Eclesiastes 3

22 10 2009

1 Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.

2 Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;

3 Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;

4 Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;

5 Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;

6 Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;

7 Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;

8 Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.(…)

Bíblia





Data Venia (ou, com o devido respeito)

17 10 2009

Pela falta de postagens desde o dia 03 deste mês devemos uma sucinta explicação. Primeiramente, gostaríamos de pedir desculpas a todos os leitores, sabemos o quanto são importantes para nós (ver a página Leitores) e agradecemos efusivamente esta amizade fiel para com o blog. Porém, o Joaseiro.com é editado por dois jovens universitários em tempo de concluir os respectivos cursos, um em Medicina, outro em Jornalismo (sim, aqui tem “diproma”) e Sociologia. Com os horários sempre aturdidos, temos deixado a contragosto nossas atividades no Joaseiro.com para nos concentrarmos às nossas próprias.

Sem fins lucrativos, promocionais, partidários ou de qualquer sorte senão o próprio esclarecimento e exercício crítico sobre acontecimentos do cotidiano, continuaremos nesta saga mesmo com todas as dificuldades. Queríamos reforçar que também abrimos espaço para artigos e matérias dos nossos leitores e colaboradores. Contamos com mais de 100 visualizações diárias, e deixamos ao fim de cada texto o nome, ocupação e o contato da pessoa que o escreveu. Para os que querem exercer o livre direito ao jornalismo crítico e sem comprometimentos, está aberta essa oportunidade – ainda mais que agora o cariri irá ganhar seu curso de Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, para os futuros talentos. Para tanto, basta enviar sua notícia, matéria, artigo, entrevista ou reportagem para o seguinte endereço: joaseiro@yahoo.com.br

Notas ou mesmo publicidade de eventos e programação cultural também são aceitas. Podem mandar o conteúdo que a gente burila a forma. Seja com o atraso que for (e esperamos que de poucos dias).

Um abraço!

Os Editores.

Fonte da Tirinha: Malvados.com.br





Que os abstêmios perdoem, mas…

20 09 2009

Beber faz bem

(19.8.2009)
Braulio Tavares


Uma das melhores coisas da vida é beber; uma das piores é ficar bêbado. Isto posto, espero que os abstêmios perdoem a singeleza deste título. Culpar somente a bebida pelos despautérios dos bêbados é tão ingênuo quanto atribuir a ela as qualidades dos romances de Hemingway ou de Lima Barreto. A bebida não cria nada de bom nem nada de mau em nós; apenas potencializa o que já temos. A bebida, em excesso, apenas atordoa, desorganiza, embrutece. A bebida, na medida certa, apenas inebria, congraça, arrebata e pacifica. Segundo Henry James, “a sobriedade reduz, discrimina e diz não, enquanto que a embriaguez expande, unifica e diz sim”.

Existe uma equação que os grandes boêmios dominam intuitivamente. É preciso beber até atingir um certo estado de euforia. Uma vez atingido este estado, basta diminuir o ritmo de absorção, mas continuar bebendo de pouquinho, a intervalos, para que o estado se mantenha. Esta é a parte mais difícil. A euforia produzida pelo primeiro assomo do álcool é tão agradável que em geral perdemos o ponto e carregamos na mão. O entusiasmo nos faz beber em maior velocidade do que o necessário, e acabamos com a boca torta, o olho torto, a rua torta, e até o táxi parece estar andando em duas rodas como um Simca Tufão.

Uma sábia invenção dos que bebem vinho foi a idéia de alterná-lo com água. A intenção é hidratar, mas psicologicamente acaba tendo um efeito de retardamento da embriaguez. Quem gosta de beber conversando, como eu, recorre de vez em quando ao copo para molhar a garganta e lubrificar as idéias. Ora – uma coisa é pegar dez vezes a taça de vinho, outra coisa é pegar cinco vezes na de vinho e cinco na de água. Eis o pulo do gato. (Claro que, se o sujeito é pinguço mesmo, ele vai tomar uma garrafa de vinho em uma hora, e não tem água que o recupere, mas aí eu não tenho jeito a dar.) Esta medida é tão providencial que resolvi adotá-la também para outras bebidas. Depois do quinto ou sexto chope, começo a alternar os chopes com garrafinhas de mineral com gás. É o quanto basta, em geral, para manter o inebriamento e me permitir, no fim, calcular minha parte na conta.

