Joana Soldado, Bernard Shaw.

12 08 2008

Continuação da série Bernard Shaw em Santa Joana em 4 partes. Com vocês, Joana Soldado:

JOANA SOLDADO

Por Andreína Vieira

A primeira cena já mostra a aldeã Joana em terras de Roberto Baudricourt decidida a conversar com o capitão e pedir-lhe soldados para acompanhá-la até o Delfim, pretende levar-lhe o anúncio de suas vozes: deverá bater Orléans, nomear Carlos rei da França, pôr fim a Guerra dos Cem Anos, expulsar os ingleses de zonas onde predominam pessoas de língua francesa. Surreais intenções quando expostas a um homem menos interessado nas questões estadistas e mais apto no cálculo de suas riquezas, algumas acumuladas através de atos corruptos nas guerras. As personagens conhecidas pela protagonista neste momento primordial são pontes ou presságios das que virão a contracenar até a hora de sua morte.

Conseguindo o necessário à viagem, segue rumo ao Delfim. É o desenrolar da segunda cena, estratégica, pois, comporta personas-chave na peça. Carlos, o Delfim, conhecerá a mulher mais importante de sua vida política, todavia seu caráter mesquinho, demasiado medroso, oportunista, pouco afeito a grandes especulações e estratagemas, jamais terá o dom de reconhecer na figura de Joana sua fiel escudeira, nunca poderá imaginá-la sem concebê-la louca ou incômoda. Compartilham tamanho temor e ignorância sobre o espírito joanino o Barba-Azul e La Hire, nobres diferentes do delfim apenas pela coragem expressa num universo militarista, mas muito mais dedicados aos seus feudos e fortunas que a um conceito ainda por se construir de pátria.

Espectros da política medieval, comportam-se consonantes a teia social da época. Emaranhado não compreendido pela jovem, ela sequer ouvia de suas santas o quanto a esfera na qual intencionava penetrar era orquestra regida por homens, subdividida em susseranos e vassalos, sob uma ideologia musicada pelos membros eclesiásticos.

A Igreja já se faz presente neste ato, demonstra sua posição no jogo através do Arcebispo. O Deus dela é teórico, habita prédios (mosteiros, catedrais, capelas), tem existência proclamada em palavras impressas num livro, possui intermediários estudiosos, formados e polidos. Este deus escapa ao pragmatismo popular, origens da jovem camponesa, não habita a alma do iletrado, e pouco se faz vivo na casa do pobre trabalhador.

Por que confiam a uma mulher vestida de trajes masculinos um exército e uma luta, perante todas estas circunstâncias? Por que não a classificaram de imediato como feiticeira ou sublevada, não a surraram ou mal trataram sob pena de não cair mais em tamanhos incidentes? O ser humano independente de suas formações tem crenças, os nobres e cátedras franceses encontraram naquela moça a concretude da esperança e coragem apenas imagética. Nada tinham a perder caso Joana errasse, tentariam seguir o conselho de suas vozes, pois apesar de sobrenaturais carregavam o racionalismo ainda não ousado pelos militares envolvidos no conflito. Seria uma coroa, terras, poder, enfim desejos de superioridade despertado em seres já cansados e desesperançosos diante os resultados fatídicos.

Ela não era uma qualquer, tinha impetuosidade, braveza superior a dos homens de seu tempo e lugar. Conquistou a todos pela coragem e decisão, sua força era bruta. Exímia na espada e escudo, Joana obteve vitória em Orléans. Foi seu racional militarismo revestido de vozes o responsável pela nomeação de Carlos, antigo delfim.

A batalha de Orléans trouxe muitos outros legados. Joana obteve reconhecimento, principalmente, pelo povo, era a Donzela. A virgem pura e desbravadora, salvadora dos martírios. Seu sucesso na batalha não foi bem quisto por Dunois, comandante das tropas antes de sua vinda, e personagens acima citados. A fama ocasionada já não era bem quista, Dunois como homem e oficial militar viu-se ofuscado; os nobres apesar do desejo de guerra sentiram-se ameaçados com a presença de uma liderança feminina; o Arcebispo viu os valores da Igreja serem sucumbidos pela jovem. O masculino e institucional suportou em demasia uma mulher em comando, obtiveram os ganhos por ela prometidos, mas não admitiam o ímpeto e vaidade de seu ser. Deveriam-na afastar de bom ou mal grado, a máquina não operaria qualitativamente com o feminino na esfera do poder. Cada um guardava universais temores dissimulados sob particulares mágoas nas ações, palavras, vozes, aspirações da casta Donzela.

Entre a cruz e a espada encontrava-se a protagonista, os franceses seus aliados viram-na ameaçadora, visto a personalidade de liderança, os ingleses seus reais inimigos em combate, não atinavam com medos semelhantes aos comparsas joaninos, visualizam nela algo maior: era Joana perigosa para o modo de produção feudal, estavam, devido sua presença, em risco de desmoronar o regime de susserania e vassalagem, os nobres em muito perderiam e os reis seriam absolutistas no poder político, porque ela assumia, apesar de não conhecer, o nacionalismo nas suas aspirações divinas. É Warwick quem transmite tal pensamento, nobre inglês, decide perseguir a moça defendendo os princípios medievos da nobreza. Apenas ele e Cauchon, bispo encarregado de julgá-la, observam na figura da inocente camponesa características nem imaginadas por ela mesma: nacionalismo e protestantismo. O pessoal não interfere no fato de perseguirem-na, e sim, o geral pautado no risco das estruturas nas quais se apóiam serem violadas gravemente.

Próxima parte: Joana, a Feiticeira.

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A influência dos Bezerra nessas eleições

12 08 2008

     A família Bezerra sempre influiu muito nas eleições em Juazeiro, quase sempre elegendo seus candidatos. A exceção foi o último pleito, quando apoiava Carlos Cruz e o eleito foi Raimundo Macêdo. Não obstante, logo que o resultado foi confirmado, representantes da família sentavam com Raimundão para discutir o apoio na Câmara Municipal, em troca de cargos e privilégios no executivo municipal.

     Os ‘coronéis’ (principalmente Adauto Bezerra) já mandaram mais em Juazeiro (há até os saudosistas desse tempo, que argumentam um maior prestígio do município junto ao Governo Estadual). Hoje em dia ele ainda mantém sua influência, mas nos bastidores, sem subir nos palanques. Adauto parece que tem se preocupado mais em aparecer nas colunas sociais de Fortaleza e no desempenho do seu banco (BIC).

     Nas eleições 2008, Gorete Pereira tentou obter o apoio dos Bezerra. Adauto, embora simpático à deputada, apóia Carlos Cruz. Já Salviano é apoiado pelo deputado Arnon Bezerra, que indicou seu irmão Luiz Ivan para vice. E Manoel Santana tem como vice Roberto Celestino, que é casado com uma irmã de Arnon. Outro irmão de Arnon, Sávio Bezerra, é vereador e candidato à reeleição.

     Ou seja, quem ganhar em 2008, continuará governando com os Bezerra, como tem sido nas últimas décadas…

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