Anedota

15 07 2009

Um ladrão foi roubar galinhas justamente na casa de Rui Barbosa. Com toda aquela eloqüência que lhe era peculiar, Rui Barbosa falou:

- Não é pelo bico de bípede, nem pelo valor intrínseco do galináceo, mas por ousares transpor os umbrais de minha residência. Se for por mera ignorância, transito, mas se for unicamente para menoscabar da minha alma prosopopéia, juro pelos tacões metabólicos dos meus calçados que dar-te-ei tamanha bordoada no alto da tua sinagoga que vais a mais raso que o solo pátrio.

O ladrão, todo sem graça, perguntou:

- Mas como é, “Seu Rui”, eu posso levar o frango ou não?

Joaseiro.com

P.S.: Trecho da anedota é reproduzida, com modificações, no preâmbulo da faixa título do CD “Vô Imbolá”, de Zeca Baleiro.





Saiu por aí

14 07 2009

     “Reforma no Aeroporto de Juazeiro deve começar em três anos”

     Besteira, a gente nem tá com pressa mesmo…

Joaseiro.com





13 de Julho, Dia Mundial do Rock.

13 07 2009

Live Aid e o Dia Mundial do Rock

A maioria das datas importantes celebradas em nosso calendário requer uma reflexão sobre os acontecimentos que norteiam essa ostentação, fazendo com que nos debrucemos aos fatos e busquemos através da história a origem do dia comemorativo.


Por Alexandre Saggiorato | Em 12/07/09 | do site Whiplash.net

Como o dia mundial do rock aproxima-se, nada melhor do que explorar esse tema tão envolvente e importante para o mundo da música jovem. O rock originou-se nos Estados Unidos na década de 1950 e ganhou o mundo a partir daí, passando por diversas modificações sonoras e visuais. Mas é importante ressaltar que o dia mundial do rock não é apenas um dia estipulado por sua música ou pela mídia, mas também pelo seu envolvimento político e social que crescia a cada década e que foi simbolizado durante o festival de rock LIVE AID, realizado em 1985.

BOB GELDOF, compositor, humanista e vocalista da banda BOOMTOWN RATS, idealizou juntamente com MIDGE URI o evento que foi realizado no dia 13 de julho de 1985. O concerto aconteceu simultaneamente nos estádios JFK na Filadélfia nos Estados Unidos e no estádio Wembley em Londres na Inglaterra, e contou com a presença de diversos artistas, entre eles: STATUS QUO, Led Zeppelin, DIRE STRAITS, MADONNA, QUEEN, JOAN BAEZ, DAVID BOWIE, B. B. KING, MICK JAGGER, STING, U2, PAUL MCCARTNEY e PHIL COLLINS que curiosamente conseguiu tocar nos dois estádios, embarcando em um avião rapidamente após o show na Inglaterra rumo aos EUA.

O evento teve como objetivo principal e utópico, o fim da fome na Etiópia e foi transmitido pela BBC para diversos países. ERIC CLAPTON que também se apresentou no festival comentou em sua autobiografia sobre os momentos que antecederam sua apresentação no festival: “Nos hospedamos no Four Seasons Hotel, onde cada quarto estava ocupado por músicos. Era a Music City, e como a maioria das pessoas, fiquei acordado a maior parte da noite na véspera do concerto. Não pude dormir de nervoso. Deveríamos subir ao palco ao anoitecer, e fiquei assistindo às apresentações dos outros músicos na TV durante a maior parte do dia, o que provavelmente foi um erro psicológico”.

Como podemos notar nas palavras de Clapton o festival foi muito importante e tomou uma proporção monstruosa devido à diversidade de artistas a se apresentar, sem contarmos a responsabilidade dos músicos envolvidos em um projeto grandioso como esse. Para termos uma idéia, alguns artistas ainda se apresentaram em Moscou, Sidney e Japão.

Após 20 anos do evento, BOB GELDOF realizou em julho de 2005 o LIVE 8, uma espécie de “nova edição”, onde pôde contar com uma estrutura ainda maior, além da colaboração de inúmeros músicos para a solidificação de suas idéias, às quais, ainda se fundamentam em pressionar os principais líderes mundiais (o G8) para perdoar a dívida externa das nações mais pobres do mundo. Além disso, GELDOF firma-se na proposta de liberdade, ensino, cuidados médicos básicos para todas as crianças, remédios para portadores de AIDS, entre outras metas, que se depender de seu empenho, serão no mínimo amenizadas ou repensadas pelos líderes mundiais.

Fonte: Whiplash.net

***

Obs: Em virtude deste dia vamos postar, por toda esta semana, matérias relacionadas, vídeos e letras de bandas clássicas do tão aplaudido e eterno Rock And Roll. Em lugar de bandas de Forró de Plástico e letras de conteúdo sem relevância, esta homenagem à eminência de um estilo musical que se firmou pelo som forte e envolvente aliado à poesia e engajamento político e social de suas letras é de grande merecimento neste blog que tem por uma de suas metas a mudança na consciência política do nosso povo. Certamente, uma música que se tornou conhecida por méritos reconhecidos e relembrados ano após ano em nome de uma causa que, embora utópica, é um pouco o “Imagine” de todos nós.

Imagine
John Lennon
Imagine
John Lennon
Imagine there’s no heaven,
It’s easy if you try,
No hell below us,
Above us only sky,
Imagine all the people
living for today…

Imagine there’s no countries,
It isnt hard to do,
Nothing to kill or die for,
No religion too,
Imagine all the people
living life in peace…

Imagine no possessions,
I wonder if you can,
No need for greed or hunger,
A brotherhood of men,
imagine all the people
Sharing all the world…

You may say I’m a dreamer,
but Im not the only one,
I hope some day you’ll join us,
And the world will live as one

Imagine que não exista nenhum paraíso,
É fácil se você tentar.
Nenhum inferno abaixo de nós,
Sobre nós apenas o firmamento.
Imagine todas as pessoas
Vivendo pelo hoje…

Imagine que não exista nenhum país,
Não é difícil de fazer.
Nada porque matar ou porque morrer,
Nenhuma religião também.
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz…

Imagine nenhuma propriedade,
Eu me pergunto se você consegue.
Nenhuma necessidade de ganância ou fome,
Uma fraternidade de homens.
Imagine todas as pessoas
Compartilhando o mundo todo.

Você talvez diga que sou um sonhador,
Mas eu não o único.
Eu espero que algum dia você junte-se a nós,
E o mundo viverá como um único.

