Começou, mas não começou… e começou mal

29 06 2009

     As inscrições do Consurso Público da Prefeitura de Juazeiro do Norte deveriam ter início hoje, dia 29/06. Porém, até o presente momento (17h, portanto fim do horário comercial), o site www.cev.urca.br ainda não disponibilizou o link para realização de inscrições. Ao contrário, agora há pouco foi divulgado um documento assinado pelo Prefeito e pelo Secretário de Administração contendo 5 páginas de retificações. Eram muitos dados errados no edital: há conteúdos programáticos de avaliação incluídos, outros excluídos; matérias inteiras foram incluídas ou excluídas; o salário de psicólogo estava errado e foi corrigido; regras pra admissão na segunda fase do concurso foram modificadas; valores atribuídos a determinados títulos foram mudados; atribuições de cargos foram acrescentadas; erros de digitação foram corrigidos.

     É muito erro pra um edital só. É muito erro pra um concurso dessa magnitude, pra uma cidade dessa magnitude. Deveriam ter tido mais zelo e revisado exaustivamente a redação do edital antes de divulgá-lo, a fim de não causar confusão para os candidatos. Só nos resta lamentar e dizer aos candidatos que fiquem atentos às modificações das regras, fazendo o download do arquivo de retificação do edital no site: www.cev.urca.br

Joaseiro.com





Poema da semana

28 06 2009

A consolação da Filosofia – Homenagem a Boécio

Por Franzé Matos

 

No ambiente que me permeia

Sinto no âmago da extensão cutânea

A umidade putrefata dos caminhos que cerceiam

O meu livre caminhar

Que pela falta de liberdade permanecem sozinhos

Encharcados de água no ar

Que de tão úmidos parecem o mar

Mar de lama! E só me resta a cama

E a caneta filosófica usar

Para me afastar dos meus tormentos

Que por uma pena obtusa pagar

Eu deixe de alimentar sentimentos tão vis

Que demovem a noção do ser racional que sou

quE se me deixo vagar

Pelo lado puramente isntintitvo do meu ser

Sinto extremo prazer em concretizar o que pede minha mente

Sofismas e atos doentes

Que me deixam descrente

Da importância do continuar.

Mas pela filosofia

Despejo em tintas minha agonia

E mancho o papel em busca da consolação

Que traz a perfeição de saber que Deus é o próprio bem

E que quem leva uma vida justa e virtuosa

Tem cadeira certa no mundo dos intelectíveis

Pois superar este corpo, que é caverna

É entender a contradição da matéria

E saber que essa mesma contradição

É condição para a verdade

E no caminho do saber sigo pelos anos.

E as prisões materiais que me prendem

Fizeram florescer vivaz energia

Transformando a agonia na força que impulsiona

O livre voar do meu pensamento

Que descobriu a verdade

E que em meu corpo já não habita

E sou princípio de tudo que exista

O puro ato de criar

Sou o próprio nada em movimento.

Joaseiro.com





Uma nova visão para a humanidade

28 06 2009
Recife, 26 de junho de 2009
“Para o homem que possui o conhecimento, não existe dever… E, para dizer ainda como conclusão o que dizia ao começar: o homem prefere ainda querer o nada antes que nada querer.”
(Nietzsche)

