Juazeiro do Norte. É evidente o flagrante de insegurança no trânsito nos municípios do Interior do Estado. Criança guiando trator na rodovia, uma família inteira numa moto, sendo apenas o motociclista com capacete, cavalos montados por jovem no meio de motos, carrocerias lotadas por pessoas e carga, falta do uso de capacetes e muito mais são casos freqüentes nos municípios. A fiscalização não acompanha a crescente desobediência no trânsito. Na grande maioria das cidades cearenses, o trânsito ainda não está municipalizado.
Conforme dados do Departamento Estadual de Trânsito do Estado (Detran), dos 184 municípios apenas 46 conseguiram ter os seus órgãos executivos municipais de trânsito. Os municípios de maior porte do Estado a exemplo de Sobral, Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha, já têm seus departamentos, mas a maioria têm enfrentado problemas relacionados ao disciplinamento dentro dos municípios. Mas, o próprio Detran, conforme avaliação do assessor de comunicação do órgão, Paulo Ernesto Serpa, vê de forma positiva os trabalhos que têm sido feito por meio dos órgãos executivos nos municipios do Interior.
Em Juazeiro do Norte, conforme o diretor do Demutran, Hamilton Macedo, há quase dez anos de implantação do órgão, há problemas que vêm sendo enfrentados e que muitas vezes dependem de uma determinação superior para serem solucionados. Ele cita o caso do transporte alternativo. Nos últimos anos têm aumentado o número desse tipo de condução, não apenas no município, mas em todo o Interior. A falta de regularização da categoria acaba inviabilizando o trabalho de fiscalização, já que há alguns cadastrados em cooperativas e associações e outros não. Segundo ele, são quase 1.300 cadastrados, mas somente 400 estão regularizados. Pelo menos mil realizam o transporte clandestinamente.
Saúde pública
Com uma frota 19.726 veículos em circulação, o Crato enfrenta os mesmos problemas da maioria das cidades do Interior: falta de estacionamento, desobediência às leis do trânsito e os conseqüentes acidentes. “Hoje, o trânsito é uma questão de saúde pública”, diz o chefe de gabinete do Departamento Municipal de Trânsito (Demutran), Daniel Alencar Abagaro, explicando que o alto índice de acidentes é a principal preocupação dos agentes de trânsito.
“A prevenção de mortes e seqüelas provocadas por acidentes nas ruas e estradas passou a fazer parte das preocupações das autoridades que vêm buscando formas de contribuir para a redução da violência no trânsito, promovendo campanhas educativas e ministrando aulas nas escolas”.
O maior problema, segundo Abagaro, é a falta do uso do capacete. Outra dificuldade enfrentada é a poluição sonora. O proprietário compra uma moto nova e substitui o escapamento de fábrica por um tipo Kadron, que produz um barulho maior. Abagaro diz que o Crato é a única cidade do Cariri a possuir um decibelímetro, equipamento utilizado para realizar medição de níveis de ruído.
Fonte: Diário do Nordeste
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