Henry James estava certo no que afirmou acima, mas os bebedores profissionais sabem muito bem que a euforia alcoólica é geradora de fantasias panteístas. Quando a farra está boa, viramos amigos de todo mundo, fazemos juras e promessas, assumimos compromissos que no dia seguinte vêm bater à nossa porta ou fazer latejar nossas meninges. Dizem que F. Scott Fitzgerald, que davas festas de arromba na sua casa em Great Neck, mantinha na entrada dela um cartaz enorme dizendo: “Solicita-se aos visitantes que não arrombem portas de armários em busca de bebida, mesmo quando autorizados a tanto pelos donos da casa. Hóspedes que vieram passar o fim de semana ficam respeitosamente prevenidos de que convites para ficar até segunda-feira, feitos pelos anfitriões na madrugada de domingo, não devem ser levados a sério”.

Fonte: www.jornaldaparaiba.com.br

Comentário: que este post esteja na categoria Esportes é somente uma ironia, favor não levar tão a sério quanto o faria com o cartaz na casa dos Fitzgerald.





Minicômio – cubículo dos loucos -

18 09 2009

Fonte: www.malvados.com.br





Bobagens da vida diária

18 09 2009

– É doido, as pessoas perderam a noção do que é público e privado de um jeito patético e absurdo – diz o autor. – Acordam e escrevem num twitter ou num blog: “Hoje tô de ressaca. Acho que vou vomitar”. E depois completa: “Não, não vou”. Todo mundo quer ser o biógrafo instantâneo de si mesmo. O resultado são histórias desinteressantes contadas de um jeito mais desinteressante ainda.

Allan Sieber, quadrinista, na ocasião de matéria veiculada no Jornal do Brasil do dia 17/09 a respeito de seu livro “É tudo mais ou menos verdade”, uma interseção entre jornalismo e quadrinho através da sátira à imprensa e a tipos sociais urbanos, como o exemplificado na citação acima.

Para ler a matéria completa:

http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/09/17/e17095812.asp





Poema da Semana

6 09 2009

Por Franzé Matos

Desligado de tudo estou

Sou um contato raro com o fundo

Desnudo de tu estou

Escrevo as loucuras do mundo

Sou a voz que se cala

Quando tu fala

Não o tu outro

Mas tu que tem fala

Que me cala, que me prende

Descrente que ainda existo

Sou teu interior

Puro torpor em revolução

Degeneração do que sempre vias

Pois tudo é aparente

Dormente segues

Se assim não te guias

Pergunta-me e te respondo

Da-me a mão e te dou um beijo

Mas basta um lampejo

Gracejo de mentiras

E por tempos não te vejo

Mas a vida é reação

Que por me esquecer

Faz-te  a cada golpe sofrer

Por buscar verdades

Nas mentiras

Talhadas a sangue, fé e fogo

Mito,religão e filosofia

As feridas que viram

cicatrizes da guerra interior

Que saram sem nunca desaparecer

Pois basta o medo aparecer

E sempre estarei lá

“Vem! Sou teu amigo”

Joaseiro.com





Poema da Semana

23 08 2009

Por Franzé Matos

Eis que surge o medo da vida e da morte

Sangrando horizontes, busco um norte

Para uma realidade que evanesceu

 

Perdido estou no apagar da chama

Clama agora a infinidade de perguntas

Sem resposta, sem resposta

Chora o meu mundo interior

Um mundo em quem ninguém mais mora

 

Aos loucos fui jogado

E os chamei de companheiros

as perguntas do passado?

