A tradicional festa de Santo Antônio em Barbalha, mormente sua atração principal, o carregamento do pau da bandeira, vem se envolvendo em uma polêmica nos últimos anos. Os órgãos de defesa do meio-ambiente alegam que a derrubada anual de uma árvore estaria causando um grande prejuízo à natureza. Inicialmente, chegou-se a pedir que o mesmo mastro fosse utilizado todos os anos e que se acabasse com o corte das árvores, que se situam numa área de proteção ambiental (APA da Floresta do Araripe).
Do outro lado, os organizadores da festa alegam que o corte do pau e seu carregamento constitui uma tradição de mais de 200 anos, e que deve continuar a acontencer. Ele ocorre cerca de uma semana antes do chamado “Dia do Pau”, que abre a Festa de Santo Antônio. No entanto, ultimamente a própria cerimônia do corte (realizada em uma dia de domingo) transformou-se em outro dia de festa tradicional. Muita gente comparece nesse dia e adentra à floresta, faz-se festa, tomam-se bebidas alcóolicas, etc.
Agora, uma promotora de justiça, a prefeitura de Barbalha e o Instituto Chico Mendes elaboraram Termo de Conduta, no qual há um comprometimento de que o corte será realizado próximo dia 21, um dia útil, o que esvaziará o caráter festivo que o momento vinha tendo. Além disso, uma equipe da APA-Araripe acompanhará a derrubada, que deverá contar com um número mínimo de pessoas. Espera-se, com essas medidas, que os danos causados sejam ao menos parcialmente reduzidos.
Vale ressaltar que em Barbalha, assim como nos municípios vizinhos da região do Cariri, a Festa de Santo Antônio, embora seja a mais famosa (conhecida nacionalmente), não é a única a contar com uma cerimônia de hasteamento de um pau da bandeira. Praticamente todas as comunidades, sítios e distritos realizam festividade semelhante quando da comemoração dos seus respectivos padroeiros e se utilizam do mesmo expediente, sacrificando todos os anos uma árvore (geralmente o angico).
Joaseiro.com
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