Buscando, de forma lúdica e brusca, uma nova visão para a humanidade

Por Guilherme Patriota

     No mundo da banalidade, MJ apenas sobrevivia. Ele tornara-se, desde criança, o maior pensador de seu tempo, e havia vendido cem milhões de cópias de seus livros quando adulto. Sua personalidade absurda era destaque em tudo, pois conseguia refletir para si os fatos, as vivências e as preponderações de seu tempo sem se perder na história da humanidade. MJ havia se isolado desde os vinte e cinco anos de idade, pois sua forma de pensar já não era o mais importante, dado que a mídia, como que buscando copiar suas formas de agir para gerar outros seres iguais, procurava descrever cada ato de sua vida conturbada, invadindo os limites de convivência particular e atirando as facetas humanas de um, aparente, não humano nas capas de todas as revistas, jornais, blogs e programas televisivos de todo o mundo, no cativar de uma ganância exploratória de geração capital a procura do inevitável banal. MJ, em todos os seus escritos, afirmava que a coletividade individualizada e sadiamente natural tornar-se-ia o fator de modificação de sua sociedade, porém no seu convívio isto se tornara impotente, pois seu isolamento, por sua genialidade banalizada, fazia dele um ser apenas individual, isolado, caricaturado como o deus que pensa e que deve ser seguido. MJ tentava, em vão, se aproximar dos outros, mas sempre era idolatrado, tratado de forma diferente, como algo inalcançável, deverasmente afastado da coletividade humana. Ele resolveu partir sem rumo, porém sua fama avançara por todo o globo e não tinha mais como se isolar em um pequeno grupo de respeito mútuo.  MJ parara de escrever, sua busca limitava-se ao encontrar alguma comunidade que o distinguisse por inteiro, como pares que não considerassem seus escritos e teorias como algo fora do normal, para que pudesse trazer seu estado humano de volta ao seu corpo, a sua mente. Quatro anos “perdidos”, e MJ encontrou relato de um grupo cambojano, na internet, na mídia que tanto o incomodava, que praticava um tipo de liberdade limitada que postava a igualdade absoluta dos semelhantes em detrimento de sua própria existência, de seu corpo, não passando a forma de pensar como absoluta, mas sim a carne, a naturalidade da vida animalesca como o principio de paridade. MJ não acreditava friamente neste sentido, no entanto via neste intuito uma forma de compartilhar suas buscas, de poder atingir um novo principio que há tempos era-lhe negado: ser novamente humano. MJ partiu, cego, surdo e mudo, para o Camboja. Sua nova revolução era uma busca que não poderia ser apenas a mesma, aquela que o conduzira para um patamar de gênio, de superior, de o fora de contexto, ele desejava retornar, retroceder, se fosse o caso, a um estágio de visão colonialista primitiva. MJ queria ser doutrinado, queria ser um mártir de sua espécie, com o simples intuito de ajudar a todos os seus irmãos no sentido de não ser alguém que ele havia se tornado. Em quatro anos de doutrina cambojana e de desaparecimento total, MJ resolveu reaparecer com um novo livro, que duas semanas depois era chamado de a nova bíblia, mesmo sem ter sido lançado ou lido. MJ, se utilizando de sua posição de ídolo, decidiu que seu livro seria publicado por uma editora cambojana, da comunidade a qual agora fazia parte, e que teria uma edição absolutamente limitada ao número de lideres mundiais que faziam parte do conselho de segurança da ONU, e que seu lançamento deveria ser feito, única e exclusivamente, no quando da próxima reunião de tal conselho. Obviamente, apoiado por um consenso mundial, nenhum empecilho foi lhe criado, pois, apesar do desaparecimento, MJ era o grande pensador, o grande conselheiro dos conselheiros, o que havia gerado um sentido de comunhão entre os homens em seus escritos. MJ editou 16 livros, um para cada um dos cinco membros permanentes do conselho, representados pelos seus presidentes (USA, França, Reino Unido, Rússia e China), um para cada um dos dez membros rotativos do mesmo, também representados pelos governantes dos países em representação, e um para ele mesmo, que fazia questão de realizar a primeira leitura. O livro era daqueles que ficavam de pé, na vertical, e aparentava possuir o conhecimento dos conhecimentos, dada a personalidade histórica e única de MJ. No dia do lançamento, MJ fez questão de convidar, pessoalmente, os maiores membros da imprensa mundial, que deveriam ser representados não por seus jornalistas, mas pelos próprios proprietários dos veículos que, acreditando ser um grande privilégio, compareceram em massa, sem faltas, mesmo sabendo que não teriam o direito ao livro tão desejado. Reunidas cinqüenta e cinco pessoas, entre lideres mundiais e “donos do que se vê no mundo”, na sede da ONU, MJ Chegou e distribuiu os livros, afirmando que nenhum deveria ser aberto antes que o mesmo autorizasse e que todos deveriam seguir seus procedimentos se não quisessem gerar uma grande catástrofe. Os líderes, atentos aos dizeres de seu “adestrador/pensador”, seguiram os passos necessários, e MJ pediu-lhes que observassem apenas a capa e que depois, sutilmente, abrissem a primeira página sem ultrapassá-la de forma alguma. Na capa nada existia, apenas o branco, que, para os mais atentos e orientais/orientados, significava o luto da humanidade exposta em sua alma de pensador.  No prefácio, única e primeira página escrita, MJ afirmava que para concretizar sua humanidade todos os homens, inclusive ele, deveriam descobrir o grande segredo, que só poderia ser revelado pela própria curiosidade de todos os leitores, e que este segredo mudaria, ao menos em principio, todas as suas vidas pessoais e, quem sabe, posteriormente, a vida de todo o mundo. Ainda, ele afirmava que esta mudança era de escolha, e para realizar esta escolha todos deveriam mudar de página, mudança esta, que como nos grandes livros, que são optativos na relação de ler ou não ler a próxima página, deveriam ter direção própria.  Como em uma decisão do conselho de segurança, MJ sugeriu uma votação que promovesse a unanimidade ou não daquela abertura, reafirmando que a leitura da próxima página poderia mudar, realmente, a vida de todos, promovendo a grande mudança de suas humanidades. Intrigados pelo sentido de conhecer e deter o grande segredo da humanidade, os cinco membros permanentes, seguidos por todos os outros ali presentes, resolveram, sem votos contra, abrir a próxima página que revelaria o grande segredo filosófico humano. Decidida a questão, MJ pediu concentração para o adentrar da nova realidade e sugeriu que todos fizessem um contagem regressiva do dez ao zero, como nos lançamentos de foguetes da NASA, abrindo, simultaneamente, a segunda página, todos aos mesmo tempo. Ao chegar ao zero, ouviu-se uma grande explosão. A página dois do livro branco do luto de MJ era um dispositivo de bomba que vitimou todos os grandes líderes mundiais na busca de uma nova trajetória de vida para a humanidade. MJ deixou escrito no Camboja, e para ser distribuído por todos os espaços possíveis, reproduzindo, e não criando, a frase de seu grande ídolo igual Nietzsche: “o homem prefere ainda querer o nada antes que nada querer.” Ludibriados por aquele pensamento, os grandes lideres mundiais, dez horas depois, já acordados, perceberam que a segunda página do livro não passava de uma magia cambojana de encantamento, acompanhada de uma caixa de música que induzia os observadores a ter tal pensamento bombástico, seguido pelo sentimento de visão do céu, no qual absorviam a frase do filólogo europeu sendo distribuída por toda a terra. Depois do susto, todos viram MJ deitado ao chão, vestindo uma camisa, ele sim morto, com os dizeres nela escrito: “espero que meu fantástico martírio artístico sirva de visão para uma nova humanidade.”

Joaseiro.com





Vai um café?

25 06 2009

Funcionária de Sarney mora em prédio restrito a senador

Nomeada por ato secreto, uma funcionária do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), mora há quatro anos num imóvel localizado no térreo de um dos prédios exclusivos para senadores. Valéria Freire dos Santos é viúva de um ex-motorista de Sarney e desde que mudou para o local ganhou um emprego no Senado.

O primeiro emprego de Valéria no Senado foi na direção geral. Em novembro do ano passado, ela foi transferida para o gabinete pessoal de Sarney por um ato que só veio a ser divulgado em abril deste ano. Para servir café em expediente de meio período, recebe salário de R$ 2.313,30 por mês.

Com a anuência de Sarney, Valéria foi autorizada a morar no apartamento por um prazo de 90 dias, a partir de janeiro de 2005. Mas está lá até hoje.

O imóvel é uma espécie de zeladoria que fica no térreo do prédio onde estão os apartamentos funcionais destinados aos senadores. Tem um quarto, sala, cozinha e banheiro e deveria ser destinado ao descanso dos seguranças. O prédio fica em área nobre de Brasília.

***

Para ler toda a reportagem, clique AQUI.

Fonte: Correio Braziliense

P.S: Alguém já lhes disse que nós do Joaseiro fazemos um ótimo café? Por este salário, ainda torraríamos uns pães. Na chapa.





Um comentário que merece ser lido

25 06 2009

     Realmente dá gosto editar o Joaseiro.com. Mesmo quando o tempo nos falta e passamos alguns dias sem postar, eis que os comentaristas continuam as discussões, enriquecendo o conteúdo do blog e nos incentivando a continuarmos o trabalho. É muito bom ter esse retorno de vocês, leitores. Atualmente, uma boa discussão sobre cultura de massa e arte vem se travando no post “Programação da Expocrato 2009″, algo que vale a pena ser lido, pela qualidade dos questionamentos e argumentações expostas. Outro comentário fantástico que nos chamou a atenção foi o do [colunista] Franzé Matos, acerca do conto de Guilherme Patriota postado logo mais abaixo. Franzé sintetizou em poucas linhas grandes reflexões sobre a individualidade humana, os valores nos dias de hoje e banalização de vários aspectos da vida do homem moderno. Reflexões assim merecem ser lidas por todos e, por isso mesmo, reproduzimos o comentário aqui na página principal.