Fortaleza de sem sentido passageiro

 

Sou portador de mim mesmo enjaulado

Busco a luz na noite fria

Para escapar da fugacidade

Da mudança eterna que se anuncia

Mas recrudesce um medo

Medo que não mais queria

 

As certezas aparentes

Anestesiadas dormentes

Com o teletransportar para prisão

Liberta o eu de dentro

Ser frágil e nu na vastidão

Um fiel descrente

Racional demente

De verdades em vão

Joaseiro.com





Poema da Semana

9 08 2009

Por Franzé Matos

Sentado ao banco olhando o horizonte

Sob um sol das trevas me tirar

Consigo imaginar uma visão de mundo diferente

 

A grande massa do mar

E a invisibilidade do ar

Fazem remeter às contradições iminente de nosso ser

 

Tente pensar o mar

Sem olhar para o que sempre vês

Sonhas obter algo diferente?

E todo o ar que não vês

Julgas conhecer, mesmo sem enxergar?

 

Enxergar o mar

É não reconhecer

A contradição de nossa visão

Um líquido em volição

Resultado de uma agonia unificadora

Das energias por elas mesmas

Infinitos átomos em relação

Produzem a sensação

Da compreensão do múltiplo como unidade

Mas e todo o ar que não vês?

Como não reconhecer que existe?

 

 

Acreditas demais nos sentidos

Que polidos para nos dar falsas afirmações

Completam sua missa

De nenhuma verdade nos mostrar

Pois nos comandos errados que damos

Recebemos o simples engano como resposta

E cabe a nós duvidar

E nessa mesma duvida contemplar

As visões diversas que se mostram

E na diversidade que aprece

Recrudesce um no modus para a verdade.

Joaseiro.com





Léo Jaime e Chico Buarque em “Morena dos Olhos D’água”

2 08 2009

 





Charge do dia: Jornal do Brasil

30 07 2009




Reflexão

27 07 2009

“Todo mundo ‘pensando’ em deixar um planeta melhor para nossos filhos… Quando é que ‘pensarão’ em deixar filhos melhores para o nosso planeta?”

educação 

Essa pergunta foi a vencedora em um congresso sobre vida sustentável.

Precisamos começar JÁ!

Uma criança que aprende o respeito e a honra dentro de casa e recebe o exemplo vindo de seus pais, torna-se um adulto comprometido em todos os aspectos, inclusive em respeitar o planeta onde vive…

 

Fonte: Recebido por email 

 





Como peixinhos no aquário

27 07 2009

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.

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Fonte: Malvados.com.br





Poema da Semana

26 07 2009

Por Franzé Matos

O que é isso sobre nossas cabeças?

Estrelas? Galáxias? Planetas? Não é o desconhecido

Aquilo que tanto temes em pensar

Vives num planeta que flutua sobre o nada

Que é um tudo. Sem saber que é poeira

Uma lareira ínfima. Em oceanos ao quadrado² ao quadrado²… de incertezas.

Tu amigo não tens certeza de nada

Moras num grão de areia

Inebriado pelas glórias voláteis

De falsas verdades

E esqueces as estrelas

Tu? O bem maior da natureza.

Grande piada! Pó é pouco para o que tu és em relação a uma galáxia.

Admira-me ver quão amantes és das falácias…

Porque gostas tanto de se enganar?

Tua Terra gira e não sentes

Tua galáxia movimenta-se e não sentes

O universo se expande e não vês

Como podes crer nisso tudo que te mandam pensar?

Expande-se? para onde?

Buscas uma segurança onde não existe

Inebriar-se com certezas artificiais

Não traz paz alguma ao homem

Mas te faz viver em um cemitério

Coberto pela terra

Que te penetra a boca

Que transforma em rouca

A voz que agora chora por ti

E tu! Sem nunca refletir. Sobre o absurdo aparente que te entorna.

Pois fechando a porta para este universo de mistérios,

Corrompe-se a mentiras ditas como verdade

De onde baseias tua “inteligente” vida

Jogas uma bola para cima ela cai!

