Crato. Iniciados os preparativos para a 57ª Exposição Agropecuária do Crato (Expocrato) que será realizada de 13 a 20 de julho. Cerca de 300 operários estão trabalhando dentro do parque na construção e montagem de barracas, estandes, pavilhões e espaços para novos restaurantes e pizzarias. No entanto, na prévia da exposição uma polêmica se inicia: artistas locais denunciam que a organização do evento está privilegiando bandas nacionais, em detrimento dos grupos regionais que, tradicionalmente, integram também a programação no palco principal do evento.
Os artistas regionais estão assinando um documento que será enviado ao governador do Estado, Cid Gomes, e ao Grupo Gestor da Expocrato, solicitando espaço no palco principal e criticando a “valorização da industrial cultural que alimenta a farra da violência”.
O Coletivo Camaradas, grupo de artistas e poetas, se reuniu, ontem, na Câmara Municipal, com o objetivo de elaborar um documento que, segundo Alexandre Lucas, coordenador do grupo, será assinado por artistas regionais, criticando o critério de contratação de artistas por parte do poder público para eventos regionais.
O documento denuncia que o poder público “vem tratando a questão com descaso e incompetência, privilegiando grupos econômicos e interesses alheios à população”. O poder público, de acordo com o grupo, “vem financiando a farra da violência produzida pela indústria cultural, contribuindo para o processo de desumanização e alienação do povo”.
Os artistas dizem ainda que para o grande público só resta uma opção: músicas que fazem apologia à vulgarização sexual, ao machismo, à homofobia, à bestialidade, à violência e às drogas. Ao fazer esta crítica, o grupo de artistas regionais exige espaço no palco principal da Exposição Agropecuária.
Alexandre Lucas esclarece, entretanto, que a crítica não é direcionada exclusivamente à Expocrato. A reclamação é contra todos os eventos patrocinados pelo poder público, entre os quais, a Festa de Santo Antônio de Barbalha e o Juaforró, de Juazeiro do Norte.
O músico Luciano Brayner, integrante do grupo Zambeiros do Cariri, critica o que ela chama de política cultural para a região. Para Luciano, não existe uma articulação regional. O trabalho é feito isoladamente pelos próprios artistas. “Não existem sequer Conselhos Municipais de Cultura”, lamenta.
A empresa Luan Promoções e Eventos Ltda foi contratada para responder pelos shows na Expocrato. Entre as atrações estão a banda Asas de Águia e Zezé de Camargo e Luciano. O investimento, de acordo com o representante desta empresa, Ricardo Quental, fica em torno de R$ 1,7 milhão. Somente com o cachê dos artistas e bandas serão gastos R$ 800 mil.
O palco principal, a ser armado pela Luan, será localizado na parte baixa do parque. Será cercada com madeirite. Naquele espaço, se apresentarão as principais bandas e artistas contratados. Este ano, a organização abriu espaço para cinco bandas regionais que farão apresentações antes do show principal.
“Estamos contratando atrações que trazem público. Quem tem obrigação de abrir espaço para grupos musicais alternativos é o poder público”, diz Ricardo Quental, acrescentando que está pagando R$ 250 mil pelo espaço. Quental esclarece que sua atividade é exclusivamente empresarial.
A parte de cima é destinada a pavilhões de animais, estandes comerciais e industriais, restaurantes e apresentações de artistas regionais, grupos folclóricos e bandas. O presidente do Grupo Gestor da Expocrato, Francisco Leitão de Moura, disse que vai disponibilizar R$ 10 mil para os grupos folclóricos que deverão se apresentar todas as noites dentro do parque.
Movimentação
Francisco Leitão de Moura estima que o evento vai movimentar recursos em torno de R$ 50 milhões. “No ano passado, foram contabilizados R$ 34 milhões”, lembra Leitão, acrescentando que a Expocrato vem crescendo de um ano para o outro.
Este ano, além da exposição agropecuária, haverá uma Exposição Pan-Americana de Cães. Está confirmada também a cobertura do Canal do Boi, com a realização de leilões. A estimativa, segundo Leitão, é a inscrição de mais de cinco mil animais e um público de 50 mil pessoas por dia.
Enquete
O que você acha da organização do evento?
Ricardo Quental
Representante da Luan Promoções
‘Contratamos atrações que trazem público. A obrigação de abrir espaço pra grupos alternativos é do poder público.’
Luciano Brayner
Integrante do Zabumbeiros
‘O trabalho é feito isoladamente pelos próprios artistas. Não existem sequer Conselhos Municipais de Cultura.’
Alexandre Lucas
Coordenador do Camaradas
‘A reclamação é contra os eventos patrocinados pelo poder público, como a festa de Santo Antônio e o Juaforró.’
Antônio Vicelmo
Repórter
Fonte: Diário do Nordeste
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