Joaseiro.com





“Vestidas de Branco” no CCBN

13 07 2009

Mostra de Nelson Leirner propõe viagem bem-humorada ao mundo do casamento e da sociedade de consumoVestidas de branco2

Um grande tapete vermelho dá o tom da celebração de “Vestidas de Branco”, a exposição de Nelson Leirner no Centro Cultural Banco do Nordeste-Cariri, em Juazeiro do Norte (Rua São Pedro, 337 – Centro – fone: (88) 3512.2855), que terá o casamento como tema, a partir da próxima terça-feira, 14, às 19 horas. Gratuita ao público, a mostra individual de Nelson Leirner ficará em cartaz no CCBNB-Cariri até o próximo dia 28 de agosto (horários de visitação: terça-feira a sábado, de 13h às 21h). A exposição tem curadoria de Moacir dos Anjos.

Um dos mais expressivos vanguardistas dos anos 1960

A criação é de Nelson Leirner, artista considerado um dos mais expressivos representantes do espírito vanguardista dos anos 1960, no Brasil e no mundo, e cujas realizações têm como foco a popularização da arte, a participação e identificação do público. Suas obras, emblemáticas e instigantes, criam um elo imediato de identificação com as pessoas, através dos elementos que ele utiliza, sempre familiares ao cotidiano do povo.

Em “Vestidas de Branco”, Nelson Leirner propõe uma viagem pelo mundo do casamento, da cerimônia à maternidade; da festa à lua de mel, do erotismo dos casais ao inevitável mundo do consumo. Com muito humor e irreverência, características inerentes ao artista.

A idéia de fazer uma exposição sobre o tema surgiu quando Leirner visitou o Museu Vale, em Vila Velha no Espírito Santo, e ficou impressionado com a quantidade de noivos e noivas que vão ao local diariamente para fazer as fotos do álbum de casamento. Com as roupas da cerimônia, muitas vezes acompanhados dos pais e damas de honra, eles escolhem os mais bonitos ângulos dos jardins daquele Museu.

“Parto muito da observação para realizar o meu trabalho. E a imagem dos noivos fotografados nas mais diversas poses não saiu mais da minha cabeça. Então, decidi: é isso! Está dado o tema da exposição”, conta o artista. “Vestidas de Branco” tem curadoria de Moacir dos Anjos e produção da Imago Escritório de Arte.

A mostra

Um enorme tapete vermelho na área central do espaço leva aos noivos; nas laterais, os convidados: imagens de santos, soldados, divindades afro-brasileiras, bonecos infantis e réplicas de animais, criações do artista já reverenciadas nas obras A Grande Parada (1998), O Grande Desfile (1984), O Grande Combate (1985) e O Grande Enterro (1986). No final da extensão do tapete, os noivos.

A caráter, e com caras de macaco!, outra marca registrada nos trabalhos de Leirner desde os anos 1970. “O macaco é único. É o animal que mais se assemelha ao homem e com o qual o homem tem grande identificação”, diz o artista ao lembrar de sua recente participação na Arco, em Madri, quando os seus macacos fizeram enorme sucesso.

A festa começa com o bolo, de seis andares, Padre Cícero ao alto, e uma série de bonecos do folclore brasileiro, personagens místicos e folclóricos que Nelson Leirner costuma utilizar em seus trabalhos. A música será representada por estantes de partituras e máscaras de macacas.

A “cena” seguinte é a Lua de Mel, com dois ambientes: praia e campo. No primeiro, barracas e cadeiras de praia. Na “cena” do Campo haverá um bosque de grama artificial, com 32 peças de base fina e fotos ovaladas de grama.

O erotismo dois noivos será lembrado com as imagens de três noivas: uma cercada de objetos de petshop, com apelo fálico; outra cercada de macacos; e a terceira, com flores artificiais de madeira também com aspecto fálico.

A penúltima instalação remete à Maternidade. Doze berços, com 12 macaquinhos de pelúcia, representarão a concepção. Por fim, o consumismo, com a instalação Bagalot, uma estrutura que ocupará a parede do fundo da sala com 500 bolsas coloridas penduradas.

Vestidas de branco3

“Vestidas de branco”, por Nelson Leirner

” … A idéia é representar o casamento, fazendo uma passagem do presente para o futuro, e deste para o passado. Será uma exposição espelhada, sem espelho. Ou seja, com a possibilidade de percorrê-la na ida, dentro estilo cronológico do casamento, da cerimônia à maternidade e ao consumo; e na volta, depois de experimentar as várias etapas e poder viver novamente o passado, o momento onde tudo começou”.

O artista

Nelson Leirner possui uma obra marcadamente política, na qual os traços de humor e corrosão crítica caminham juntos. Sua produção abrange diversas linguagens e suportes, entre eles objeto, happening, instalação, outdoor, desenho, gravura, design e cinema experimental.

Em todos os meios, afirma sua posição crítica e irônica ao sistema da arte abrindo brechas ao entendimento do público não-iniciado, através da utilização de materiais familiares ao povo, como imagens de santos e entidades do candomblé, soldadinhos, pequenos brinquedos, animais e adesivos autocolantes.

Nascido em São Paulo, em 16 de janeiro de 1932, Nelson Leirner, 77 anos, é considerado um artista polêmico, irreverente, contestador. Ele busca atingir as ruas de forma a criar indagações nas pessoas, e utiliza várias estratégias estéticas e/ou comportamentais de forma experimental, mesmo que isso cause certo estranhamento. O artista se recusou a participar das Bienais de 1969 e 1971 durante o período da ditadura.

Em 1974, criticou o regime militar através da série A rebelião dos Animais. Leirner iniciou a carreira na década de 1950 e, desde então, participou de mais de uma centena de coletivas, além de realizar individuais no Brasil e em várias partes do mundo e de atuar como professor em cursos de arte por mais de duas décadas.

Leirner fala sobre essa identificação: “o público em geral, independentemente do grau de instrução, se identifica muito com o meu trabalho, com os elementos que eu uso, mesmo não conseguindo conceituá-lo (porque a arte é elitista, carrega um conceito, o artista carrega um pensamento). O fato e que há uma identificação em si mesma, uma atração imediata. Não que eu faça uma arte para grandes públicos, mas o grande público se identifica com os elementos que uso, e as pessoas se encantam por reconhecerem na arte objetos muito familiares, como Iemanjá, São Sebastião, Saci etc. O meu maior fã clube são as crianças. Quando eu faço os stickers eles conhecem, eles identificam todos os elementos que vêem nos programas de televisão, nas revistas, nas histórias em quadrinhos”.