Que magnífica certeza, não?

Vais para lua e atira a mesma bola…

A bolsa de valores que agora quebra

Sais da Terra

De que te vale essa verdade?

Humildade é…

Sentir saudade do desconhecido

E ser ungido ao mundo que realmente te aproxima da verdade.

E a única saudade, humano, que deves ter

É a de perceber que realmente nada sabes.

Joaseiro.com





Homenagem atrasada ao Dia do Amigo

26 07 2009

Há alguns dias comemorou-se o dia do amigo (20 de julho). Postamos agora um vídeo com uma canção que talvez seja um dos maiores hinos à amizade da história da música. Um show de interpretação, de instrumentos, de letra, de emoção, enfim, de música. Dedicado do editor a todos os amigos que compõem este blog.

Letra: http://letras.terra.com.br/joe-cocker/8009/

Tradução: http://letras.terra.com.br/joe-cocker/454563/

Joaseiro.com





Poema da Semana

20 07 2009

Um Direto Eufemismo

Por Franzé Matos

A morte que se aproxima

A galope caminha em minha direção

Fomentando a contradição

De um medo assombroso sentir

Vire seus olhos para as estrelas

Tudo quanto vês e imaginas

Não faz jus a infinda

Magnitude universal

Em bilhões de anos-luz

De corpos incontáveis em relação

A morte está presente

Para destruir o aparante

E transformá-lo em sensação

Metamorfoseando as energias

Fazendo crescer nossa agonia

E em outro ponto

Nova vida surge

Mas como vivemos num mundo

Escravos dos sentidos e tempo

Sofremos em Refletir a morte como fim

No solo árido sem o húmus

Sob o sol a lhe queimar

O que pensas encontrar?

Se a morte não o aduba

Apegamos-nos a coisas que passam

Transformando-as em eternas

Criando as telas de nossas verdades

Que a morte também transformará

Transformando em energia

A lágrima que cai do teu rosto

Produzindo o próximo objeto posto para a felicidade que está porvir

Joaseiro.com





Conto da Semana

20 07 2009

Recife, 17 de julho de 2009.

“Do rio que tudo arrasta se
diz que é violento
Mas ninguém diz violentas as
margens que o comprimem.”

(Bertold Brecht)

Elas também são culpadas?

