Por José Cícero, Secretário de Cultura de Aurora
Desde a última quarta-feira 25 de março, a TV Diário não está mais disponível na nossa telinha como antes, via parabólica. Tudo porque a poderosa rede Globo forçosamente exigiu a retirada do sinal do satélite Starone C2 no seu sistema analógico. A TV cearense era um dos raros canais que transmitia sua programação pelo sinal aberto com uma abrangência de atuação em torno de 30 milhões de antenas parabólicas espalhadas pelo Brasil e outros países da América Latina. Isso com certeza vinha incomodando a “poderosa” que contabilizava perdas importantes, tanto no mercado quanto na audiência em diversos estratos da sociedade, incluindo a região Nordeste. A exigência para a retirada do sinal não era de agora. Desta feita, portanto foi batido o martelo: a Diário teria que sair já ou perderia o direito como afiliada da Globo Nordeste de retransmitir a programação da ‘janela dos marinhos’. O mais curioso é o silêncio que ainda paira sobre o assunto. Será que a ameaça também incluía o “calar da boca”? Isso para um meio de comunicação é algo grave, inaceitável num país que se diz democrático e que vivencia até as últimas conseqüências o Estado de Direito.
A propósito, por que será que ninguém do grupo Verde Mares não se pronunciou até agora acerca desta decisão draconiana? Por que eles não utilizam a própria emissora para dá explicações aos seus telespectadores? Mesmo os que ainda conseguem captar o sinal aqui no Ceará? Por que não usaram os outros meios midiáticos que lhes pertencem como o jornal escrito e as emissoras de rádio? No mínimo é pra lá de estranho esta atitude, ou seja, a falta dela. A opção pelo silencia só demonstra certamente todo o grau da exigência imposta pela “poderosa”. Cadê a imprensa livre (sic) do nosso estado? Com exceção do jornal O Estado que publicou uma nota pífia sobre o tema, quase mais nada foi veiculado. Cadê o sindicato da categoria? Cadê os formadores de opinião? Os políticos e a sociedade consciente como um todo?
A Globo talvez esteja sentido saudade dos velhos tempos onde o seu poderio era muito mais ferrenho, vez que o monopólio era quase intransponível. Mas felizmente os tempos mudaram; outras emissoras de TV já começam a abocanhar o antigo filé mignon da emissora. Antigos piques de audiência alcançados pela Globo noutros anos agora são coisas impensáveis. Por isso o desespero expresso em iniciativas como esta de forçar a Diário a sair do satélite que na verdade, soa como um verdadeiro golpe contra milhares de espectadores distribuídos pelo país inteiro.
A TV do Ceará é bem verdade, também não tinha uma programação lá muito boa do ponto de vista da cultura cearense e do Nordeste… Mas digamos, era a alternativa possível que tínhamos para fazer frente aos enlatados e a padronização dos canais do Sul que há muito nos empurravam goela a baixo. Como dizem “um pequeno fator de integração da comunidade nordestina espalhada de norte a sul do Brasil”.
Em todo caso, fica claro que o velho poderio da Globo não serve ao povo brasileiro por vários motivos. Por outro lado, quem sabe a “poderosa” possa aprender a partir de agora que a queda nos seus índices de audiência e perdas nos diversos nichos mercadológicos sejam claros indicativos de que sua programação está uma lástima. Quem sabe possa descobrir um novo caminho e constatar que o Brasil não é um Big Brother. Portanto se disponha a mudar. E mudar para melhor… Do contrário vai ter que prosseguir destruindo raivosamente como fez com a Diário, outras das suas afiliadas regionais que tiveram a ousadia de pensar e fazer diferente mesmo estando no seu ninho chocando seus antigos ovos de ouro. A TV Diário tinha, mesmo com suas deficiências, a cara do Ceará e do Nordeste. Por isso não podemos nos calar diante de tão absurda arbitrariedade.
Afinal, toda emissora de TV (e a própria Globo) é uma concessão pública e, de certo modo pertence à sociedade brasileira. Ademais, todo poder emana do povo? Na Globo parece não ser bem assim. Conquanto, a imposição da rede poderosa a TV Diário é algo inaceitável, notadamente para os cearenses.
Joaseiro.com
Pelo menos você não esqueceu de mencionar que de fato a Tv Diário não tinha uma programação nada boa. Mas nada justifica a imposição da Tv Globo.
Seria bom quando reabrirem – que é o que se espera – darem uma filtrada na programação, havia muita coisa desnecessária e apelativa.
Esta, junto à censura de matéria de O Povo que seria publicada hoje e trataria de movimentações financeiras bloqueadas pela Justiça Federal, em operação da Polícia Federal contra o jogo do bicho, são as máculas midiáticas da semana. A difusão da TV Diário que tomava campo ameaçador através da antena parabólica agora se vê cerceada por definitivo. A sociedade não pode aprender a aquiescer em situações como essas, pelo bem das gerações vindouras, pois quem cala dá margem à canga!