ENTREVISTAS E INFORMAÇÕES ADICIONAIS:

* Nelson Leirner – (21) 8786.9931 (falar com a coordenadora da exposição, Maria Clara Rodrigues) / (21) 2285.1914 / 2225.7470 (falar com Joana Coimbra, assistente de produção) – producao@imagoarte.com.br <mailto:produção@imagoarte.com.br>

* Anastácio Braga (gerente do CCBNB-Cariri) – (88) 3512.2855 / 8802.0363 – anastacio@bnb.gov.br

* Jacqueline Medeiros (coordenadora de Artes Visuais do CCBNB) – (85) 3464.3184 / 8851.5548 – jacquerlm@bnb.gov.br

* Luciano Sá (assessor de imprensa do Centro Cultural Banco do Nordeste) – (85) 3464.3196 / 8736.9232 – lucianoms@bnb.gov.br

Fonte: Assessoria de Imprensa do CCBN





Sobre as estradas do Cariri

13 07 2009

Estradas: A buraqueira que nos cabe e estamos dentro

Por José Cícero
Era uma vez uma estrada.
Algo que nos proporcionava alegria
E às vezes até esperança porque era sinônimo de futuro
E de progresso: BR-116
Rodovia pomposa conhecida, famosa – Santos Dumont.
Uma vontade forte de avançar, seguir sempre em frente.
A estrada era como se fosse artérias e veias
A irrigar toda a vida da nossa sociedade.
Uma estrada que nos ligava ao mundo
assim com ao nosso próprio sonho de grandeza.
Uma promessa firme com o encontro possível.
Agora, não passa de um buraco gigante
a instigar nossa raiva e nossa (des)confiança.
Um atentado. Um grito silencioso de protesto.
Uma vergonha explícita. Uma afronta…
Um desrespeito a toda sociedade cearense
E do Cariri em especial.
Uma tácita declaração de que paciência tem limite.
Quem ver e passa nas nossas estradas hoje,
não se sentirá parte dela como dantes.
É como se estivéssemos sobre o solo lunar
Sequer com a presença de São Jorge no seu perene cavalgar.
Se é verdade que governar é construir estrada;
Estamos todos sob o regime de Bakunin.
Somos para o todo e sempre seres ingovernáveis.
Nossas estradas é um câncer em acelerado processo de evolução.
Uma praga a ferir de morte todo o nosso bom senso.
Uma evidência concreta de que o povo
Ainda permanece no extenso rol dos esquecidos.
Enquanto isso, eles, os políticos, preferem o avião.
Ora bolas, para que serve o povo?!
O povo só presta para votar?
Ano que vem tem mais eleição.
E as estradas devem permanecer assim: uma lástima.
(…)
Quem precisa usar nossas estradas, hoje,
Como lida cotidiana e meio de vida
está desde muito, submetido a uma via-crúcis das mais penosas.
Além de ter que enfrentar outros males perigosos
Como assalto, acidentes, prejuízos financeiros com os veículos,
bem como até mesmo a política propina viciada…
Ou não podemos falar sobre isso?
Mas todos sabem do que estou falando.
A propina é uma prática antiga nas nossas estradas…
Uma política literalmente institucionalizada.
A que os motoristas passaram a encarar como normal.
Se não tivesse desmantelado o transporte ferroviário
Quem sabe o fantasma da buraqueira pudesse ser amenizado.
Mas não. O transporte rodoviário é um compromisso com o lobby
Dos poderosos do setor.
O setor rodoviário gera votos e garante
a manutenção e permanência de muitos que estão lá em cima,(no céu de brigadeiro)
batendo no peito se dizendo representantes dos oprimidos.
O que temos agora é apenas um buraco, quanto muito, cheio de caminhos.
Mas, perguntemos: a quem pode interessar tudo isso?
Por que o descaso explícito?
Ao povo sabemos que não interessa este caos.
(…)
Todo o progresso depende necessariamente das nossas estradas melhoradas.
Não tê-las é simplesmente aceitar a realidade do atraso,
Incompetência e malversação dos nossos impostos e dos recursos públicos.
Os buracos das nossas estradas se parecem a cada dia,
Com os discursos fisiológicos dos nossos políticos carreiristas.
Nossas estradas só servem hoje para os aviões dos magnatas do poder e do capital.
Os buracos das estradas é a prova de uma nação fragilizada
e que não tem ( e nem demonstra) compromisso com o futuro.
Um crime, um delito cometido contra cada cidadão.
Portanto, um crime de responsabilidade. Um agravo à sociedade.
Queremos estrada como um direito elementar dos que ainda acreditam nos políticos
Assim como na perspectiva de um futuro de progresso e desenvolvimento para o Brasil…
Quem casa, quer casa. Quem viaja e sonha, quer estrada.

(*) O autor é Professor, Poeta, Pesquisador e
exerce a Secretaria de Cultura, Turismo e Desporto de Aurora – CE
Joaseiro.com




Conto da Semana

12 07 2009

Recife, 03 de julho de 2009.

“O excesso de luz cega a vista.

O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demasia estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isto, o sábio em sua alma

Determina a medida para cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o invisível.”

(Lao-Tse)