Por Guilherme Patriota

Primeiro colocou algumas pás de terra, depois deu um tratamento ideal que pudesse gerar mais relações orgânicas o quanto possível a mesma, alimentando o que ainda não foi vingado ou fincado. Posteriormente colocou a mistura em vaso seguro, de barro, preenchendo todo o espaço vazio. Na seqüência fez um furo no centro da circunferência com o dedo polegar, jogando três pequenas sementes redondas no buraco, recobrindo-o com a terra anteriormente retirada. Vinte minutos depois, ao amanhecer do dia, levou o vaso para a área de serviço do pequeno apartamento, observando que lá o sol apareceria por mais tempo, iluminando a vida que estava por nascer. As oito, treze e dezenove horas, aguava o vaso, tentando ao máximo não machucar a terra, não mexer na bolsa que gerava uma vida. Sete dias depois foi registrado o nascimento de sua primeira filha, um pequeno talo verde com três folhinhas bicudas na ponta. Seu amor era exalado diariamente para sua cria, alimentando-a, observando-a, embriagando-a de positividade, de fascinação, de busca por compreensão, de descobrimento. Vinte e um dias depois a plantinha já era majestosa, cheia de folhas verdes escuras e cercada de outros seres, insetos, que também apaixonados já alimentavam e eram alimentados pela força daquela nova vida. Aos trinta e cinco dias os olhos abriam-se, mostrando pequenos cristais que variavam do branco ao marrom, e que cresciam e cresciam a cada dia, buscando demonstrar sua imponência e instinto de sobrevivência.  O crescimento era visível, mesmo para ele que não saia de perto da filha desde que ela nascera; e a vida se renovava, renascia, revivia o que ele precisava que revivesse: A esperança de ver uma vida novamente nascer. Aos sessenta dias, a formosura daquela filha encantava seu pai, de criação/observação/reação, com lindas folhas, belos olhos, enormes cristais e fungos brancos que destoavam do variavelmente equilibrado verde do passar os olhos pelas folhas até seus frutos. O sem nome (SN) percebia que a vida imita a própria vida, que as coisas se geravam, regeneravam, se distribuíam. Aos setenta e cinco dias, ele não podia mais chamar a verdinha de filhota, pois seus descendentes já se espalhavam por toda a área circular, nas alturas de seu um metro e trinta e cinco de comprimento, e vários pretendentes a hospedeiro já circulavam suas redondezas, manifestando que a solidão é um simples estado ideal de um inexistente. Aos noventa dias, verdinha continha um poder de manifestação olfativa impressionante, que atraia qualquer espécie animal que por perto passasse, gerando, por conseguinte, diálogos a mais na análise do SN. A planta crescia, abria seus braços para uma extensão cada vez maior, cegando seus olhos, amadurecendo seus cristais, manifestando a abertura de uma nova percepção de tempo e espaço. SN, de olho viciado na observação, transferira até sua cozinha para dentro da área de serviço, com o intuito não perder nenhum momento daquela vida que nascera e tão logo iria morrer para renascer. Aos cem dias, SN resolveu, resistente, dar o penúltimo passo em direção ao inevitável; resolveu colher, secar e provar a transferência dos valores daquele vegetal para seu reino animal. Cortou todos os frutos, folhas e talos; pôs no sol quente por meia hora; espalhou-os sobre uma palha seca de milho; enrolou a palha sobre o vegetal e amarrou, com dois nós, com outro pedaço da mesma palha cortado em tiras. Finalizado o processo, SN deitou-se na rede, pegou um isqueiro nunca antes usado, pôs o composto vegetal na boca e acendeu a outra ponta. SN, embriagado por concluir a sua observação, esqueceu que sua rede ficava na varanda; que seus vizinhos praticamente dividiam aquele espaço com ele e que o gosto por plantas que faziam fumaça não era nada desejado por qualquer um na redondeza. Cinco puxadas e soltadas de fumaça depois, a vizinhança, que não sabia da existência da filha do SN – não sabiam sequer seu nome -, já fazia balburdias e alarmes por toda parte, afirmando que tinha um maconheiro no prédio. Cem dias e treze horas depois do nascimento, a plantinha era cortada por uma dupla de policiais militares, que prenderam SN por porte ilegal de entorpecentes e por provável tráfico de drogas. O Sem Nome, ainda extasiado com sua primeira relação psicológica com uma planta, em depoimento a polícia, declarou: “Perdi minha primeira filha assassinada. Dizem que foi vítima do tráfico de drogas, da maconha. Passei dois anos tentando entender este fato, me recuperar da situação, perceber como uma plantinha tão singela poderia gerar tamanha tragédia. Passados os dois anos, resolvi compreender melhor do que se tratava, que planta mágica era essa que tinha o poder de fazer um humano morrer. Comprei a terra, cultivei, plantei e vi crescer aquela plantinha que todos afirmavam ter matado minha filhinha. Em minha observação percebi como a vida é generosa e como os pensamentos de transferência de responsabilidades dos homens são perigosos. Ao ver nascer aquela planta, vi minha filha renascer, não morrer; compreendi que o mundo tem ciclos e que os homens teimam em subvertê-los. Verdinha não me fez mal nem quando a fumei, no entanto nosso instinto de poder reverbera soluções mais viáveis para as contrariedades das situações, tornando-nos vítimas de nossas próprias decisões. No final das contas eu que também vos pergunto: será que as plantas são as responsáveis pelas fatalidades humanas, ou nossas fatalidades também recaem sobre as plantas para livrar-nos de todo mal e amém? Quem tiver esta resposta de forma concreta, também possui o direito de me condenar por todos os crimes da humanidade. Salvem as plantas, sem preconceitos ao menos com elas, pois em nossas leis cristalizadas, elas também são culpadas.”

