Em Juazeiro, ao analisarmos as chapas majoritárias, vemos a grande presença de médicos (e de outros profissionais de saúde também). Manoel Santana (PT) é médico sanitarista; Manoel Salviano (PSDB) é médico cirurgião-geral (embora não exerça a profissão há muito tempo); Lucildo Leite (PDT), vice de Carlos Cruz (PP), também é médico. Gorete Pereira (PR) é fisioterapeuta e seu vice, Giovanni Sampaio (PTC) também é médico.
Outros exemplos podem ser citados: o atual prefeito Raimundo Macêdo, o deputado federal Arnon Bezerra, o ex-deputado e atual prefeito de Barbalha Rommel Feijó, dentre outros, todos são médicos e, de uma forma ou de outra, beneficiaram-se da sua profissão para ingressar no mundo político-eleitoral. O atendimento na área de saúde gera grande proximidade com a população, especialmente no sistema público, e muitos profissionais tiram vantagens eleitorais dessa relação próxima com o povo.
Esse tipo de interação entre a medicina e a política é muito comum no interior e nas regiões mais pobres do país. Quanto mais carente o local, mais isso acontece. Onde a saúde deveria ser “direito de todos e dever do Estado” (nos dizeres da Constituição de 1988), o deveres se transformam em favores e um atendimento em saúde é luxo. Consultas, exames, remédios e cirurgias transformam-se facilmente em votos, do beneficiado e da família.
A população deve encarar exames e procedimentos médicos do sistema público de saúde como seus direitos, não podendo aceitar exigências ou favores em troca do bom atendimento. Deve lutar para que os profissionais sejam estáveis e bem remunerados, que o sistema de exames, consultas, internamentos e cirurgias funcione efetivamente. Assim, não haverá margem para a existência de promiscuidades entre a saúde pública e a politicagem eleitoreira.
Joaseiro.com
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