     Aproveitamos a oportunidade em que falamos diretamente aos leitores para agradecer ao Sr. José Gondim, nosso leitor de Fortaleza que nos enviou email elogioso. A ele, nosso forte abraço. E também agradecemos a Luciano Sá, Assessor de Imprensa do Centro Cultural do Banco do Nordeste, que ‘descobriu’ nosso site e agora manda diretamente para o nosso email a programação dos eventos do CCBN. Comprometemo-nos em continuar a divulgar a valorosa a agenda do CCBN, especialmente a do Cariri.

Joaseiro.com

     “O sentimento de angústia no mundo de I é também o meu. Não entendo porque uma pessoa se torna “massa”. Uma pessoa é todo um mundo, mas agimos hoje de maneiras tão semelhantes que tornamo-nos “massa”. 6 bilhões e não mais existem vanguardas? Artistas espetaculares? Grande filósofos? Que contradição é essa?

    Acredito justamente no oposto: há muito mais arte, muito mais literatura, muito mais diversidade que em qualquer época. Mas pela quantidade de novo que a todo segundo surge, torna-se tudo banal demais? E por quê?

     Quantificamos, categorizamos, distinguimos, criamos padrões. É verdade, facilita mais a vida e a ”mudança que cada ser pode dar para seu habitat”, mas aonde isto está nos levando? Literatura é banal, filosofia banal, arte é banal, saber a cada segundo o que ocorre em todo o mundo é banal, destruir a natureza de todo o planeta é banal, quase duas dezenas de países com bomba atômica é banal, a morte é banal, árvore banal, animal banal, tudo banal? Para que viver assim? Se banal tournou-se a vida? Que grande caminho para onde fomos levados.

     O novo é a constância, não mais a ruptura. O “sistema” de hoje vive e se mantém da produção e consumo deste novo. E ele é, antes de virar ruptura, trazido para o seio do sistema como produto que o próprio sistema possibilitou. Nosso pensamento vive sobre uma única lógica. É preciso reverter a própria lógica. Pois a lógica influencia todos nossos pensamentos e ações. E mudarmos os pensamentos e ações e não refundarmos a lógica de onde eles surgem, de que adianta? É muito maior e mais complexo. Vivemos no mundo que é um grão de areia e esquecemos de todo o resto. Em nosso entorno há quatrilhões e quatrilhões de quilômetros pelo universo. Olhando para a mesa a sua frente ela fervilha num movimento incessável e achamos que ela está parada.

    Radicalidade realmente. Precisamos de um grande gole, urgente.”

 Franzé Matos





Conto da Semana

21 06 2009

Recife, 19 de junho de 2009.

“A história de toda a sociedade que existiu até agora é a história da  luta de classes”

(Marx & Engels)

Sua Própria classe o Absorverá

Por Guilherme Patriota

     Por vezes, nos sentimos tão sós que deixamos de acreditar que qualquer coisa venha a acontecer de forma real fora de nosso próprio organismo. I era um filósofo, um cara que realmente se preocupava com interrogar os sentidos de sua vida e do universo, sem necessariamente ter que se aconselhar com Sócrates ou Platão, inclusive se portando sempre no movimento contrário, acreditando friamente na nunca e não existência orgânica destes indivíduos. I trabalhava numa repartição pública, mas chegava cotidianamente a sua casa, no pós labor, com a mesma questão na cabeça: “para quê serve o trabalho?” Sua resposta quase sempre apontava para a contribuição de mudança que cada ser pode dar para seu habitat, mas a vagarosa porção encantadora de sua lida diária destruía sua ilusão e retornava ao mesmo questionamento. I sonhava em ser filósofo mesmo, no entanto sua carteirinha do sindicato dos filósofos nacionais não podia ser retirada, pois precisava do diploma e, ainda pior, precisava participar da sociedade como um bom trabalhador que merecesse a justa recompensa do dinheiro para se solidarizar com sua mulher e filhos no sustentar do lar contemporâneo. A vida de I era uma luta de classes celulares, que buscavam se encaixar dentro de seus pensamentos e dentro das logísticas humanas de sobrevivência que teimam por colocar homem frente a homem em embates ideológicos que remetem, erroneamente, as suas próprias formas de vida. I se batia e se debatia com o próprio I, com suas próprias fantasias, que só eram utópicas por um medo filosófico de estar só, mas que o conduzia a mais profunda das solidões: a solidão interna. Depois de trinta e quatro anos de serviço público, já com seus filhos formados na filosofia advinda das academias e com seus devidos e justos sentidos financeiros resolvidos, I resolveu abandonar o trabalho sem dar satisfação alguma ao Estado, partindo para a grande empreitada de sua vida: não fazer nada que exercitasse seus músculos, guardando toda sua energia para delinear um método de vivência que conduzisse seu organismo a uma reação inumana que desencadeasse uma interrogação constante na mente daqueles que o observassem. I ficou dentro de casa por 380 dias, e a pressão do mundo batia a sua porta todas as horas. Eram contas, amigos, o estado, a polícia, os vizinhos, e I só conseguia fazer o mesmo questionamento: “Para quê serve o trabalho?” Incomodado pelo incômodo de todos que visitavam seu refúgio para lhe pedir satisfação quanto as suas relações sociais, I resolveu partir sem rumo, partir para um lugar que não fosse lugar e que não fosse fixo, mantendo-o, assim, sempre estranho por onde passasse. Para satisfazer a vontade de seu futuro, I resolveu criar uma caixa postal, que iria ser aberta quando de seu falecimento, para que pudesse enviar textos diários relatando o que ele tinha escrito em cada um daqueles dias que sobraram de seu viver, que seriam lidos como a experiência de um filósofo em busca. Em sete anos de peregrinação, I percorreu todos os continentes, visitando indústrias, sindicatos, ruas, praças, passeatas, comícios, florestas, rios, mares, bares, escolas e tudo mais, sempre anônimo e sempre tentando encontrar respostas para possíveis perguntas que pudessem habitar em sua memória, de acordo com a sensibilidade depositada nas variáveis circunstâncias percorridas. I foi encontrado por seus filhos, pela manhã, na porta de casa, deitado, vestido com a mesma roupa com que tinha saída há sete anos, com as duas mãos sobre o peito, numa delas a chave da caixa postal e na outra uma folha de papel rabiscada. I faleceu com um enorme sorriso, fazendo com que seus filhos não sofressem e compreendessem que sua busca havia terminado/reiniciado. Abriram o papel que estava em sua mão e viram que seu pai deixava, por escrito, os meios legais para que os filhos tivessem acesso à caixa postal que estava situada no correio local. No mesmo instante, antes mesmo de cremar o corpo do pai, os jovens se encaminharam para o correio e retiram todas as cartas. Das duas mil quinhentas e cinqüenta e seis cartas encontradas naquele local, duas mil quinhentas e cinqüenta e cinco registravam o mesmo texto: “Para quê serve o trabalho?” No entanto, na última carta, I expunha o seguinte texto: “O homem percorre toda a sua vida acreditando estar buscando algo que é seu, e por vezes percebe que sua grande busca foi cega, todavia não deve parar de buscar. Desde que me vi como homem, como parte deste grande ser que nos absorve, tornei-me uma criatura intrigada com um único questionamento: Para quê serve o trabalho? Mas não achei resposta; encontrei respostas volúveis ao meu perceber, ao meu raciocinar. Mesmo assim mantive minha busca, que não gerou nenhum tipo de arrependimento. Quanto ao trabalho, relaxa! Sua própria classe o absorverá.”