Guilherme I. F. Patriota.

Joaseiro.com





The Beatles

18 07 2009

Acesse: http://whiplash.net/materias/biografias/038585-beatles.html

Fonte: Whiplash.net; Youtube.com





Pink Floyd

18 07 2009

Acessem: http://whiplash.net/materias/biografias/038414-pinkfloyd.html

Fonte: Whiplash.net; Youtube.com





Anedota

15 07 2009

Um ladrão foi roubar galinhas justamente na casa de Rui Barbosa. Com toda aquela eloqüência que lhe era peculiar, Rui Barbosa falou:

- Não é pelo bico de bípede, nem pelo valor intrínseco do galináceo, mas por ousares transpor os umbrais de minha residência. Se for por mera ignorância, transito, mas se for unicamente para menoscabar da minha alma prosopopéia, juro pelos tacões metabólicos dos meus calçados que dar-te-ei tamanha bordoada no alto da tua sinagoga que vais a mais raso que o solo pátrio.

O ladrão, todo sem graça, perguntou:

- Mas como é, “Seu Rui”, eu posso levar o frango ou não?

Joaseiro.com

P.S.: Trecho da anedota é reproduzida, com modificações, no preâmbulo da faixa título do CD “Vô Imbolá”, de Zeca Baleiro.





Conto da Semana

12 07 2009

Recife, 03 de julho de 2009.

“O excesso de luz cega a vista.

O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demasia estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isto, o sábio em sua alma

Determina a medida para cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o invisível.”

(Lao-Tse)

