatrilhões e quatrilhões de quilômetros pelo universo. Olhando para a mesa a sua frente ela fervilha num movimento incessável e achamos que ela está parada.

    Radicalidade realmente. Precisamos de um grande gole, urgente.”

 Franzé Matos





Conto da Semana

21 06 2009

Recife, 19 de junho de 2009.

“A história de toda a sociedade que existiu até agora é a história da  luta de classes”

(Marx & Engels)

Sua Própria classe o Absorverá

Por Guilherme Patriota

     Por vezes, nos sentimos tão sós que deixamos de acreditar que qualquer coisa venha a acontecer de forma real fora de nosso próprio organismo. I era um filósofo, um cara que realmente se preocupava com interrogar os sentidos de sua vida e do universo, sem necessariamente ter que se aconselhar com Sócrates ou Platão, inclusive se portando sempre no movimento contrário, acreditando friamente na nunca e não existência orgânica destes indivíduos. I trabalhava numa repartição pública, mas chegava cotidianamente a sua casa, no pós labor, com a mesma questão na cabeça: “para quê serve o trabalho?” Sua resposta quase sempre apontava para a contribuição de mudança que cada ser pode dar para seu habitat, mas a vagarosa porção encantadora de sua lida diária destruía sua ilusão e retornava ao mesmo questionamento. I sonhava em ser filósofo mesmo, no entanto sua carteirinha do sindicato dos filósofos nacionais não podia ser retirada, pois precisava do diploma e, ainda pior, precisava participar da sociedade como um bom trabalhador que merecesse a justa recompensa do dinheiro para se solidarizar com sua mulher e filhos no sustentar do lar contemporâneo. A vida de I era uma luta de classes celulares, que buscavam se encaixar dentro de seus pensamentos e dentro das logísticas humanas de sobrevivência que teimam por colocar homem frente a homem em embates ideológicos que remetem, erroneamente, as suas próprias formas de vida. I se batia e se debatia com o próprio I, com suas próprias fantasias, que só eram utópicas por um medo filosófico de estar só, mas que o conduzia a mais profunda das solidões: a solidão interna. Depois de trinta e quatro anos de serviço público, já com seus filhos formados na filosofia advinda das academias e com seus devidos e justos sentidos financeiros resolvidos, I resolveu abandonar o trabalho sem dar satisfação alguma ao Estado, partindo para a grande empreitada de sua vida: não fazer nada que exercitasse seus músculos, guardando toda sua energia para delinear um método de vivência que conduzisse seu organismo a uma reação inumana que desencadeasse uma interrogação constante na mente daqueles que o observassem. I ficou dentro de casa por 380 dias, e a pressão do mundo batia a sua porta todas as horas. Eram contas, amigos, o estado, a polícia, os vizinhos, e I só conseguia fazer o mesmo questionamento: “Para quê serve o trabalho?” Incomodado pelo incômodo de todos que visitavam seu refúgio para lhe pedir satisfação quanto as suas relações sociais, I resolveu partir sem rumo, partir para um lugar que não fosse lugar e que não fosse fixo, mantendo-o, assim, sempre estranho por onde passasse. Para satisfazer a vontade de seu futuro, I resolveu criar uma caixa postal, que iria ser aberta quando de seu falecimento, para que pudesse enviar textos diários relatando o que ele tinha escrito em cada um daqueles dias que sobraram de seu viver, que seriam lidos como a experiência de um filósofo em busca. Em sete anos de peregrinação, I percorreu todos os continentes, visitando indústrias, sindicatos, ruas, praças, passeatas, comícios, florestas, rios, mares, bares, escolas e tudo mais, sempre anônimo e sempre tentando encontrar respostas para possíveis perguntas que pudessem habitar em sua memória, de acordo com a sensibilidade depositada nas variáveis circunstâncias percorridas. I foi encontrado por seus filhos, pela manhã, na porta de casa, deitado, vestido com a mesma roupa com que tinha saída há sete anos, com as duas mãos sobre o peito, numa delas a chave da caixa postal e na outra uma folha de papel rabiscada. I faleceu com um enorme sorriso, fazendo com que seus filhos não sofressem e compreendessem que sua busca havia terminado/reiniciado. Abriram o papel que estava em sua mão e viram que seu pai deixava, por escrito, os meios legais para que os filhos tivessem acesso à caixa postal que estava situada no correio local. No mesmo instante, antes mesmo de cremar o corpo do pai, os jovens se encaminharam para o correio e retiram todas as cartas. Das duas mil quinhentas e cinqüenta e seis cartas encontradas naquele local, duas mil quinhentas e cinqüenta e cinco registravam o mesmo texto: “Para quê serve o trabalho?” No entanto, na última carta, I expunha o seguinte texto: “O homem percorre toda a sua vida acreditando estar buscando algo que é seu, e por vezes percebe que sua grande busca foi cega, todavia não deve parar de buscar. Desde que me vi como homem, como parte deste grande ser que nos absorve, tornei-me uma criatura intrigada com um único questionamento: Para quê serve o trabalho? Mas não achei resposta; encontrei respostas volúveis ao meu perceber, ao meu raciocinar. Mesmo assim mantive minha busca, que não gerou nenhum tipo de arrependimento. Quanto ao trabalho, relaxa! Sua própria classe o absorverá.”