Joaseiro.com





Poema da Semana

21 06 2009

Por Franzé Matos

Na relação com o outro

Tome cuidado, mas mantenha a tensão

As marcas de um diálogo

Ficam incrustadas nas palavras ditas

 

Fales sempre de forma valente

Buscando na mente a idéia esguia

Que transformam o latente em via a se pensar

 

Tome cuidado com o que desejas

Nesta peleja pelo que buscas

Podes encontrar a guerra

E na esfera deste embate

Podes sentir saudade da paz que não querias

 

Falar com outro

Já é um confronto

Em que sentidos se chocam

Desde o abraço que anuncia

A aproximação de dois mundos

Onde as diferenças alheias

São incontáveis como grãos de areia

Que na natureza ainda podes contar.

 

Buscamos conversar

Para encontrar e conhecer nossas verdades no

Pois sabes bem, como é difícil caminhar sozinho

A relação com o outro é imprevisível

Um encontro com o invisível

Um universo de diferença

Que nos faz evoluir como humano

Reconhecendo o engano

Na impossibilidade de se reconhecer sozinho.

Joaseiro.com





Texto do Leitor

20 06 2009

     Recebemos hoje pela manhã email do leitor Cícero Batista, enviado também a vários outros meios de comunicação, como jornais escritos e outros blogs. Portanto, é possível que vocês vejam o texto do leitor Cícero também em outros lugares. A correção que fazemos ao texto dele é que o “Bar da Boa” não é propriamente novo, já existe há algum tempo aqui em Juazeiro.

     Ressaltamos que estamos à disposição dos leitores para publicação dos seus textos que sigam a tônica do Joaseiro.com e o nosso limite de espaço. Os textos devem ser enviados pelo email joaseiro@yahoo.com.br

 

Juazeiro do Norte, 19 de junho de 2009

Flagrante e caso de desrespeito em Juazeiro do Norte

Por Cícero Batista

     Flagrante e caso de desrespeito aos princípios da legislação é a utilização da alcunha “educativa”. A cidade de Juazeiro do Norte possui uma emissora com outorga educativa. Muito embora o conceito de outorga educativa estabelecido pela legislação brasileira afirme que a programação admitida para estas emissoras terá exclusivamente finalidades educativo-culturais, sua definição é vaga, dando margem a diferentes interpretações.

     Entretanto, mesmo que ampla e imprecisa, tal definição afasta, de imediato, a possibilidade de ser classificada como tv educativa. É o caso da TV Verde Vale de Juazeiro do Norte, com programação comercial e transparente intenção de arrecadar fundos. Além de possuir uma programação semelhante às tradicionais emissora comerciais do estado, a emissora tem por prática veicular anúncios publicitários. Segundo o departamento comercial da emissora, somente são vetados anúncios de cigarros e bebidas alcoólicas. O Ministério das Comunicações determina que tais rádios não têm caráter comercial, sendo vedada a veiculação remunerada de anúncios e outras práticas que configurem comercialização de intervalos, podendo somente veicular anúncios que se enquadrem no conceito de apoio cultural.

     Também flagrante é o caso do Programa Multimídia, apresentado pelo repórter Marcelo Fraga, que na noite desta sexta-feira, dia 19 de junho de 2009, exibiu durante intervalo comercial, anúncio de um novo bar que hora se instala na cidade de Juazeiro do Norte. Trata-se do “Bar da Boa”, fazendo alusão a cerveja Antartica. Até a marca da Antartica é mostrada.

     Não julgo errado o fato da emissora comercializar os seus intervalos, até porque justifica o alto custo para produção da sua grade de programação. Mas sejamos francos, não podemos admitir que uma emissora educativa possa fazer alusão ao álcool, musicas com conteúdo pornográfico entre outros.

     Sabemos que 70% da grade de programação é arrendada a terceiros, mas cabe a direção de programação da emissora filtrar todo o conteúdo a ser exibido. O que parece não está acontecendo.

     O Cariri precisa da TV Verde Vale, mais a emissora precisa zelar a sua programação.





Programação da Expocrato 2009

20 06 2009

     Reproduzimos abaixo mensagem divulgada para os membros da comunidade “Mostra SESC Cariri de Cultura” no Orkut, comparando as programações do Festival de Inverno de Garanhuns e o da Expocrato 2009. Concordamos com as observações feitas pela componente da comunidade, com o perfil de nome “Janinha”.  Os comentários dela estão entre aspas e com as letras maiúsculas. Vejam só:

Programação do Festival de Inverno de Garanhuns 2009

16/07 – Quinta-feira

Quinteto Violado

Maria Rita

17/07 – Sexta-feira

Lenine

18/07 – Sábado

Rita Lee

19/07 – Domingo

Morais Moreira

20/07 – Segunda-feira

Odair José

21/07 – Terça-feira

Wanderléa

22/07 – Quarta-feira

A confirmar

23/07 – Quinta-feira

Nação Zumbi

24/07 – Sexta-feira

O Rappa

25/07 – Sábado

Zeca Pagodinho

AGORA VAMOS COMPARAR??????????????????????

Programação da Expocrato 2009

12/07 – Domingo

Amado Batista

Caninana do Forró

13/07 – Segunda-Feira

Parangolé

Waldonys

Stefanie Pontes

14/07 Terça-Feira

CPM22

Biquíni Cavadão

Red Still

15/07 – Quarta-Feira

Calypso

Forró do Muído

Geraldinho Lins

Forró na Tora

16/07 – Quinta-Feira

Chiclete com Banana “DE NOVO?”

Saia Rodada

Forró do Bom “KKKKKK”

17/07 – Sexta-Feira

Aviões do Forró “PUTS”

Jammil

Solteirões do Forró “EXISTE ATÉ ESSE?”