A Horta Comunitária dos Sonhadores

Por Guilherme Patriota

Talvez a leitura seja uma das coisas mais importantes para a cultura programada do ser humano, mas em casos mais raros o degustar do vício se torna uma doutrina quase que incorrigível de repetições e mais repetições do que não foi vivenciado, e assim foi com a vida de PR. Ele acordava cedo para ler Proust ou Joyce, pois ao meio-dia tinha que iniciar suas leituras de poesias ultra-românticas, visualizando o estudo filosófico do início da tarde e as leituras científicas do final, para que no começo da noite pudesse sair para encontrar os colegas e logo voltar para casa e tentar compreender textos biográficos que versavam sobre o homem em estado artístico. PR, aos quarenta anos, já havia lido mais de três mil livros, mil trezentos e cinqüenta notoriamente identificados nas primeiras páginas de uma agenda que ele sempre carregava em baixo do braço, no entanto estes dados e seu PHD na escola de estudos culturais da Inglaterra não solucionaram o sentido de compreensão de sua própria vida. No pouco tempo que tinha com colegas, não amigos, pois PR não tinha paciência de ouvir aqueles conhecidos de infância que falavam sobre trabalho, dificuldades do lar, do dia-a-dia, ele apenas condicionava a conversa dos rapazes e moças, de sua velha cidade, a análises, sempre aplicando dizeres de algum de seus tantos ídolos literários como forma de convencimento e sabedoria superior sobre a vida dos outros. PR morava com os avós, pois seus pais, quando ele completou vinte e oito anos, transferiram todas as responsabilidades convencionais e financeiras da vida de um cidadão para as mãos do jovem leitor, e PR não teve saída mais simples do que ir morar com os avós que tanto o amavam – ele era o único neto do casal quase centenário. A aristocrática família de PR nunca permitiu que ele mexesse uma palha sequer quanto às resoluções práticas do cotidiano. Ele não lavava, não passava, não cozinhava, não trabalhava, não pagava, não participava, não recondicionava; apenas lia. Quando os pais promoveram PR ao que os escritores capitalistas chamam de liberdade, ele sentiu que a perdeu, e, pior, percebeu que poderia perder sua leitura, seu único ente incondicionalmente querido. Morando com seus avós na velha e mesma cidade de sua infância, PR intensificou monstruosamente seu índice de leitura e transformou sua vida em um campo literário daqueles que só as palavras escritas é que têm valor. Todos desacreditavam PR naquela pequena localidade, pois lá a moral de um homem que vive de sonhos sempre foi descartada, impregnando-se todos os horizontes com aqueles dizeres de que “o trabalho engrandece o homem”. PR não ouvia, pois a paciência lhe faltava e, ao mesmo tempo, era totalmente preenchida pelos próprios livros, que o envolviam, que o cativavam a devanear e devanear em sua singular realidade. No aniversário de cem anos de seus avós, quem recebeu o presente foi PR, tudo bem que não era o mais desejado, pois o casal de idosos havia viajado sem rumo pelo mundo deixando uma carta de liberação para o neto, afirmando que agora sua vida estava por sua própria guia, por seu próprio intuito. PR, não tão perturbado como da primeira vez que foi “libertado”, pelos seus pais, juntou seus melhores livros e partiu para a rua. A cidade inteira já tinha noção de tudo, e deixaram PR por duas noites se virar com pequenas porções de alimento doadas pelos, agora, colegas de convivência – os sujeitos das ruas. A vitalidade e a disciplina de PR surpreendiam a todos, dado que não perdera nenhum dos seus hábitos de leitura no quando do habitar a praça. O sentido de [in]desejo dos habitantes daquela cidadezinha, não permitia que PR pudesse sobreviver daquela forma, ativando um inconsciente/consciente coletivo de não ajudar ao ex-aristocrata leitor que se recusava a render-se aos moldes de vida dos cegos do social. O tempo passou e PR continuava feliz, lendo, lendo, lendo, e agora cercado de amigos “ignorantes” que adorava ouvir. Para PR, ao contrário dos colegas de outrora, os mendigos falavam por uma verdade própria que estava “para além do bem e do mal” de sua também verdade, referendando que os sonhos, muitas vezes, e para alguns e outros de formas diferentes, podem ser pequenos traços de montagem para um quebra-cabeças chamado realidade. PR e seus amigos foram e ficaram isolados de sua sociedade, adotando o canteiro central da praça ao fundo do cemitério, com a autorização de sabe-se lá quem, de boa fé, na prefeitura, como “horta comunitária dos sonhadores”, que produzia o essencial a sobrevivência alimentar dos mesmos e servia como biblioteca pública a céu aberto daquele município. Em três anos PR ensinou todos os mendigos da cidade a ler e escrever, cativando um drink diário de sonhos para todos aqueles que não tinham o direito de sonhar. A “horta comunitária dos sonhadores” ganhou outros campos quando um crítico literário bisbilhoteiro a descobriu, pelas palavras de sua fonte “como um ato louco de um aristocrata exótico que quer aparecer”. Publicada a primeira notícia no jornal, relatando a nova comunidade intelectual formada no interior do país por mendigos leitores, todos os veículos de comunicação internacionais queriam conhecer e entrevistar o suposto líder daquela irmandade. PR recusou, pois afirmava não existir irmandade alguma, apenas a resolução de algo que naturalmente teria que se resolver. Mesmo não sendo o desejo de todos, a horta tornou-se ponto turístico daquela cidade, e a não irmandade teve que identificar seu território, agora novamente compartilhado pela população, com uma placa escrita a mão por PR: “A Horta Comunitária dos Sonhadores – Decidi ensinar quando parei de ler. Ao parar de ler descobri que nos homens os vícios sempre irão existir, e somos obrigados a passar alguns destes corriqueiros para nossos iguais, cativando a continuidade das ações quando estas geram sonhos. Passei quase meio século me dedicando a algo que imaginava ser meu, até descobrir que o que era realmente próprio estava resguardado. De tanto sonhar, devaneando por o que não era, acabei encontrando um real caminho, acreditando em mim mesmo, e agora nos outros que também são meus.”

Joaseiro.com





“Talentos Cariri”?

12 07 2009

[Texto publicado originalmente em 25/05/2008 e reproduzido novamente na página principal em 12/07/2009 por estar sendo alvo de novos comentários por parte dos leitores.]

Impressiona o quanto certas pessoas se esforçam para manter em “alta” na “alta” sociedade. Criam-se fatos, eventos, premiações, tudo para manter-se em evidência. Quase sempre, as mesmas pessoas são as homenageadas (e geralmente são elas quem patrocinam os eventos), e são as mesmas pessoas que as homenageiam. Todos fingem: os homenageados fingem que realmente merecem algo digno de nota e quem presta a “homenagem” finge acreditar que realmente está prestando algum serviço à sociedade.

Sob a desculpa de “valorizar quem trabalha”, “quem luta pelas causas sociais” ou “quem presta relevantes serviços à cidade” todos se promovem, num verdadeiro espetáculo vazio de culto à mediocridade. Discursos feitos e grande perda de tempo! O principal objetivo é o “glamour”, o “destaque” (quanta besteira!). No Cariri, temos várias premiações do tipo “Talentos Cariri”, “Destaques do ano”, “Top of…”, “Troféu…”, “Miss … e Mister…”, enfim, sobra criatividade para nomear a falta de criatividade.

Ao final desses eventos (devidamente divulgados pela imprensa local), todos vão pra casa felizes (e se auto-enganando) com uma placa que será exposta no dia seguinte “O melhor empresário do ramo”, “O melhor médico da especialidade”, “O melhor jornalista”, “O melhor programa”, “O melhor qualquer-coisa-que-dê-dinheiro”. Na verdade, o único mérito dos agraciados, se é que podemos chamar assim, foi pagar para obter uma premiação de um título que foi falsamente aferido mediante “pesquisa de opinião pública”.

Tamanha hipocrisia só pode ser melhor avaliada nos versos de Noel Rosa, que já foram cantados por Chico Buarque e por Zeca Baleiro:

Quanto a você da aristocracia

que tem dinheiro,

mas não compra a alegria,

há de viver eternamente

sendo escravo dessa gente

que cultiva a hipocrisia!