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Poema da Semana

21 06 2009

Por Franzé Matos

Na relação com o outro

Tome cuidado, mas mantenha a tensão

As marcas de um diálogo

Ficam incrustadas nas palavras ditas

 

Fales sempre de forma valente

Buscando na mente a idéia esguia

Que transformam o latente em via a se pensar

 

Tome cuidado com o que desejas

Nesta peleja pelo que buscas

Podes encontrar a guerra

E na esfera deste embate

Podes sentir saudade da paz que não querias

 

Falar com outro

Já é um confronto

Em que sentidos se chocam

Desde o abraço que anuncia

A aproximação de dois mundos

Onde as diferenças alheias

São incontáveis como grãos de areia

Que na natureza ainda podes contar.

 

Buscamos conversar

Para encontrar e conhecer nossas verdades no

Pois sabes bem, como é difícil caminhar sozinho

A relação com o outro é imprevisível

Um encontro com o invisível

Um universo de diferença

Que nos faz evoluir como humano

Reconhecendo o engano

Na impossibilidade de se reconhecer sozinho.

Joaseiro.com





Texto do Leitor

20 06 2009

     Recebemos hoje pela manhã email do leitor Cícero Batista, enviado também a vários outros meios de comunicação, como jornais escritos e outros blogs. Portanto, é possível que vocês vejam o texto do leitor Cícero também em outros lugares. A correção que fazemos ao texto dele é que o “Bar da Boa” não é propriamente novo, já existe há algum tempo aqui em Juazeiro.

     Ressaltamos que estamos à disposição dos leitores para publicação dos seus textos que sigam a tônica do Joaseiro.com e o nosso limite de espaço. Os textos devem ser enviados pelo email joaseiro@yahoo.com.br

 

Juazeiro do Norte, 19 de junho de 2009

Flagrante e caso de desrespeito em Juazeiro do Norte

Por Cícero Batista

     Flagrante e caso de desrespeito aos princípios da legislação é a utilização da alcunha “educativa”. A cidade de Juazeiro do Norte possui uma emissora com outorga educativa. Muito embora o conceito de outorga educativa estabelecido pela legislação brasileira afirme que a programação admitida para estas emissoras terá exclusivamente finalidades educativo-culturais, sua definição é vaga, dando margem a diferentes interpretações.

     Entretanto, mesmo que ampla e imprecisa, tal definição afasta, de imediato, a possibilidade de ser classificada como tv educativa. É o caso da TV Verde Vale de Juazeiro do Norte, com programação comercial e transparente intenção de arrecadar fundos. Além de possuir uma programação semelhante às tradicionais emissora comerciais do estado, a emissora tem por prática veicular anúncios publicitários. Segundo o departamento comercial da emissora, somente são vetados anúncios de cigarros e bebidas alcoólicas. O Ministério das Comunicações determina que tais rádios não têm caráter comercial, sendo vedada a veiculação remunerada de anúncios e outras práticas que configurem comercialização de intervalos, podendo somente veicular anúncios que se enquadrem no conceito de apoio cultural.

     Também flagrante é o caso do Programa Multimídia, apresentado pelo repórter Marcelo Fraga, que na noite desta sexta-feira, dia 19 de junho de 2009, exibiu durante intervalo comercial, anúncio de um novo bar que hora se instala na cidade de Juazeiro do Norte. Trata-se do “Bar da Boa”, fazendo alusão a cerveja Antartica. Até a marca da Antartica é mostrada.

     Não julgo errado o fato da emissora comercializar os seus intervalos, até porque justifica o alto custo para produção da sua grade de programação. Mas sejamos francos, não podemos admitir que uma emissora educativa possa fazer alusão ao álcool, musicas com conteúdo pornográfico entre outros.

     Sabemos que 70% da grade de programação é arrendada a terceiros, mas cabe a direção de programação da emissora filtrar todo o conteúdo a ser exibido. O que parece não está acontecendo.

     O Cariri precisa da TV Verde Vale, mais a emissora precisa zelar a sua programação.