18/07 – Sábado

Banda Eva

Garota Safada “ESSA DEVERIA TER SIDO NO DIA DE SOLTEIRÕES”

Arreio de Ouro

Ala Ursa

19/07 – Domingo

Vítor e Léo

Bichinha Arrumada “KKKKK”

Capim Cubano

Nechville

“A PROGRAMAÇÃO A CADA ANO SE SUPERA!”

    Bem, a programação acima confere com a que foi divulgada no site da Expocrato: www.expocrato.info

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Prudência nas comemorações

20 06 2009

     Precisamos refletir bastante antes de sairmos por aí a comemorar determinados feitos só porque outros comemoram, ou porque alguém ou a imprensa diz que é bom. Por exemplo, comemoraram bastante o fato de que Juazeiro do Norte ganhará o segundo maior prédio em altura do estado do Ceará. Ok, mais empregos diretos e indiretos, mudança na arquitetura da cidade, crescimento do bairro que abrigará o condomínio, todos esses são benefícios óbvios.

     No entanto, refletindo um pouco mais e perguntando-nos o porquê de esse estilo de morada crescer tanto em todas as médias e grandes cidades do país, vemos que na verdade as pessoas preferem morar em condomínios devido ao crescimento da violência. Assim, morar em prédios fechados com segurança 24h tornou-se antes uma necessidade do que um luxo, para determinadas famílias. Será que quem gerou a demanda por condomínios em Juazeiro também não foi a violência?

     Além disso, não podemos nos esquecer de que as construções de prédios altos, ora proliferantes em Juazeiro, não são inócuos ao meio-ambiente. Já é bastante estudado e difundido o fenômeno das ilhas de calor, formadas justamente a partir da existência de grandes construções verticalizadas. E aí, se vários deles vieram a ser construídos em Juazeiro e aumentarem ainda mais nossa temperatura? Já pensaram, logo nós que temos o clima tão “frio”…

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Malvados e o moderno jornalismo brasileiro

19 06 2009

A seguir, breve histórico do jornalismo em tempos de diploma:

1

2

3

Fonte: Malvados.com.br





Transnacionais no Bar Pink Floyd

19 06 2009

Os_Transacionais

E a abertura da festa é com a Banda NightLife!

Fonte: Blog Agende-se





Ri-di-chulus XLV

17 06 2009

     O programa “A Fazenda” da Rede Record. Mistura de Big Brother com Casa dos Artistas Rural, mais um programa que se traveste de novo e nada tem a acrescentar.

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O Presidente Responde

16 06 2009

Lula terá coluna em jornais para responder leitores semanalmente

A partir do dia 7 de julho (uma terça-feira), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva responderá perguntas de leitores de jornais impressos em uma coluna semanal intitulada O Presidente Responde

A Secretaria de Imprensa da Presidência da República abriu hoje (15) as inscrições para os jornais interessados em publicar o material. De acordo com a secretaria, a coluna terá o formato de perguntas e respostas e será publicada sempre às terças-feiras.

Os leitores deverão enviar as perguntas para os jornais com nome completo, idade, profissão e cidade onde residem. Por sua vez, os jornais encaminharão as perguntas Presidência da República, que irá selecionar três, a cada semana.

Conforme comunicado da Secretaria de Imprensa, as perguntas devem tratar de temas relacionados às políticas do governo federal, considerando que a coluna visa ser mais um instrumento de prestação de contas sociedade das ações do governo federal. A coluna ficará disponível ao público no site da Presidência da República depois da publicação nos jornais cadastrados.

Fonte: Correio Braziliense

- Daremos as devidas informações aos leitores de como proceder para enviar suas perguntas ao presidente, bem como através de que meios.





Divulgado edital do Consurso Público da Prefeitura de Juazeiro do Norte

15 06 2009

     A Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte divulgou hoje o edital do seu concurso público. Fizemos esse post elucidativo com as principais informações que os candidatos precisam ter. Logo mais abaixo, você tem o link para fazer o download do edital completo em formato pdf.

Quem organiza o concurso?

- A Prefeitura de Juazeiro e a Universidade Regional do Cariri. Portanto, todas as informações serão divulgadas oficialmente nos seus respectivos sites: www.juazeiro.ce.gov.br e www.cev.urca.br

Quais os cargos disponíveis?

Há vagas para os cargos de: Capturador de Animais, Pintor Letrista, Agente de Combate às Endemias, Agente Comunitário de Saúde, Guarda Municipal, Agente de Trânsito, Fiscal de Tributos, Fiscal de Obras, Fiscal de Meio Ambiente, Inspetor Sanitário, Auxiliar em Saúde Bucal, Técnico em Enfermagem, Técnico em Saúde Bucal, Técnico em Radiologia, Advogado, Arquiteto, Assistente Social, Auditor, Auditor Fiscal, Bibliotecário, Biomédico, Economista, Educador Físico, Engenheiro Agrônomo, Engenheiro Civil, Farmacêutico, Fisioterapeuta, Fonoaudiólogo, Geógrafo, Historiador, Médico de PSF, Médico Veterinário, Nutricionista, Psicólogo, Psicopedagogo, Sociólogo, Tecnólogo de Alimentos, Terapeuta Ocupacional, Turismólogo, Professor de Educação Infantil, Professor Polivalente, Professor de Educação Física, Professor de Ciências, Professor de Geografia, Professor de História, Professor de Inglês, Professor de Matemática e Professor de Português.

Quanto custará a inscrição?

R$ 40,00 para nível fundamental e médio e R$ 80,00 para nível superior.

Quando é a inscrição?

De 29 de junho a 17 de julho.

Quem tem direito à inscrição gratuita?

Doadores de sangue com no mínimo duas doações em um ano e uma doação há menos de 12 meses. Exige-se comprovação com um certificado do Hemoce.

Como se inscrever?

1- Acesse o site da URCA: www.cev.urca.br. (Ou então, na página principal do Site da URCA, clique em “Vestibular” para acessar o site da CEV). A partir do dia 29 de junho, estará disponível o espaço para fazer as inscrições.

2- Preencher, no próprio site, todos os dados solicitados. Você receberá uma senha que deverá ser guardada.

3- Ao final da inscrição, imprimir o boleto bancário para pagamento da taxa de inscrição.

4- Efetuar o pagamento do boleto até o dia 17 de julho (último dia de inscrição)

Como e quando pegar o cartão de inscrição?

Também no site www.cev.urca.br no período de 02 a 09 de agosto. Você mesmo deverá imprimir seu cartão e levá-lo consigo no dia da prova. Ele conterá informações sobre o dia, horário e local da sua prova. Vccê deve assinar seu cartão e colar nele uma fotografia tamanho 3 x 4.

Quando será a prova?