Está mais do que na hora de combatermos o monopólio da arrogante Rede Globo. Embora a programação da TV Diário seja de qualidade duvidosa, o que está em debate é o direito dos telespectadores de escolher a programação que mais os agrada. É este direito que a Rede Globo tira dos nordestinos que vivem saudosos de sua terra natal nas comunidades carentes do Sudeste brasileiro. Mas a Rede Globo não dá a mínima atenção a essas pessoas: está comprometida apenas com o poder e o dinheiro. A Globo representa todo o preconceito e a arrogância das elites paulistas, comprometidas em potencializar o efeito do crise econômica mundial nas camadas mais carentes da sociedade. Se isso exigir os empregos de milhões de brasileiros, tudo bem, não é nenhum incoveniente para a emissora. Precisamos tomar uma atitude. A Argentina começa a discutir medidas pela deter os monopólios na mídia. No Brasil, o assunto é tabu. Nenhum político tem coragem de enfrentar a Rede Globo e seu monopólio. A seguir, vai uma ótima análise do que representa as discussões sobre a mídia na Argentina e as lições que nós podemos tirar delas:
A democratização da mídia… na Argentina, do blog do Altamiro Borges
Numa atitude ousada e corajosa, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, resolveu enfrentar a ditadura midiática. Enviou ao parlamento um projeto de lei dos serviços de comunicação social para substituir a lei da radiodifusão imposta pelo regime militar (1976-1983). Ao anunciá-lo, ela afirmou que o projeto “é uma dívida da democracia”. Conforme explicou, a lei é “para que todos possam pensar por si mesmos e não como indicam uma rádio ou um canal de televisão… Os bens de caráter social não podem ser monopolizados por um setor ou por uma empresa que acreditam ser os donos da expressão de todo um povo”. Cristina Kirchner parecia se referir ao Brasil!
Entre outros avanços, o projeto limita em 35% a concentração no ramo de TV a cabo; reduz de 24 para 10 o número de concessões por empresa; reserva 33% do espectro da radiodifusão para as entidades sem fins lucrativos, inclusive sindicatos; fixa um calendário de “eventos de interesse público” para transmissão obrigatória; cria o Conselho Multisetorial e Participativo, composto por acadêmicos e entidades populares; apóia a produção local mediante cotas de exibição; fomenta a produção de conteúdos educativos e infantis; estimula a rede pública de comunicação; determina as audiências públicas para renovação de concessões e uso das tecnologias digitais.
Apoiador da ditadura, Clarín estrebucha
Como relata Emir Sader, que participa de um seminário em Buenos Aires, “a mídia privada, que conviveu tranquilamente com a lei imposta pela ditadura, já começou uma nova campanha contra o governo, acusando-o de ‘totalitário’ e de querer controlar a ‘imprensa livre’ – autodenominada por eles mesmos, os poucos grupos controlados oligarquicamente por poucas famílias, que se julgam no direito de definir quem é democrático. A proposta argentina é uma decisiva contribuição para a democratização na formação da opinião pública e, por isso mesmo, será alvo dos violentos ataques da mídia, que promoveu o golpe militar de 1976 no país e apoiou a ditadura militar”.
O sociólogo lembra que o jornal Clarín, que hoje faz oposição à presidente Cristina Kirchner, foi um dos principais apoiadores da ditadura militar. Já no fim do reinado do general Rafael Videla, ele publicou: “Ao final de cinco anos há um saldo de ordem, segurança e paz imposta pela força militar… Videla volta a seu lar acompanhado pelo respeito e consideração dos que reconhecem sua honestidade e seu patriotismo”. Hoje, o general-torturador é execrado pela sociedade e sofre vários processos. O grupo Clarín prosperou na ditadura e atualmente é dono de 50% do mercado de TV paga e jornais, além de participações na internet, rádios e canais abertas. No ano passado, ele foi o principal porta-voz do locaute dos barões do agronegócio contra o governo Kirchner.
“Pior censura é a dos monopólios”
O novo projeto de lei significa um duro golpe no poder monopolizado e manipulador do Clarín e das outras três famílias que controlam a mídia no país. Como afirma Sergio Fernández, diretor da agência oficial de notícias, “ele representa um fato histórico e um passo fundamental para que os argentinos vivam numa verdadeira democracia. Necessitamos viver numa sociedade aonde não exista censura e não há pior censura que a dos monopólios. Na construção da subjetividade humana, poucas coisas são tão antidemocráticas como a dos grandes meios de comunicação. Em nosso país, apenas quatro grupos são responsáveis pela edição e distribuição de 83% dos conteúdos informativos. Eles exercem uma influencia determinante na disputa dos sentidos”.
