Promiscuidade entre Medicina e Política

1 10 2008

     Em Juazeiro, ao analisarmos as chapas majoritárias, vemos a grande presença de médicos (e de outros profissionais de saúde também). Manoel Santana (PT) é médico sanitarista; Manoel Salviano (PSDB) é médico cirurgião-geral (embora não exerça a profissão há muito tempo); Lucildo Leite (PDT), vice de Carlos Cruz (PP), também é médico. Gorete Pereira (PR) é fisioterapeuta e seu vice, Giovanni Sampaio (PTC) também é médico.

     Outros exemplos podem ser citados: o atual prefeito Raimundo Macêdo, o deputado federal Arnon Bezerra, o ex-deputado e atual prefeito de Barbalha Rommel Feijó, dentre outros, todos são médicos e, de uma forma ou de outra, beneficiaram-se da sua profissão para ingressar no mundo político-eleitoral. O atendimento na área de saúde gera grande proximidade com a população, especialmente no sistema público, e muitos profissionais tiram vantagens eleitorais dessa relação próxima com o povo.

     Esse tipo de interação entre a medicina e a política é muito comum no interior e nas regiões mais pobres do país. Quanto mais carente o local, mais isso acontece. Onde a saúde deveria ser “direito de todos e dever do Estado” (nos dizeres da Constituição de 1988), o deveres se transformam em favores e um atendimento em saúde é luxo. Consultas, exames, remédios e cirurgias transformam-se facilmente em votos, do beneficiado e da família.

     A população deve encarar exames e procedimentos médicos do sistema público de saúde como seus direitos, não podendo aceitar exigências ou favores em troca do bom atendimento. Deve lutar para que os profissionais sejam estáveis e bem remunerados, que o sistema de exames, consultas, internamentos e cirurgias funcione efetivamente. Assim, não haverá margem para a existência de promiscuidades entre a saúde pública e a politicagem eleitoreira.

Joaseiro.com





Comparação Infeliz

1 10 2008

Por Sávio Samuel

     Não cheguei a ver pessoalmente, mas colegas de faculdade me relataram ter visto panfleto do candidato Manoel Salviano em que ele fazia comparações com seu principal adversário Manoel Santana, para mostrar a população que seria o melhor dentre eles. Um dos itens das comparações mostra a formação profissional de ambos (os dois são médicos). Salviano tentaria se mostrar superior à Santana pelo fato de ser formado em uma faculdade de Minas Gerais e ter se especializado em Cirurgia Geral, enquanto Santana se formou no Ceará e é médico sanitarista.

     Sem querer tomar partido, podemos dizer , entretanto, que essa comparação foi no mínimo infeliz. Primeiro porque o panfleto de Salviano deixa a entender que a formação médica no Ceará teria uma qualidade inferior, o que não é verdade. A nota da UFC (onde Santana se formou) no último ENADE foi 4, a melhor do estado. Além disso, possuímos outras faculdades boas (como a FMJ no Cariri e a UECE em Fortaleza, pra exemplificar). É óbvio que cada curso tem suas dificuldades e que em todo lugar existem bons e maus alunos. No entanto, alunos cearenses são aprovados nos melhores programas de residência médica do país, têm boas avaliações no ENADE e estão saindo da faculdade com uma formação satisfatória. Tentar generalizar a formação médica no Ceará como de má qualidade não faz sentido algum.

     Além disso, esse tipo de atitude não é ética para com um colega de profissão. Questionar a formação técnica de outro médico publicamente, dentro de umas esfera de discussão eleitoral (que nada tem a ver os aspectos de atuação médica profissional) é anti-ético, principalmente ao insinuar que a especialidade cirurgia geral é melhor do que a medicina sanitarista. Ambas têm sua importância prática e devem ser valorizadas e respeitadas.

     Por último, a qualidade de cada um como médico não vai influenciar a postura de cada um como administrador. O que estará em jogo dia 05 de outubro é um projeto político-administrativo para o município de Juazeiro do Norte, não é um concurso para ver quem é o melhor médico.

     Esse tipo de colocação deveria ser revista por quem faz a campanha do candidato Salviano. Se a intenção for fazer comparações, que elas sejam relacionadas às atividades, experiências e projetos político-administrativas de cada um.

*Sávio Samuel, 22 anos, estudante de medicina da UFC-Cariri

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