A consolação da Filosofia – Homenagem a Boécio
No ambiente que me permeia
Sinto no âmago da extensão cutânea
A umidade putrefata dos caminhos que cerceiam
O meu livre caminhar
Que pela falta de liberdade permanecem sozinhos
Encharcados de água no ar
Que de tão úmidos parecem o mar
Mar de lama! E só me resta a cama
E a caneta filosófica usar
Para me afastar dos meus tormentos
Que por uma pena obtusa pagar
Eu deixe de alimentar sentimentos tão vis
Que demovem a noção do ser racional que sou
quE se me deixo vagar
Pelo lado puramente isntintitvo do meu ser
Sinto extremo prazer em concretizar o que pede minha mente
Sofismas e atos doentes
Que me deixam descrente
Da importância do continuar.
Mas pela filosofia
Despejo em tintas minha agonia
E mancho o papel em busca da consolação
Que traz a perfeição de saber que Deus é o próprio bem
E que quem leva uma vida justa e virtuosa
Tem cadeira certa no mundo dos intelectíveis
Pois superar este corpo, que é caverna
É entender a contradição da matéria
E saber que essa mesma contradição
É condição para a verdade
E no caminho do saber sigo pelos anos.
E as prisões materiais que me prendem
Fizeram florescer vivaz energia
Transformando a agonia na força que impulsiona
O livre voar do meu pensamento
Que descobriu a verdade
E que em meu corpo já não habita
E sou princípio de tudo que exista
O puro ato de criar
Sou o próprio nada em movimento.
Joaseiro.com
quando li o texto não resisti e resolvi escrever algo, pois esta sensação, diria, de Augusto dos Anjos, tomou conta também do meu pensar.
os ambientes que permeiam,
e que odeiam, e que vagueiam,
refletem a própria reflexão,
e são vis e por vezes são bons,
e são sinceros até em suas teias
que por horas clareiam e por horas escurecem o pensar.
e a humidade por vezes não é só densidade derradeira,
por vezes também é primeira no ato de entender e raciocinar,
de gerar, por água, aquilo que não queremos enxergar.
fiquei pensando o que seria de nós sem as tormentas que dão em arte, que se tornam nostálgicas alegrias do que foi aspero em pensamento e fruto vivo do criar.
me parece muito a noção da função em revelação, em desapego com o que não conseguimos enxergar, mas praticamos.
muito bom! livre e preso ao mesmo tempo, como são as ações tipicamente humanas.
Guilherme Patriota.