A Horta Comunitária dos Sonhadores

Por Guilherme Patriota

Talvez a leitura seja uma das coisas mais importantes para a cultura programada do ser humano, mas em casos mais raros o degustar do vício se torna uma doutrina quase que incorrigível de repetições e mais repetições do que não foi vivenciado, e assim foi com a vida de PR. Ele acordava cedo para ler Proust ou Joyce, pois ao meio-dia tinha que iniciar suas leituras de poesias ultra-românticas, visualizando o estudo filosófico do início da tarde e as leituras científicas do final, para que no começo da noite pudesse sair para encontrar os colegas e logo voltar para casa e tentar compreender textos biográficos que versavam sobre o homem em estado artístico. PR, aos quarenta anos, já havia lido mais de três mil livros, mil trezentos e cinqüenta notoriamente identificados nas primeiras páginas de uma agenda que ele sempre carregava em baixo do braço, no entanto estes dados e seu PHD na escola de estudos culturais da Inglaterra não solucionaram o sentido de compreensão de sua própria vida. No pouco tempo que tinha com colegas, não amigos, pois PR não tinha paciência de ouvir aqueles conhecidos de infância que falavam sobre trabalho, dificuldades do lar, do dia-a-dia, ele apenas condicionava a conversa dos rapazes e moças, de sua velha cidade, a análises, sempre aplicando dizeres de algum de seus tantos ídolos literários como forma de convencimento e sabedoria superior sobre a vida dos outros. PR morava com os avós, pois seus pais, quando ele completou vinte e oito anos, transferiram todas as responsabilidades convencionais e financeiras da vida de um cidadão para as mãos do jovem leitor, e PR não teve saída mais simples do que ir morar com os avós que tanto o amavam – ele era o único neto do casal quase centenário. A aristocrática família de PR nunca permitiu que ele mexesse uma palha sequer quanto às resoluções práticas do cotidiano. Ele não lavava, não passava, não cozinhava, não trabalhava, não pagava, não participava, não recondicionava; apenas lia. Quando os pais promoveram PR ao que os escritores capitalistas chamam de liberdade, ele sentiu que a perdeu, e, pior, percebeu que poderia perder sua leitura, seu único ente incondicionalmente querido. Morando com seus avós na velha e mesma cidade de sua infância, PR intensificou monstruosamente seu índice de leitura e transformou sua vida em um campo literário daqueles que só as palavras escritas é que têm valor. Todos desacreditavam PR naquela pequena localidade, pois lá a moral de um homem que vive de sonhos sempre foi descartada, impregnando-se todos os horizontes com aqueles dizeres de que “o trabalho engrandece o homem”. PR não ouvia, pois a paciência lhe faltava e, ao mesmo tempo, era totalmente preenchida pelos próprios livros, que o envolviam, que o cativavam a devanear e devanear em sua singular realidade. No aniversário de cem anos de seus avós, quem recebeu o presente foi PR, tudo bem que não era o mais desejado, pois o casal de idosos havia viajado sem rumo pelo mundo deixando uma carta de liberação para o neto, afirmando que agora sua vida estava por sua própria guia, por seu próprio intuito. PR, não tão perturbado como da primeira vez que foi “libertado”, pelos seus pais, juntou seus melhores livros e partiu para a rua. A cidade inteira já tinha noção de tudo, e deixaram PR por duas noites se virar com pequenas porções de alimento doadas pelos, agora, colegas de convivência – os sujeitos das ruas. A vitalidade e a disciplina de PR surpreendiam a todos, dado que não perdera nenhum dos seus hábitos de leitura no quando do habitar a praça. O sentido de [in]desejo dos habitantes daquela cidadezinha, não permitia que PR pudesse sobreviver daquela forma, ativando um inconsciente/consciente coletivo de não ajudar ao ex-aristocrata leitor que se recusava a render-se aos moldes de vida dos cegos do social. O tempo passou e PR continuava feliz, lendo, lendo, lendo, e agora cercado de amigos “ignorantes” que adorava ouvir. Para PR, ao contrário dos colegas de outrora, os mendigos falavam por uma verdade própria que estava “para além do bem e do mal” de sua também verdade, referendando que os sonhos, muitas vezes, e para alguns e outros de formas diferentes, podem ser pequenos traços de montagem para um quebra-cabeças chamado realidade. PR e seus amigos foram e ficaram isolados de sua sociedade, adotando o canteiro central da praça ao fundo do cemitério, com a autorização de sabe-se lá quem, de boa fé, na prefeitura, como “horta comunitária dos sonhadores”, que produzia o essencial a sobrevivência alimentar dos mesmos e servia como biblioteca pública a céu aberto daquele município. Em três anos PR ensinou todos os mendigos da cidade a ler e escrever, cativando um drink diário de sonhos para todos aqueles que não tinham o direito de sonhar. A “horta comunitária dos sonhadores” ganhou outros campos quando um crítico literário bisbilhoteiro a descobriu, pelas palavras de sua fonte “como um ato louco de um aristocrata exótico que quer aparecer”. Publicada a primeira notícia no jornal, relatando a nova comunidade intelectual formada no interior do país por mendigos leitores, todos os veículos de comunicação internacionais queriam conhecer e entrevistar o suposto líder daquela irmandade. PR recusou, pois afirmava não existir irmandade alguma, apenas a resolução de algo que naturalmente teria que se resolver. Mesmo não sendo o desejo de todos, a horta tornou-se ponto turístico daquela cidade, e a não irmandade teve que identificar seu território, agora novamente compartilhado pela população, com uma placa escrita a mão por PR: “A Horta Comunitária dos Sonhadores – Decidi ensinar quando parei de ler. Ao parar de ler descobri que nos homens os vícios sempre irão existir, e somos obrigados a passar alguns destes corriqueiros para nossos iguais, cativando a continuidade das ações quando estas geram sonhos. Passei quase meio século me dedicando a algo que imaginava ser meu, até descobrir que o que era realmente próprio estava resguardado. De tanto sonhar, devaneando por o que não era, acabei encontrando um real caminho, acreditando em mim mesmo, e agora nos outros que também são meus.”

