Poema da semana

28 06 2009

A consolação da Filosofia – Homenagem a Boécio

Por Franzé Matos

 

No ambiente que me permeia

Sinto no âmago da extensão cutânea

A umidade putrefata dos caminhos que cerceiam

O meu livre caminhar

Que pela falta de liberdade permanecem sozinhos

Encharcados de água no ar

Que de tão úmidos parecem o mar

Mar de lama! E só me resta a cama

E a caneta filosófica usar

Para me afastar dos meus tormentos

Que por uma pena obtusa pagar

Eu deixe de alimentar sentimentos tão vis

Que demovem a noção do ser racional que sou

quE se me deixo vagar

Pelo lado puramente isntintitvo do meu ser

Sinto extremo prazer em concretizar o que pede minha mente

Sofismas e atos doentes

Que me deixam descrente

Da importância do continuar.

Mas pela filosofia

Despejo em tintas minha agonia

E mancho o papel em busca da consolação

Que traz a perfeição de saber que Deus é o próprio bem

E que quem leva uma vida justa e virtuosa

Tem cadeira certa no mundo dos intelectíveis

Pois superar este corpo, que é caverna

É entender a contradição da matéria

E saber que essa mesma contradição

É condição para a verdade

E no caminho do saber sigo pelos anos.

E as prisões materiais que me prendem

Fizeram florescer vivaz energia

Transformando a agonia na força que impulsiona

O livre voar do meu pensamento

Que descobriu a verdade

E que em meu corpo já não habita

E sou princípio de tudo que exista

O puro ato de criar

Sou o próprio nada em movimento.

Joaseiro.com


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Uma resposta

2 07 2009
Guilherme Patriota

quando li o texto não resisti e resolvi escrever algo, pois esta sensação, diria, de Augusto dos Anjos, tomou conta também do meu pensar.
os ambientes que permeiam,
e que odeiam, e que vagueiam,
refletem a própria reflexão,
e são vis e por vezes são bons,
e são sinceros até em suas teias
que por horas clareiam e por horas escurecem o pensar.
e a humidade por vezes não é só densidade derradeira,
por vezes também é primeira no ato de entender e raciocinar,
de gerar, por água, aquilo que não queremos enxergar.
fiquei pensando o que seria de nós sem as tormentas que dão em arte, que se tornam nostálgicas alegrias do que foi aspero em pensamento e fruto vivo do criar.
me parece muito a noção da função em revelação, em desapego com o que não conseguimos enxergar, mas praticamos.
muito bom! livre e preso ao mesmo tempo, como são as ações tipicamente humanas.
Guilherme Patriota.

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