“Filosofia” – Noel Rosa

Joaseiro.com





Recordações

11 07 2009

Cidade de cor

Por Evelyn Onofre*,

Minha pequena cidade é colorida em tudo
Composta por cores quentes e vibrantes
O calor alaranjado do sol, a avermelhada dor do povo
Os muros pintados com as mãos,
São alegorizados por frases de palavras pequenas
Para tocar realmente quem se aproxima

Minha pequena cidade também tem um lado
Meio branco e preto, meio amarelado
Cores corroídas pelo tempo, e pelas mãos de novos jovens
São os mesmos lugares com as mesmas pessoas
As praças com os velhinhos da vida inteira – parece que não morrem nunca
Jogando dominó, porrinha, bebendo cachaça, fazendo poesia ou
Cantando a gafieira do Moreira, relembrando setembros passados

Minha pequena cidade também tem um lado só verde
Cheiro de árvores de troncos largos, cheiro do sul do estado, do sertão
Com velhos sítios cheios de armadores e com mesas grandes
Colheres de pau, caldeirões de sopa e pilão pra fazer paçoca
Mais atrás, no quintal, tem poleiro, varal, horta e sombra pra dedéu
Esse lugar é pra relembrar, com cheiro e tudo, a vida do nosso avô na terra ou no céu

Minha cidade tem cor de saudade, coisa mesmo de interior
De amigos que vão e voltam, só pra reviver a mesmice
É o primeiro nome da lista de viagens cheias de ansiedade
Principalmente em julho, mês do clima bom pra chegar mais perto
E enquanto não voltamos, ficamos aqui, só resmungando, não que seja ruim
Mas a cidade da nossa infância, geralmente é mais querida, mais saudosa

Minha cidade tem o céu mais azul, as nuvens mais brancas
A lua é tão cheia de vida que dá até pra ver São Jorge no cavalo
O calor mais quente e o frio tão atraente
Minha cidade é mesmo de cor, cor dos que voltam sempre
Cheia de verde, cheia de rosa, cheia de água, mas nada de mar
Cidade sem cartão-postal, mas com visita garantida dos que regressam

Sítio no Conjunto Cohabece

Sítio no Conjunto Cohabece (Evelyn Onofre)

Clique na imagem para ampliar.

Joaseiro.com

* Texto e fotografia enviados pela leitora, estudante de comunicação social, fotógrafa e hoje residente em Fortaleza – CE.

Cidade de cor

Minha pequena cidade é colorida em tudo

Composta por cores quentes e vibrantes

O calor alaranjado do sol, a avermelhada dor do povo

Os muros pintados com as mãos,

São alegorizados por frases de palavras pequenas

Para tocar realmente quem se aproxima

Minha pequena cidade também tem um lado

Meio branco e preto, meio amarelado

Cores corroídas pelo tempo, e pelas mãos de novos jovens

São os mesmos lugares com as mesmas pessoas

As praças com os velhinhos da vida inteira – parece que não morrem nunca

Jogando dominó, porrinha, bebendo cachaça, fazendo poesia ou

Cantando a gafieira do Moreira, relembrando setembros passados

Minha pequena cidade também tem um lado só verde

Cheiro de árvores de troncos largos, cheiro do sul do estado, do sertão

Com velhos sítios cheios de armadores e com mesas grandes

Colheres de pau, caldeirões de sopa e pilão pra fazer paçoca

Mais atrás, no quintal, tem poleiro, varal, horta e sombra pra dedéu

Esse lugar é pra relembrar, com cheiro e tudo, a vida do nosso avô na terra ou no céu

Minha cidade tem cor de saudade, coisa mesmo de interior

De amigos que vão e voltam, só pra reviver a mesmice

É o primeiro nome da lista de viagens cheias de ansiedade

Principalmente em julho, mês do clima bom pra chegar mais perto

E enquanto não voltamos, ficamos aqui, só resmungando, não que seja ruim

Mas a cidade da nossa infância, geralmente é mais querida, mais saudosa

Minha cidade tem o céu mais azul, as nuvens mais brancas

A lua é tão cheia de vida que dá até pra ver São Jorge no cavalo

O calor mais quente e o frio tão atraente

Minha cidade é mesmo de cor, cor dos que voltam sempre

Cheia de verde, cheia de rosa, cheia de água, mas nada de mar

Cidade sem cartão-postal, mas com visita garantida dos que regressam





Nós tentamos…

11 07 2009

.

Um dia conseguiremos.

***

Postagem dedicada às produtoras de eventos, políticos e imprensa da região.

Joaseiro.com

Fonte da tirinha: http://rafaelsica.zip.net





Falando em preocupações eleitorais…

10 07 2009

     Além daqueles políticos que não têm mandato, aqueles que o têm mas não o exercem de forma satisfatória começam a tremer de medo de não conseguirem obter a reeleição. É o caso do deputado federal Manoel Salviano (PSDB-CE), cuja principal base eleitoral é Juazeiro do Norte, de onde já foi prefeito em duas oportunidades.

     Como deputado federal a atuação é Salviano é pífia: sequer durante a gestão de Raimundo Macedo (que tinha um filho de Salviano como vice e que pertenceu aos quadros do PSDB durante os quatro anos em que foi prefeito), o parlamentar alocou verbas para obras e empreendimentos em Juazeiro. Se na gestão de um correlegionário e de seu filho  Salviano não contribuiu para a melhoria da cidade, imaginem agora que a cidade é governada por um adversário de outro partido.

     Como, então, Salviano pedirá votos ao povo de Juazeiro? O que terá para mostrar na campanha de 2010? Pois é, em 2006 ele já não tinha muito o que mostrar e se valeu de três aspectos: 1) vangloriar-se do que tinha feito enquanto foi prefeito; 2) vangloriar-se de ter trazido a TV Verde Vale para Juazeiro (como se o povo da cidade tivesse de agradecê-lo por ele enriquecer seu patrimônio pessoal); 3) promessas.

     E agora, como pedir votos em 2010, se nada fez das últimas eleições até hoje? Salviano agora quer tentar transparecer que fez alguma coisa, que lutou para melhorar a cidade. A estratégia agora é se mostrar como o grande defensor de uma antiga aspiração da região, a Universidade Federal do Cariri. Ora, ora… já faz tempo que a solicitação de tal Universidade foi pedida no Congresso Nacional, inclusive seu articulador foi o então deputado federal Rommel Feijó. Há alguns anos, a proposta foi rejeitada e arquivada em uma das comissões da Câmara.

     Todos que acompanham a história recente do Cariri e que fazem um mínimo de análise crítica sabem que, mais dia menos dia, a Universidade Federal do Cariri será criada. Independerá de vontade política, será algo inevitável, visto ser fato que o ensino superior do Cariri cresce a olhos vistos: cursos de uma Universidade Federal (a UFC) têm se implantado na região, a URCA e o IFET vêm crescendo (sem contar outras instituições). É bem possível que futuramente essas unidades, de alguma forma, possam se juntar e dar origem a uma nova Universidade. Independente do nome, é importante apoiar o crescimento dessas instituições, que muito vêm contribuindo para o desenvolvimento do Cariri.

     Salviano tentar ressuscitar a velha discussão da Federal do Cariri é, portanto, mera preocupação eleitoreira. Ele já ficou na suplência uma vez e isso acontecer novamente não é difícil, tendo em vista a sua pífia atuação como deputado e o fracasso eleitoral do ano passado na eleição municipal.

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Até tu, Lúcio?

9 07 2009

     Outro dia comentávamos a respeito da angústia dos políticos sem mandato em não serem esquecidos (para ver o post, CLIQUE AQUI). Outro que anda na mesma linha é o ex-governador Lúcio Alcântara, talvez candidato a deputado federal, talvez candidato a governador.