A prova objetiva escrita será realizada no dia 16 de agosto, de 8h da manhã ao meio-dia.

Todas as informações acima foram retiradas do edital publicado hoje e editadas por nós do Joaseiro.com para facilitar a compreensão do leitor. Outras informações mais completas (número de vagas, salários, pré-requisitos) e específicas sobre cada cargo (alguns exigem prova de conhecimento específico, prova de títulos, avaliação física, etc) podem ser acessadas no Edital Completo. Para fazer o download do Edital completo, CLIQUE AQUI.

Desde já, boa sorte a todos os candidatos.

Joaseiro.com





Notícias políticas esdrúxulas

15 06 2009

“Ciro Gomes cogita transferir seu domicílio eleitoral para se candidatar ao Governo do Estado de São Paulo”

- E ele vai transferir o voto de todos os cearenses pra lá também? Do contrário, não ganha.

“Suplente de vereador faz greve de fome em frente ao Congresso Nacional, para pedir a aprovação da PEC que aumenta o número de vereadores no país”

- Que apego ao serviço público, que vontade de servir ao povo brasileiro!

“Moroni Torgan se afasta da política para se dedicar exclusivamente à sua igreja”

- Amém!

Joaseiro.com





São João do Crato no Largo da Rffsa

14 06 2009

São João do Crato

Fonte: Blog Agende-se





Conto da Semana

14 06 2009

Recife, 12 de junho de 2009.

Noites de um solitário e a gata “MI MI”

Por Guilherme Patriota

     Enquanto todos dormiam G apenas cochilava para perceber que realmente ninguém mais estava acordado. A perturbação daquela voz de gato que miava, estampava na cara de G que tudo era em vão, os tempos haviam de acabar e ele só podia apenas esperar. Caminhava do quarto ao banheiro há mais de uma semana e ninguém desconfiava de nada, ora, pois bem, ninguém o via, ninguém o enxergava. G era um poço; um poço sem água, com um balde pendurado por uma corda, que balançava, se assanhava por suas paredes pedindo sempre o líquido que ele não tinha. G já não comia, a ingestão de alimentos significava mais um dia de tortura, um dia sem respostas para tantas perguntas, um dia que se multiplicaria por mais dois ou três, os quais nada viriam, nada refletiriam, nada mudariam do que já estava mudado. Por vários momentos pensou em parar, acreditou que poderia voar, ao invés de caminhar do quarto ao banheiro. Tomou um trago, bem forte, imperceptível a todos aqueles que ele acreditava beberem ao seu lado, mas incômodo a digestão. No descer da vodka, G sentiu todo seu organismo em transformação, e deparou-se com o estômago, deformado, cortado, estupidamente ácido no tocar do destilado. G voltou correndo, sugado como uma fita rebobinada que mostra a imagem de trás para frente e com tripla velocidade. Sentiu um cheiro de fumaça; acendeu um cigarro e voltou a caminhar em direção ao suposto banheiro. Parou no corredor, cuspiu toda a parede, e depois, com calma, pediu ao garçom um saquê. Obviamente não foi atendido, e continuou sua caminhada até atingir o vaso sanitário. G estava esquelético e não teve forças para segurar seus óculos que caíram sanitário adentro durante a descarga. Tomou o caminho de volta, outra vez o quarto, o útero, a mãe. Sentiu-se criança, amado, farto de sabores simbólicos que enchem qualquer poço de água, de vinho, de vodka. G já não mais agüentava esperar, resolveu agir, tomar uma decisão que mudasse sua situação, seu dilema. Resolveu não ir ao banheiro, mas esperar que a vontade de urinar fosse certeira e molhasse suas calças para novamente se sentir enxaguado, acariciado pela urina amarelada que se acumulava em seu organismo e que deveras seria expulsa. A urina não veio, G nem mais lembrava. A porta aparentemente entreaberta sugeria a G que alguém estava à espreita, mas resolveu agir sem ação, resolveu esperar para ver se o fim era realmente o início. A porta bateu, G não percebeu e novamente a porta se abriu. G enxergou uma luz ao longe, bem no fundo do corredor que dava para o banheiro, e sua atitude foi de visão, pensou nos óculos, pegou com as duas mãos e pôs o mesmo na face, sobre o nariz, subindo com o dedo indicador, lentamente, a peça inteira até alcançar as lentes aos olhos, então já era tarde, a porta novamente estava fechada. G retirou a peça de seus olhos e forçou a fechadura, abrindo a porta e o zíper ao mesmo tempo. Viu uma torneira derramando água, uma garrafa de coca-cola enchendo um copo, uma fonte das de praça jorrando, uma mamadeira pingando leite e a chuva na janela que a toalha molhava. Não compreendia tanto líquido, mas aquela sensação ainda mais o incomodava, o deixava perplexo, encabulado e direcionado a voltar ao quarto. No fechar da porta viu bananeiras que escoriam pingos da chuva, pingos que molhavam seu rosto, que escorriam por sua barriga, que desciam a sua virilha, que esquentavam sua perna. G sentiu um toque mais forte no ombro, e mais forte foi a sensação de quentura em suas pernas, era como se a realidade do ir vir ao banheiro, que aparentava mais de uma semana, tivesse perdido a noção de tempo. G, muito incomodado, se sentiu acordado por sua mãe, que reclamava: “- Menino! Sempre que você brinca com fogo a noite, você acaba acordando mijado. E o trabalho todo depois fica comigo!” G agoniou-se; penetrou no estágio menos macio do divagar e acabou caindo da cama. Agora, realmente, ouviu “Mi Mi” miando, no chão, ao lado da garrafa de vodka, onde ele havia caído, e teve a nítida sensação de estar acordado: Será?!

Joaseiro.com





Receita para ter um blog de sucesso II

14 06 2009

     Seja polêmico. Escolha alguém para bater e bata forte, não importam os motivos. Deixe seus reais interesses escondidos, arrume algo para criticar alguém e vá em frente. A pessoa criticada rebaterá no mesmo tom, então você deverá se fazer de vítima. Posteriormente, aparecerão pessoas que, como você e o criticado, também gostam de aparecer; eles lhe prestarão apoio, farão notas de solidariedade, defenderão a liberdade de expressão, etc, etc e isso dará muito pano pra manga. Responda a algumas destas colocações, mantenha a polêmica viva por algum tempo. Não importa se você tinha razão ou não, se a contenda trouxe ou não algum crescimento pra você ou para os outros. Se seu lema é “falem mal, mas falem de mim”, você ficará satisfeito com o resultado final: mais audiência pra você e seu blog.

PS 1: Qualquer semelhança com realidade é só mera coincidência

PS 2: Obviamente este post é irônico. Em todos os sentidos.

