Um comentário que merece ser lido

25 06 2009

     Realmente dá gosto editar o Joaseiro.com. Mesmo quando o tempo nos falta e passamos alguns dias sem postar, eis que os comentaristas continuam as discussões, enriquecendo o conteúdo do blog e nos incentivando a continuarmos o trabalho. É muito bom ter esse retorno de vocês, leitores. Atualmente, uma boa discussão sobre cultura de massa e arte vem se travando no post “Programação da Expocrato 2009″, algo que vale a pena ser lido, pela qualidade dos questionamentos e argumentações expostas. Outro comentário fantástico que nos chamou a atenção foi o do [colunista] Franzé Matos, acerca do conto de Guilherme Patriota postado logo mais abaixo. Franzé sintetizou em poucas linhas grandes reflexões sobre a individualidade humana, os valores nos dias de hoje e banalização de vários aspectos da vida do homem moderno. Reflexões assim merecem ser lidas por todos e, por isso mesmo, reproduzimos o comentário aqui na página principal.

     Aproveitamos a oportunidade em que falamos diretamente aos leitores para agradecer ao Sr. José Gondim, nosso leitor de Fortaleza que nos enviou email elogioso. A ele, nosso forte abraço. E também agradecemos a Luciano Sá, Assessor de Imprensa do Centro Cultural do Banco do Nordeste, que ‘descobriu’ nosso site e agora manda diretamente para o nosso email a programação dos eventos do CCBN. Comprometemo-nos em continuar a divulgar a valorosa a agenda do CCBN, especialmente a do Cariri.

Joaseiro.com

     “O sentimento de angústia no mundo de I é também o meu. Não entendo porque uma pessoa se torna “massa”. Uma pessoa é todo um mundo, mas agimos hoje de maneiras tão semelhantes que tornamo-nos “massa”. 6 bilhões e não mais existem vanguardas? Artistas espetaculares? Grande filósofos? Que contradição é essa?

    Acredito justamente no oposto: há muito mais arte, muito mais literatura, muito mais diversidade que em qualquer época. Mas pela quantidade de novo que a todo segundo surge, torna-se tudo banal demais? E por quê?

     Quantificamos, categorizamos, distinguimos, criamos padrões. É verdade, facilita mais a vida e a ”mudança que cada ser pode dar para seu habitat”, mas aonde isto está nos levando? Literatura é banal, filosofia banal, arte é banal, saber a cada segundo o que ocorre em todo o mundo é banal, destruir a natureza de todo o planeta é banal, quase duas dezenas de países com bomba atômica é banal, a morte é banal, árvore banal, animal banal, tudo banal? Para que viver assim? Se banal tournou-se a vida? Que grande caminho para onde fomos levados.

     O novo é a constância, não mais a ruptura. O “sistema” de hoje vive e se mantém da produção e consumo deste novo. E ele é, antes de virar ruptura, trazido para o seio do sistema como produto que o próprio sistema possibilitou. Nosso pensamento vive sobre uma única lógica. É preciso reverter a própria lógica. Pois a lógica influencia todos nossos pensamentos e ações. E mudarmos os pensamentos e ações e não refundarmos a lógica de onde eles surgem, de que adianta? É muito maior e mais complexo. Vivemos no mundo que é um grão de areia e esquecemos de todo o resto. Em nosso entorno há quatrilhões e quatrilhões de quilômetros pelo universo. Olhando para a mesa a sua frente ela fervilha num movimento incessável e achamos que ela está parada.

    Radicalidade realmente. Precisamos de um grande gole, urgente.”

 Franzé Matos


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3 respostas

25 06 2009
Guilherme Patriota

concordo com quase tudo que você escreveu, e por isso mesmo escrevo meus textos – para gerar algum tipo de discussão entre as pessoas que pensam e acreditam em algo neste mundo da “repetição”. mesmo assim observo que as repetições caminham por vários campos, e temos que ter muito cuidado com estes golpes para não estarmos refletindo ações bruscas que se assemelham, simplesmente pela aparência, mas que não passam de outras repetições. os grandes golpes, que quase nunca houveram, tem que ser bem pensados e não só explorados ao frio ou calor. acredito seriamente que o grande golpe que pode ser aplicada hoje é o golpe cultural, o resto me parece sempre reflexo de algo que já foi tentado. o próprio I reflete mudanças, rupturas, porém tradições de vários paises asiáticos, que lá já não são mais golpes pessoais. é, como você disse anteriormente: é preciso tomar um grande gole.
valeu pela discussão – fico feliz por meu texto poder gerar uma reflexão tão forte e necessária no mundo de hoje.
abraços,
Guilherme Patriota.

26 06 2009
Samuel Sobreira

Grande Franzé! Parabens mais uma vez e concordo contigo em relação a tal lógica que cita. Amenizar…também tenho tentado. Valeu, até mais e por onde andas? =) Abraço.

26 06 2009
Franzé Matos

Fico de fato feliz por não ser um “estrangeiro” de um mundo que é só meu. É o sentimento de espera que, de fato, causa a maior angustia entre os homens. E no momento que minhas angustias tornam-se reconhecidas e apreciadas por vários vê-se que a solidão que nos é incutida é vaga e efêmera. vivemos num mundo e precisamos do reconhecimento do outro, que não é coisa e não deve ser abandonado. Devemos ainda ter um sentimento de preocupação pra além dos nossos limites subjetivos. Seio quanto é difícil, a maioria dessas “quase” palavras de “ordem” evanescem no concretizar de minhas ações. O pensar e agir corretamente é de fato o mais dificil. Dar exemplo por palvras é um grave erro, só as ações tornam-se valores, exemplos. Pois só ações podem ser valoradas. Somos, não resultado do que achamos que somos, não temos uma natureza para além de nossas ações, mas uma existência num mundo complexo e incategorizável. Cada ação nossa é produto da resultante de todo o fluxo temporal que entramos em contato a cada segundo. E a essência do homem é ser esta possibilidade, que essência seria essa então? Cabe a nós fazermos dessa possibilidade uma possibilidade vida Autêntica e não uma mera reprotuvidade na segurança da impessoalidade, banalidade, na segurança do nosso mundo particular. O outro não é algo a ser dominado, mas compreendido como o Outro, todo um ser em ebulição que significa e constroi o mundo assim como nós. Hoje, tendemos a objetificar a natureza, homem, animais, todas as coisas, mas cada um é um universo. Tudo que vês não “é” isso. É todo um universo.

Valeu.

P.s Samuel, daqui uma semana e pouco +- chego pelo juazeiro. Agente marca de tomar algo. Aquele abraço.

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