     Lúcio edita um blog na internet, lançou um livro, mantém um perfil no orkut, fez vídeos no YouTube, vive aparecendo nas colunas sociais, publicando artigos nos jornais, viajando ao interior para promover o seu partido PR – Partido da República. Agora Lúcio também tem um quadro “Conversa Franca” no programa de rádio sensacionalista “Alerta Geral”, da Rede Som Zoom Sat, apresentado pelos mesmos jornalistas que editam o Jornal do Cariri.

     Convenhamos, Lúcio, que é um homem sério e foi até um governador e senador razoável, bem que poderia estar em melhor companhia…

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Mais essa

8 07 2009

     Depois de cobrar para que os acompanhantes dos passageiros possam descer até à plataforma de embarque, a empresa que administra a rodoviária de Juazeiro agora está cobrando para utilizar o banheiro. Isso mesmo, assim como em Fortaleza, o usário tem de pagar uma taxa se quiser ir ao banheiro, um tremendo absurdo em se tratando de um serviço público. O cidadão já paga muitos impostos a fim de que estes serviços funcionem e sejam mantidos adequadamente.

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Conto da Semana

6 07 2009

     Como neste domingo não nos chegou o conto do Guilherme Patriota, convocamos Antônio Abujamra pra nos narrar o conto da semana. Aumentem o volume e apreciem!

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Poema da Semana

5 07 2009

Na análise das verdades

Por Franzé Matos

Na análise das verdades

Em que nutrimos uma saudade

Das coisas voláteis que sempre passam

É possível ser diferente

E pensar de forma divergente

De uma realidade enunciada

 

Enunciada pela boca de outros

Que partem de um conhecimento posto

Para não padecer do sofrimento

De todo conhecimento ter de reconstruir

Pois partindo de bases sólidas

Uma linda estrada se abre

E o homem caminha

Por vias seguras feito areia movediça

Olhando para um bonito céu de mentiras

Que parece a verdade

E nutrimos uma saudade

Do efêmero que sempre passa

 

E nesta estrada que se anuncia

Encontramos apenas a agonia

De seguir sem questionar

O conhecimento do movediço do asfalto posto

E com grande desgosto

No fim da vida percebermos a vida mesmo que perdemos.

 

O intuito do meu existir

É dinamizar esta via

E exorcizar a segurança da minha vida

E o oposto a mim sempre buscar

Para adentrar um eterno nascente

Que me oriente para um caminho novo sempre sonhar

Em que tudo careça de ressignifcados

E que mesmo neste estado de incerteza

Encontrarei mais clareza

Do que no pensamento posto.

 

Construir o conhecimento em você

Não pode ser algo fácil

Mas como um parto

Rompendo as forças que tentam lhe prender.

Irrompendo em ato

Ato de liberdade

Que é a vida.

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Crônica

4 07 2009

Abuso de Mediocridade

Por Sávio S.F. Machado

“Poesia não tem dono
Alegria não tem grife”

Zeca Baleiro

     Descendo a Rua São Pedro, após comprar três camisas, as mais simples que achou – sem estampa e sem nomes horríveis que chamassem mais a atenção do que seu usuário – deparou-se com um camelô vendedor de relógios. Há anos precisava comprar um relógio com contagem de segundos para o seu trabalho, mas tinha se acomodado em usar o cronômetro do celular, embora isso o fizesse perder grande tempo e manter uma das mãos ocupadas. Tão prático e tão barato um relógio de pulso, mas com o que não se acostumava para deixar de abrir os olhos pra outras possibilidades? Naquele momento, abrira: precisava comprar o relógio.

     Parou um instante e veio o olhar do vendedor, aquele olhar de quem iria puxar o cliente, oferecer milhares de produtos e dizer todos aqueles clichês dos vendedores da Rua São Pedro. Já estava preparado pra devolver o olhar do homem, reeditando o olhar fulminans que fizera há cinco minutos para a vendedora da loja das camisas, quando esta disse que a blusa preta com a caveira “assentaria” muito bem nele. Ante a negativa, ainda teve de usar uma dose maior da sua grosseria silenciosa quando indagado da possibilidade de levar uma cueca estampada com o pato donald ou uma calcinha para a namorada ou pra mãe. Era “tudo promoção” – promoção do ridículo.

     Eis que o senhor simpático surpreendeu gentil, pouco invasivo:

 

     – Bom dia, vamos dar uma olhadinha aí nos relógios?

     - É…

     – É pro senhor? – embora tivesse idade pra ser pai do aspirante a cliente, o tratou com respeito.

     – Sim.

     – De ponteiro ou digital?

     – Ponteiro.

     – Tem esses quatro aqui à prova d’água.

 

     Direto e ainda o tinha feito lembrar-se de um requisito importante pra sua escolha: não queria ter de ficar tirando e botando o relógio toda vez que fosse fazer entrar em contato com água. Vivia lavando as mãos no trabalho.

 

     – E esse outro aqui, né à prova d’água não?

     – É não, senhor, esse é só resistente.

     – Ah! – fez a maior cara de entendido que foi capaz.

 

    relogio-bolsoPassou a provar dos relógios, todos os quatro com poucas diferenças, basicamente nas cores. Ficou entre o azul e preto. O homem começou a ajustar a pulseira dos dois para que se adequasse ao braço do comprador. Ficaram apertados: gostava – lembrava-se de seu último relógio há cinco anos – deles girando em torno do pulso sem maiores dificuldades. Mais alguns ajustes e estavam bons. Punha um, depois o outro, os dois juntos, olhava, hesitava. Pensou que quando tivesse dinheiro compraria um daqueles relógios de bolso de modelo bem antigo. Queria mesmo era todos vendo que não se adequava àquele mundo, que preferia o século XIX, que apesar da pouca idade preferia o tempo antigo que não vivera, que protestaria contra a modernidade usando um bom, arcaico e anacrônico relógio de bolso com algarismos romanos e tudo mais! O camelô começou:

 

     – Achei que esse preto se assenta mais no senhor.

     – (Ah, meu Deus!)

     – Esses relógios são muito bons, viu? Tem garantia, qualquer coisa é só trazer aqui que eu mesmo ajeito.

     – Realmente é uma grande garantia.

     – É! – disse sem entender a ironia. Olhe, tá todo mundo usando. O senhor acredita que até os protestantes estão me comprando esses modelos aí?

     – Não me diga! (E o que diabos os protestantes têm de especial?)

     – Os representantes de vendas também me compram muito e…

relógio de pulso     – Tá bom, eu vou levar o azul.

     – Eu percebi que o senhor gostou mais desse…

     – Quanto custa?

    - Não vai querer levar nenhum modelo feminino pra namorada ou pra mãe? Eu lhe faço um desconto se…

     – Não, quanto custa só o meu?