Joaseiro.com





Ri-di-chulus XLIV

13 06 2009

     “Vídeo show promoveu enquete para que espectadores escolhessem qual programa Francine e Max (ex-BBBs) fariam no Dia dos Namorados”

     -Bestas os que submetem sua vida a esse tipo de exposição ridícula, os que assistem a tal tipo de programa e os que perdem tempo votando em enquetes assim.

Joaseiro.com





Notícias boas

11 06 2009

     É um prazer para nós divulgar quando boas coisas acontecem com a nossa cidade. Infelizmente, há um certo prazer em determinados setores da imprensa em só divulgar notícias ruins (talvez porque encontrem uma gama de leitores pessimistas que gostem de ler/escutar notícias ruins, trágicas, sensacionalistas e, muitas vezes, não chegam nem a valorizar os progressos à sua volta). Segue uma sequência de três boas notícias para a nossa Juazeiro divulgadas nos últimos dias:

Banco do Brasil construirá
nova agência no Pirajá

     O Banco do Brasil tem atualmente duas agências (Centro e Cariri Shopping). Juntamente com o Bradesco, são os únicos da cidade a terem mais de uma agência (este último, ao comprar o BEC, ficou com a agência da Rua Conceição, somando-se à da Santa Luzia). No entanto, é grande a quantidade de clientes do BB e as duas agências atuais já não dão conta da demanda. Basta ir conferir a lotação dia de segunda-feira, por exemplo, tanto nos caixas eletrônicos, nos caixas comuns e nos guichês de atendimento. A localização, na Avenida Ailton Gomes, foi muito bem escolhida, visto ser o Pirajá praticamente um segundo Centro comercial da nossa cidade. A notícia, portanto, é ótima para os usuários do BB; esperamos que a nova agência seja capaz de diminuir as filas e o tempo de espera para atendimento.

 Ronda do Quarteirão em
Juazeiro no fim do mês

     Foi anunciado o início das atividades do Ronda do Quarteirão em Juazeiro do Norte a partir do dia 29 de junho, com 14 viaturas e 42 policiais. Esperemos que os policiais estejam de fato bem preparados e sejam, como diz a propaganda do programa, uma polícia da comunidade, que possa agir prontamente para reprimir e prevenir a violência. A violência em Juazeiro há muito deixou de ser ocasional, pontual, casos isolados; hoje ela é rotina na cidade, principalmente no que se refere a assaltos e assassinatos. Só no último final de semana, foram 7 as mortes violentas aqui.

Criada a Região Metropolitana do Cariri

     A Assembléia Legislativa do Ceará aprovou a mensagem que cria a Região Metropolitana do Cariri, com esse nome mesmo e com as cidades que já estavam previamente acertadas (Juazeiro do Norte, Crato, Barbalha, Missão Velha, Jardim, Nova Olinda, Santana do Cariri, Farias Brito e Caririaçu). São as 3 maiores cidades – o triângulo CRAJUBAR – e todas as cidades que fazem limite com elas. Estranho foi que alguns deputados tentaram incluir outras cidades na RMC, o que foi rejeitado, pois, segundo o Governo do Estado, essas seriam as regras estipuladas por organismos financiadores internacionais, como o Banco Mundial. Perguntamos, até de forma simplória: quem sabe o que é melhor pra nós? Nós ou aqueles que nem do Brasil são? Independentemente se tal cidade deveria ou não entrar na RMC, isso é uma discussão local entre os municípios, não de organismos do exterior. Cheira muito mal essa história. No que é que eles vão querer mandar também depois?

     A criação da RMC proporcionará, pelo menos é o que dizem nossos políticos, uma maior quantidade de verbas, especialmente do Ministério das Cidades, que dispõe de orçamento específicos para regiões metropolitanas. Assim, o dinheiro destinado poderá ser investido para obras que beneficiem vários municípios, promovendo uma maior integraçao entre eles e grandes benefícios a suas populações.

Joaseiro.com





Ri-di-chulus XLIII

10 06 2009

Jornal do Cariri erra feio

erro2

     Como se sabe, a notícia divulgada no dia 08, de que Lula viria a Juazeiro no dia 09 é mentirosa. Na verdade, vem de uma falta de informação tremenda para quem faz cobertura política. O Prefeito Santana é que foi a Brasília para assinar o convênio com o Presidente Lula, no Palácio Buriti, que se escreve com a letra B e não com M. Tal palácio fica lá na capital federal e não aqui em Juazeiro. Alguém já ouviu falar de um palácio com esse nome por aqui? Será possível que confundiram com o nome Muriti, um bairro do Crato? Só quem escreve um jornal sobre o Cariri lá de Fortaleza, sem nem pisar aqui, é capaz de cometer tamanho erro.

     Mas como podem divulgar uma desinformação tão grande desse jeito? Vai ver é a necessidade que esse jornal tem de publicar notícias chamativas, espetaculosas… muitas vezes sem se importar com determinados preceitos jornalísticos, como a busca da verdade.

     Para a reportagem do Jornal do Cariri e pros nossos leitores que não sabem, esclarecemos: o Presidente Lula e seus Ministros e assessores mais próximos estão trabalhando desde o ano passado no Palácio Buriti, que é a sede oficial do Governo do Distrito Federal. Isso porque o Palácio do Planalto está passando por reformas.

     O pessoal do jornal já percebeu o erro (claro, Lula não veio coisa nenhuma ao Cariri!) e mudou a notícia. Vejam no endereço: http://www.jornaldocariri.com.br/site/ver_noticia.asp?cod=688. No entanto, eles mantêm a escrita “Muriti”. Eu, hein? Confundir o Palácio do Buriti de Brasília com o Bairro Muriti do Crato, misturar tudo, dar informações erradas e confundir a cabeça do leitor: dá pra confiar na leitura de um jornal desses?

Joaseiro.com

Veja outras críticas que já fizemos ao Jornal do Cariri:

http://joaseiro.com/2008/12/17/e-muita-cara-de-pau/

http://joaseiro.com/2008/07/12/ri-di-chulus-vi/

http://joaseiro.com/2008/06/08/e-o-compromisso-com-a-verdade/





Pra compensar…

8 06 2009

     Embora o “Verdão do Cariri” tenha caído para a segunda divisão do campeonato cearense de futebol, ele não enfrentará nenhum time caririense na competição. Pois é, o Guarani de Juazeiro e o Crato acabam de ter asseguradas as suas vagas na primeira divisão para o próximo ano. Parabéns às duas equipes!