Conforme alertou, o debate sobre a nova lei deverá contagiar a sociedade nas próximas semanas. O texto será submetido à consulta pública por até 90 dias antes de ir à votação no parlamento. O governo conta com o apoio de importantes entidades populares, como a ONG Mães da Praça de Maio, e de várias rádios e televisões comunitárias. Já os barões da mídia se encontram divididos, numa disputa fratricida entre os donos da radiodifusão e as empresas de telefonia, que desejam entrar neste mercado lucrativo. Apesar desta fratura, os jornalões e as emissoras de TV prometem dar dor de cabeça à presidente Cristina Kirchner. A manipulação será violenta.
Debate empacado no Brasil
Enquanto o debate sobre a democratização dos meios de comunicação avança na Argentina, no Brasil o status quo se mantém inalterado. Durante o Fórum Social Mundial, realizado em Belém (PA) no final de janeiro, o presidente Lula finalmente anunciou a convocação da Conferência Nacional de Comunicação. A notícia foi festejada pelos ativistas que lutam contra a ditadura midiática no país. Até agora, porém, a portaria convocando o evento não foi publicada. Há boatos de que o atraso se deve à feroz disputa sobre os rumos da conferência – temário e comissão organizadora –, com divergências no próprio governo e entre as poderosas empresas da área.
O atraso confirma que a conferência será alvo de intensa disputa. Como aponta Renata Mielli, no seu blog “Janela sobre a palavra”, há muitos inimigos de um debate democrático sobre este tema – a começar do representante da TV Globo “sentado na cadeira do Ministério da Comunicação… Os tubarões da mídia, preocupados em ver o seu castelo ser ameaçado, já se preparam para participar dos debates com o intuito de minimizar possíveis avanços no sentido da ampliação da participação da sociedade. Da nossa parte, fica a necessidade de ampliar a mobilização dos mais amplos setores para participarmos da conferência que é nevrálgica para o avanço da democracia. Uma vez que, infelizmente, Lula não tem a mesma ousadia de Cristina Kirchner”.
realmente a programação nunca foi boa,dig´-se de passagem.é uma pena,mas a tv era uma caricatura mal feita dos nordestinos.foi tarde…
NÃO QUERO DEFENDER A REDE GLOBO MAS DE UMA ANALISADA NAS GRANDES REDES DE TELEVISÃO DO BRASIL ,
EX: * A MAIOR CONCORENTE, REDE RECORDE VEM NUMA GRANDE CRESCENTE MAS É MUITO CONTESTADA POR TIRAR DINHEIRO DO POVO USANDO A PALAVRA DE DEUS .
OUTRO MOTIVO É O QUE SERIA DA TV ABERTA BRASILEIRA SEM A REDE GLOBO
PENSE NISSO
Poderia ser bem melhor, pois a globo é um canal que só passa putaria nas novelas, um canal que so coloca as noticias que interessão aos poderosos do pais, um canal que tem umtime de futebol, o flamengo, pois so falam nele, faz uns 20 anos que não ganha nada e a globo so baba o saco do flamengo, voçê ja viu a globo passar para todo o pais nautico e sport?
tem que acabar com o monopolio da globo.
É uma pena ver o sinal da TV DIÁRIO, desligado. Uma emissora que levava alegria para não só todo o nordeste, bem como alguns países vizinhos.
Não é novidade a Globo, exigir esse tipo de coisa. Ela não admite perder audência para ninguém.
ESSE É O NOSSO BRASIL…
EU RESIDO EM MIRIM DOCE- SC PEQUENA CIDADE DO INTERIOR….EU ASSISTIA A TV DIÁRIO…..ERA MAIS UMA OPÇÃO ……////EU ACHO QUE TODA CAPITAL BRASILEIRA DEVERIA TER PELO MENOS UM CANAL NA PARABÓLICA…///ASSIM, A GENTE QUE MORRA NO INTERIOR, SÓ ASSISTE TV DE RIO E SP……////É UMA VERGONHA…/// A PROGRAMAÇÃO DELES É RUIM…SÓ FICAM SE PROMOVENDO O TEMPO TODO…..UMA NOTICIA DE SP E OUTRA DO RIO E VICE VERSA, PING PONG /// E NEM PROCURAM MELHORAR…//// DEVE SER UM JOGO POLITICO….NÃO SEI…EU ACHO….PORQUE NÃO SE TOMA NENHUMA MEDIDA….//// É SÓ OLHAR UM POUCO E SE VE O PORQUE…..MINISTRO DAS TELECOMUNICAÇÕES …..HELIO COSTA E FRAKLIN MARTINS……EX GLOBO E BAND……//// EO LULA PERMITE TUDO ?