     – Bom, é doze reais.

     – Que ridículo! – enfureceu-se.

     – Mas… o quê? O senhor quer trocar por outro modelo? Fique à vontade, pode experimentar aí…

     – Não, meu senhor, seu preço, seu preço é que é ridículo. Vocês vendedores são todos iguais, querem vender um troço por dez reais e dizem que custa doze pra poder a gente pedir desconto, dizer que só quer dar oito reais e aí a gente fecha nos dez reais que o senhor queria, não é? “Nem eu, nem você, vamos fechar nos dez né?” Que ridículo! Pois olhe, meu senhor, eu não peço pra baixar não, viu? Tá aqui seus doze reais e pronto!

     – Mas senhor, me desculpe, eu…

     – Nada de desculpe, pegue os seus doze reais e fique calado se não quiser que eu o denuncie agora mesmo ao Decom por abuso de mediocridade!

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Imagens: relogiolandia.com





Juazeiro do Norte é o Brasil, na Lua

4 07 2009

     Recebemos as informações abaixo do nosso leitor Valmir Martins de Morais, responsável pela estação astronômica PieGiese de Juazeiro do Norte. A íntegra da reportagem, com mais informações, pode ser acessada em http://astropiegise-ultimasobservacoes.blogspot.com

     Caros Amigos,

     No mês que se celebra os 75 anos da morte do  Padre Cícero, sua terra, Juazeiro do Norte, no Ceará, chega mais perto do Céu: Juazeiro está na Lua ! Foi divulgado hoje, dia 03 de julho de 2009, pelo Comitê do Ano Internacional da Astronomia de Malta, o grande mosaico da Lua obtido das imagens enviadas por 40 países de todos os 5 continentes, em apoio ao projeto “The Moon for all mankind”, ou “A Lua para Toda a Humanidade”, que  pretende mostrar a Lua como um símbolo de paz e de unidade entre todos os homens e mulheres do planeta Terra.

     Para comemorar o 40º aniversário do primeiro Homem na Lua, no ano em que se completa o 400º ano da primeira utilização da luneta por Galileu Gallilei, o comitê em Malta lançou em abril de 2009 a campanha internacional para produzir um mosaico da Lua Cheia, de 1,25 metro de diâmetro, feito a partir de imagens fornecidas por 48 diferentes países.

      Malta, Brasil, Austrália, Bangladesh, Camarões, Canadá, Chile, China Nanjing, Colômbia, Chipre, Dinamarca, Egipto, Alemanha, Gana, Guatemala, Hungria, Índia, Irã, Jamaica, Japão, Quénia, Madagáscar, Malásia, Moçambique, Myanamar , Omã, Paraguai, Porto Rico, Romênia, Rússia, Arábia Saudita, Sérvia, Singapura, Coreia do Sul, Espanha, Síria, Taiwan, Tajiquistão, Tanzânia, Tunísia, Emirados Árabes Unidos, Uganda, Reino Unido, Uruguai, Estados Unidos da América, Vaticano, Vietnan e Zâmbia foram convidados e se comprometeram com o projeto. Cada país fez imagens de uma seção da Lua, nas noites de Lua cheia nos dias 9 de Maio e 7 de Junho de 2009.

     As imagens foram enviadas ao Sr. Leonard Ellul Mercer no Apolen Observatory, em Malta, onde após semanas, a colagem de todas foi  produzida. O mosaico final, divulgado hoje, e uma animação com música de Lynn Faure, serão distribuídos ao redor do mundo como colaboração entre as diferentes nações no espírito de “A lua de toda a humanidade”.

     Ao Brasil foi atribuída a seção lunar 40, uma área situada nas proximidades da bela cratera Tycho que tem 86 km diâmetro e uma profundidade que chega a 4.800 metros .

    A composição final do projeto trouxe duas boas surpresas: a Itália enviou como imagem representativa da área lunar que lhe coube, um esboço da Lua, de quatrocentos anos de idade, feito por Galileu Galilei – o projeto comemorativo do Ano Internacional da Astronomia ,que já era belo, tornou-se extremamente poético, e, a outra  surpresa, para o Ceará, a imagem da seção 40 da Lua, obtida aqui em Juazeiro do Norte, na Estação Astronômica PieGise, foi escolhida para representar o Brasil no projeto internacional. Ou seja, Juazeiro do Norte é o Brasil na Lua!

lua1Imagens obtidas em Juazeiro do Norte para o projeto “Moon For All Mankind”

Nas noites e madrugadas dos dias 6, 7 e 8 de Junho de 2009, em Juazeiro do Norte, 2.035 imagens da seção lunar 40 e suas adjacências, foram obtidas, por Valmir Martins de Morais, com uma câmera CCD Toucam Pro II (Sony ICX098BQ) acoplada ao telescópio principal (de 275 mm de abertura) da Estação Astronômica PieGise.

      O céu juazeirense, dominado por forte turbulência atmosférica, neste período, completamente inapropriado para observações astronômicas, só por momentos permitiu que as imagens do luar fossem captadas por entre as poucas frestas das pesadas nuvens. Mesmo assim, a partir da soma dos 1.616 melhores quadros do total obtido, conseguiu-se um mosaico de 2907×2035 pixels composto por 79 imagens da região, que depois foi recortado e enviado ao comitê IYA-2009 de Malta para avaliação.

 Imagem final do projeto: mosaico

Link para o download da composição final de imagens do projeto de Malta (em tamanho grande):

http://www.astronomy2009.org/static/archives/images/large/iya2009_moon_mankind.jpg

      A contribuição da Estação Astronômica PieGise evoca não só desejo de paz entre os homens, mulheres e crianças no planeta Terra… evoca o desejo de paz nos Céus… Uma Terra… Um Céu! Que a Lua seja de todos nós! Obrigado!

Valmir Martins de Morais
Estação Astronômica PieGise
Juazeiro do Norte, Ceará – Brasil
(88) 3511-2738 / (88) 9619-9757





Bom trato com as palavras…

3 07 2009

     O pessoal da imprensa costuma às vezes escorregar com o que vai dizer e, na empolgação de exaltar a figura do Padre Cícero, comete uma ligeira gafe. É que muitos jornalistas dizem que Juazeiro vai comemorar os 75 anos de morte do sacerdote ou então citam “as comemorações do dia da morte do Padre”. Ora, ninguém aqui comemora a morte de ninguém - nem do pior inimigo - quanto mais do Padre Cícero, tão exaltado na cidade. Seria de bom tom que dissesem que a cidade “lembrará a passagem do aniversário de morte” ou algo semelhante que não lembre propriamente uma festa.

     A propósito, ao dia 20 juntam-se mais duas datas especiais esse ano: no dia 18, comemoração do centenário do Jornal “O Rebate”, com criação do Dia da Imprensa em Juazeiro e show da Orquestra Eleazar de Carvalho na Praça do Romeiro; já no dia 22, a cidade comemora seus 98 anos e dá início aos preparativos para seu centenário em 2011.