     Em 2010, portanto, os papéis se invertem: torceremos para Crato e Guarani na primeira divisão e para o Icasa na segundona…

Joaseiro.com





Do leitor: À guisa de uma denúncia

8 06 2009

Uma colaboradora do Joaseiro.com pediu-nos para publicar o relato do fato abaixo, que teria ocorrido há duas semanas aqui em Juazeiro. Como se trata de uma denúncia séria, devolvemos o texto ao seu autor e pedimos para que o revisasse, checando se todos os dados correspondem mesmo à verdade. Ele nos reenviou seu texto, identificou-se e agora o publicamos tal qual nos chegou. Mais do que querer procurar culpados ou promover denuncismo barato, a intenção aqui é produzir questionamentos e reflexões sobre os problemas da segurança pública na cidade e no país. Que sistema é esse, onde todos são afetados pela violência e, paradoxalmente, acabam por também praticá-la de alguma forma? O que precisa mudar no aparelho repressor do Estado para não produzir comportamentos violentos nos policiais nem injustiças para os cidadãos?

Joaseiro.com

Fragmentos da Realidade

Chamo-me Emerson, tenho 17 anos e resido em Juazeiro do Norte há aproximadamente um ano e meio. O fato que narrarei a seguir ocorreu comigo nesta segunda-feira (25).

Estava no Pirajá resolvendo problemas de cunho pessoal; fui obrigado a sair de onde estava por volta das 23h30min e, como não disponho de idade suficiente para dirigir, locomovo-me basicamente de ônibus ou mototáxi.

Como já transito frequentemente nessa região, aprendi que no cruzamento da Avenida Ailton Gomes com a Avenida Castelo Branco há uma pequena barraca de lanches, na qual sempre encontro dois ou três mototaxistas. Por isso desloquei-me pela Ailton Gomes até esse cruzamento.

A um quarteirão de chegar ao meu objetivo, aproximou-se de mim uma dupla em uma motocicleta (um deles trajava uma jaqueta de mototaxista e o garupeiro encontrava-se à paisana). Quando chegaram bem próximo de mim, ouvi o suposto mototaxista perguntar ao garupeiro “É esse?”, ele respondeu positivamente.

Descendo da motocicleta, o garupeiro se aproximou de mim e afirmou que eu havia roubado seu celular, já praticamente enfiando a mão no meu bolso em busca do mesmo. Encontrando o meu celular, afirmou ter encontrado e seguiu em direção à moto. Nesse momento, começamos a discutir até que ele se sentou e autorizou o mototaxista a partir. Para impedir que eles levassem meu celular (Motorola V1075) aproximei-me do passageiro e tentei retirá-lo da motocicleta, todavia, ao ver que ele fazia menção a tirar uma arma da cintura, por algum motivo que desconheço afastei-me e deixei-os partir (tal atitude minha foi estranha, pois não sou o tipo de pessoa que tem medo de morrer ou levar tiros). Menos de 30 segundos após sua partida, passou um outro mototaxista. Pedi-lhe que parasse e seguisse o mais rápido possível em direção ao shopping, caminho que os dois tinham tomado.

Subimos em grande velocidade, mas, não encontramos nossos alvos. Ao chegar à rotatória para o Crato, encontramos uma viatura policial parada e fomos até ela. Chegando aos policiais, expliquei todo o ocorrido e, como já era de se esperar, ouvi a primeira frase marcante da noite: “Amanhã depois das oito horas vá à delegacia e faça um BO”. Desiludido, voltei à minha casa que fica na direção contrária.

No caminho de volta, por acidente encontrei com um dos meliantes, o garupeiro para ser mais exato. Eu e o mototaxista começamos a segui-lo, até que voltamos novamente à Ailton Gomes, onde pedimos ao vigia da rua – homem muito corajoso que patrulha as ruas do Pirajá com uma baladeira/estilingue – que ligasse para a polícia. Ele o fez e, impressionantemente, em menos de 5 minutos uma viatura abordou o indivíduo que agora andava acompanhado de outro homem.
Enquanto a polícia buscava algo com os dois, aproximei-me e meio que por impulso gritei: “Motorola preto, é um Motorola preto”. Eles realmente encontraram um Motorola preto, porém, não era o meu. Em alguns segundos chegou a talvez mais respeitada força policial de Juazeiro do Norte, a ROCAM, formando uma verdadeira multidão de policiais (mais ou menos uns sete policiais). Nesse momento, um dos policiais da ROCAM disse a segunda frase marcante da noite: “Esse aí não é ladrão não, eu conheço, ele é pai de família”.

Vendo que tal história não daria em nada, disse aos policiais que não queria ir à delegacia prestar queixa (afinal, sem flagrante seria a palavra de um moleque transitando de madrugada nas ruas de Juazeiro, contra a de um “pai de família”). Enquanto já falava ao mototaxista para me levar à minha casa, ouvi o vigia dizer: “Espera aí, acho que eles podem ter jogado o celular ali”. Então, seguimos o vigia, eu, o mototaxista e os soldados da ROCAM, enquanto os policiais liberavam os dois cidadãos.

 O vigia nos levou de volta à Ailton Gomes e começamos a procurar, então um dos soldados exclamou: “Rapaz, vá para cara, esse vigia aí é doido”. Já sem nenhuma paciência, falei ao policial que não estava interessado em saber se o vigia era louco ou não, apenas queria encontrar o meu celular. Então ouvi a última – e ultrajante – frase marcante da noite, dita por um dos soldados da ROCAM que, exaltando-se comigo falou: “Pois vá você e esse vigia tomar no **” – confesso que senti grande vontade de convidar a mãe dele para ir conosco, porém, sabia o que iria acontecer depois de dizer isso.

Por fim, não encontramos o celular e eu voltei à minha casa por volta das 00h20min.

Tendo total crença na veracidade do meu relato, subscrevo meu nome em ressalva ao Artigo 5º, Inciso IV da Constituição Federal do Brasil: “É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato.”

Emerson Adão Ferreira

Assim é o fim de, com certeza, mais uma história “bem sucedida” da segurança de Juazeiro do Norte e da “amabilidade” de algumas autoridades – colocadas ali para nós servir e proteger – para com os cidadãos.  Muita gente não deveria estar onde está.

 *Para quem não sabe a ROCAM (Rondas Ostensivas Com Apoio de Motocicletas) foi criada com o objetivo de oferecer uma maior sensação de segurança à comunidade, reforçando o policiamento para tentar diminuir ocorrências como furtos e roubos em semáforos.





Ri-di-chulus XLII

8 06 2009

     “Nunca fui só uma bunda rebolativa, sempre tive outros atributos” – Gretchen.

    – Claro, claro, tanto que hoje em dia ela é lembrada por qual motivo mesmo?

Joaseiro.com