Chuva e ventania causam estragos em Juazeiro

30 09 2008

     Ontem à tarde, em meio ao calor escaldante que assola Juazeiro nos últimos dias, o tempo resolveu mudar um pouco e sobreveio uma ‘pequena’ chuva. Pequena apenas para os moradores dos bairros mais centrais na cidade. Na verdade, ela teve uma maior intensidade principalmente no caminho para Barbalha, onde o vento causou alguns estragos visíveis. A placa luminosa do Senai foi derrubada. Na Faculdade Leão Sampaio (Campus Saúde), além da placa que também foi derrubada, um muro veio a baixo e telhas voaram.

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CQC: Custa Muito Caro

30 09 2008

Por John Heinz

 

     Uma das benesses de se morar com pessoas que não a tríade pai-mãe-irmã(o)(s) é a exposição à diversidade. Nada contra quem mora em família. Ela tem suas dádivas, indiscutivelmente. Mas certas experiências, digamos, dissonantes do ‘usual’, ocorrem com muito mais freqüência fora do ambiente paterno-maternal.

 

     Vivo essa realidade há quase seis anos, e experimentação da diversidade eu tenho provado ultimamente com um dos amigos que comigo dividem apartamento. Ele é fã de um programa semanal, o CQC, ou Custe o Que Custar, exibido às segundas-feiras, pela TV Bandeirantes, com reprise aos sábados. Muitos já devem tê-lo visto, afinal, ele é tratado por muitos como o “Kaká da Tv brasileira”. Mesmo assim farei brevíssima síntese de sua estrutura.

 

     Comecemos pelo Wikipedia: “Custe o Que Custar ou CQC é um programa jornalístico que trata os assuntos com humor e irreverência”.

 

     É, talvez não seja bem isso que eu queria dizer. Primeiro, por que não considero o CQC um programa jornalístico. Se é assim, o Pânico na TV, que também realiza cobertura de festas de “famosidades”, poderia igualmente ser um programa jornalístico. E convenhamos, apesar de me darem boas risadas, Vesgo, Sílvio e Sabrina Sato não são lá a primeira imagem de jornalista que me vem à cabeça.

 

     Erros e “pérolas” da tv nacional também não parecem uma grande atribuição do termo “jornalístico”, já que quem passa as tardes em casa pode acompanhar, diariamente, há pelo menos 25 anos, o quadro Falha nossa do Vídeo Show.

 

     Mas você, caro leitor, que, como o meu colega de jornada aqui na Manguetown, dá boas risadas com os homens de terno preto, pode prontamente citar as denúncias e protestos feitos pelo programa. “Até proibidos de entrar no Congresso Nacional eles já foram!”. E, uma coisa eu tenho de concordar, notícia e jornalismo são duas coisas que têm “tudo a ver”.

 

     É agora que eu começo a falar do “humor” e da “irreverência” do programa de Marcelo Tas. E numa prova de gentileza, nem vou me referir às piadas sem graça feitas durante seus noventa minutos de exibição. O meu grande problema com o tal CQC é que o seu “humor” e “irreverência” em nada diferem do que já é normalmente feito na mídia nacional. Me explico.

 

     Tratar políticos como pessoas do distante mundo da corrupção não é novidade alguma. Há anos Brasília é tratada como um universo paralelo habitado por larápios de toda espécie. E não é só a capital federal: as assembléias legislativas, câmaras de vereadores, palácios de governo, tudo faz parte de um lugar à parte do restante do Brasil. Ridicularizar pessoas públicas também não é coisa que nasceu hoje, nem com o episódio de “Lula e a Cachaça”, nem com a promessa da candidata de esquerda de “pintar a estátua do Padim de vermelho”.

 

     Acontece que programas assim só contribuem para que esse mundo fique mais e mais distante de quem quer que seja. Colaboram para o que Frei Betto chamou em linhas anteriores de “despolitização da política”. Porque, claro, como é que eu, cidadão honesto, pagador de impostos, sofredor da realidade brasileira, posso me envolver nesse negócio sujo da política? Impossível. Deixemos a política pra lá.

 

     Melhor que isso, vamos transformá-la num negócio. Enquanto eu tiver que pagar, você, político, vai ter que me dar alguma coisa em troca. Negócio é negócio. E ficamos nesse negócio de política, eu, com uma rua asfaltada ali, com uma pracinha reformada aqui, e você, com um favorecimento aqui, uma nomeação de cargo ali, uma concessão de tv acolá. E nesse negócio de política, ficamos todos bem, os ladrões, os jornalistas e eu.

 

     Tratar a política deste jeito e, portanto, afastá-la da sociedade, onde deveria ser o seu habitat, não é indignação. É cooperação. E o que seria melhor para a imprensa do que permanecer como a guardiã da verdade e da justiça? Infelizmente, ou felizmente, não é preciso ir muito longe para ver quem são os verdadeiros beneficiados do espírito paladino da imprensa. Basta olhar nas mãos de quem estão as concessões de rádio e tv.

 

     A cobrança, a denúncia, o protesto, todos têm seu lugar. E seu lugar é parelho a uma cultura de participação na política, na gestão do bairro, nos espaços coletivos. Quantos participam dos mandatos das pessoas nas quais votaram na última eleição? Quantos acompanham as contas da prefeitura, ou mesmo do seu vereador? Quantos cobram orçamento participativo na sua cidade? Agora, o mais importante, quantos programas de tv estimulam a participação política ao invés da cobrança da mercadoria política?

 

     Para mim, e me desculpe você leitor fã do CQC, rima boa para manifestação é participação, e isso nem o CQC, nem a Veja, nem o restante da “grande imprensa” estimula. Pelo contrário, cumprem o mesmo papel. Afastam os cidadãos, os verdadeiros interessados, daquilo que seria a arte de gerir o bem comum e de criar o bem-estar coletivo. Afastam o cidadão da política. E isso, de fato, custa muito caro.

  

John Heinz, 23, juazeirense nascido no Crato, é estudante de Direito (UFPE, Recife).

heinzce@gmail.com

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