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Música Mineira e suas múltiplas faces

2 07 2009

Parte III (e final) – A Nova Cara da Música Mineira

“O tempo é curto para o que você quer ser”

Por Helayne Cândido

Quando me propus a escrever esse especial em três partes sobre a “a nova cara da musica mineira”, queria terminar com um som que estou sempre em total sintonia em suas mais variadas vertentes: o rock.

Nos últimos cinco anos há de se perceber que o rock nacional também sofreu forte influência do tal chamado indie rock, que de forma simplificada seria um estilo musical caracterizado por bandas que não são lançadas por grandes gravadoras, ou seja, alternativas ao grande mainstream. Essa tal alternatividade é que possibilita, pelo menos na maioria das bandas, a não perda de identidade do som e, por conseguinte, o “não perder das rédeas” do próprio trabalho por imposições de mercado, grandes gravadoras e afins. A grande explosão indie rocker surgiu em meados da década de 90, na Inglaterra, com bandas como Pavement (sou muito fã dessa!), Oasis, Blur, e gera reflexos até hoje nos anos 2000, com bandas como: The Strokes, Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, The Raconteurs, The White Stripes, The Kooks e tantas outras que, se eu fizer uma lista, dá-lhe ad infinutum nela.

Em se falando de indie rock tupiniquim, podemos citar bandas como: Forgotten Boys, Supercordas, Superguidis, Walverdes e tantas outras. Mas, e Minas Gerais, hein?! A-Há! Eu já tenho uma banda de indie rock mineira preferida e se chama monno (assim mesmo, com letra minúscula), que é formada por Miari (vocal e guitarra), Coelho (guitarra), Euler (baixo) e Koala (bateria) e é um bom exemplo dessa influência no rock nacional. Com apenas três anos de existência, já possuem uma bagagem contando com dois EP’s, um Single Virtual e um DVD. O primeiro disco, lançado em 2006, abriu espaço para a banda em vários festivais (o grandioso Pop Rock Brasil, Calango, Bananada, Labpop, Gig Rock, Garimpo, Grito Rock), canais (MTV e Cultura), e páginas (Bizz e Rolling Stone) do país. No segundo disco, eles mostram que têm a energia necessária para continuar o movimento de expansão. O disco foi inteiramente produzido pela banda e masterizado pelo canadense Harris Newman, que já trabalhou com vários grupos bacanas do seu país, incluindo o Arcade Fire. As gravações começaram em junho de 2007 e, após nove meses, o CD foi lançado. Foi feito também um registro em vídeo, com alguns trechos disponíveis na internet e a versão completa em DVD, que saiu em edição limitada junto com o disco.

Em seu primeiro trabalho, homônimo logo na primeira faixa, “Silêncio”, o vocalista Bruno deixa claro: “O tempo é curto para o que você quer ser”. Passeamos freneticamente entre as sensações de euforia e depressão por todo o CD. As guitarras de “A Falta” e “#1” colam de forma imediata. Entre as melodias tristes e bonitas, como “Nada demais” e “Lugar Algum”, percebemos a estampa indie impressa. As duas últimas faixas, “Quem Sabe” e “Um dia”, caminham entre os dois extremos. Limpas ou sujas, com muitas distorções, as guitarras nos convidam a ver no comum beleza.

No segundo trabalho a sensação das músicas é como estar em alta velocidade junto à banda, numa montanha russa onde só existe o AGORA. Não é a toa que este é o título do trabalho. O resultado são faixas bem dançantes como “Enquanto o Mundo Dorme”, “Carta Pra Depois” e “Acontece”, e para momentos mais calmos faixas como “O Pouco Que Eu Quis” e “As Pequenas Coisas” (adoro ir pra faculdade escutando essas).

Em entrevista, o vocalista Miari afirmou que a intenção era deixar o som da banda “esquisito” como o das bandas canadenses, aliás, ele próprio afirma que uma de suas grandes referências é a banda Pedro The Lion (http://www.myspace.com/pedrothelion), que por sinal é muuuuiiitooo boa! E percebe-se logo de cara a forte influência dessa banda no atual som de monno, mas não acredito que este chega a causar “estranhamento” em sentido negativo. Pelo contrário, reafirma que a monno amadureceu seu estilo em “Agora”, apresentando novidades: guitarras, baixo e bateria com visitas ocasionais de teclados, trompete e efeitos eletrônicos. Na última faixa, “21 Dias”, os versos de Miari deixam claro o caminho da banda: “Prefiro você a ficar em paz / o seu excesso, toda sua urgência / nunca é demais”, e é desse excesso de urgência de vida que a banda se reinventa e recria novas possibilidades para o rock nacional.

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Confira os vídeos do youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=wsAdEd2MxAM

http://www.youtube.com/watch?v=NxRLzSqqWSo

http://www.youtube.com/watch?v=V1DVuUWzvD4

http://www.youtube.com/watch?v=h-4yHUo4BkA

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Pra escutar:

http://www.myspace.com/monno

Pra ver:

http://www.fotolog.com/monno

Pra baixar:

http://tramavirtual.uol.com.br/monno

Joaseiro.com

Veja os outros textos dessa série:

PARTE 1: http://joaseiro.com/2008/08/22/musica-mineira/

PARTE 2: http://joaseiro.com/2009/02/06/parte-ii-a-nova-cara-da-musica-mineira/





Nossos números

1 07 2009

     No mês que ontem se encerrou, batemos o recorde de acessos no Joaseiro.com: foram 13.371 acessos (cerca de 3000 a mais que em outubro de 2008, nossa maior ‘audiência’ até então). Se naquele mês as discussões acerca das eleições municipais eram as postagens mais procuradas pelos nossos leitores, agora são os textos relativos à programação das diversas festas da região as mais visadas. A nossa abordagem crítica sobre as festas foi vista, em média, por 445 leitores ao dia.

     Agradecemos o prestígio de poder contar com vocês como nossos leitores e esperamos continuar a ser, de alguma forma, úteis. Grande abraço!

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Shows gratuitos: “Férias no Ceará”

1 07 2009

     O Governo do Estado repete o que tem feito nas últimas férias e traz gratuitamente shows com atrações de nível nacional para várias cidades do estado. No Cariri, serão três shows:

02/07 Jota Quest - Barbalha
12/07 Paralamas / Titãs - Juazeiro
23/07 Charlie Brown Jr. - Crato

     A lamentar, somente as ausências de Maria Rita, O Rappa e Artur Moreira Lima, que estarão em Fortaleza e em outras cidades, mas não na região do Cariri. Torçamos pra que essas atrações venham pra cá no fim do ano.

     Atenção: os shows começam cedo, às 20h.

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