Joaseiro.com





Recordações

11 07 2009

Cidade de cor

Por Evelyn Onofre*,

Minha pequena cidade é colorida em tudo
Composta por cores quentes e vibrantes
O calor alaranjado do sol, a avermelhada dor do povo
Os muros pintados com as mãos,
São alegorizados por frases de palavras pequenas
Para tocar realmente quem se aproxima

Minha pequena cidade também tem um lado
Meio branco e preto, meio amarelado
Cores corroídas pelo tempo, e pelas mãos de novos jovens
São os mesmos lugares com as mesmas pessoas
As praças com os velhinhos da vida inteira – parece que não morrem nunca
Jogando dominó, porrinha, bebendo cachaça, fazendo poesia ou
Cantando a gafieira do Moreira, relembrando setembros passados

Minha pequena cidade também tem um lado só verde
Cheiro de árvores de troncos largos, cheiro do sul do estado, do sertão
Com velhos sítios cheios de armadores e com mesas grandes
Colheres de pau, caldeirões de sopa e pilão pra fazer paçoca
Mais atrás, no quintal, tem poleiro, varal, horta e sombra pra dedéu
Esse lugar é pra relembrar, com cheiro e tudo, a vida do nosso avô na terra ou no céu

Minha cidade tem cor de saudade, coisa mesmo de interior
De amigos que vão e voltam, só pra reviver a mesmice
É o primeiro nome da lista de viagens cheias de ansiedade
Principalmente em julho, mês do clima bom pra chegar mais perto
E enquanto não voltamos, ficamos aqui, só resmungando, não que seja ruim
Mas a cidade da nossa infância, geralmente é mais querida, mais saudosa

Minha cidade tem o céu mais azul, as nuvens mais brancas
A lua é tão cheia de vida que dá até pra ver São Jorge no cavalo
O calor mais quente e o frio tão atraente
Minha cidade é mesmo de cor, cor dos que voltam sempre
Cheia de verde, cheia de rosa, cheia de água, mas nada de mar
Cidade sem cartão-postal, mas com visita garantida dos que regressam

Sítio no Conjunto Cohabece

Sítio no Conjunto Cohabece (Evelyn Onofre)

Clique na imagem para ampliar.

Joaseiro.com

* Texto e fotografia enviados pela leitora, estudante de comunicação social, fotógrafa e hoje residente em Fortaleza – CE.

Cidade de cor

Minha pequena cidade é colorida em tudo

Composta por cores quentes e vibrantes

O calor alaranjado do sol, a avermelhada dor do povo

Os muros pintados com as mãos,

São alegorizados por frases de palavras pequenas

Para tocar realmente quem se aproxima

Minha pequena cidade também tem um lado

Meio branco e preto, meio amarelado

Cores corroídas pelo tempo, e pelas mãos de novos jovens

São os mesmos lugares com as mesmas pessoas

As praças com os velhinhos da vida inteira – parece que não morrem nunca

Jogando dominó, porrinha, bebendo cachaça, fazendo poesia ou

Cantando a gafieira do Moreira, relembrando setembros passados

Minha pequena cidade também tem um lado só verde

Cheiro de árvores de troncos largos, cheiro do sul do estado, do sertão

Com velhos sítios cheios de armadores e com mesas grandes

Colheres de pau, caldeirões de sopa e pilão pra fazer paçoca

Mais atrás, no quintal, tem poleiro, varal, horta e sombra pra dedéu

Esse lugar é pra relembrar, com cheiro e tudo, a vida do nosso avô na terra ou no céu

Minha cidade tem cor de saudade, coisa mesmo de interior

De amigos que vão e voltam, só pra reviver a mesmice

É o primeiro nome da lista de viagens cheias de ansiedade

Principalmente em julho, mês do clima bom pra chegar mais perto

E enquanto não voltamos, ficamos aqui, só resmungando, não que seja ruim

Mas a cidade da nossa infância, geralmente é mais querida, mais saudosa

Minha cidade tem o céu mais azul, as nuvens mais brancas

A lua é tão cheia de vida que dá até pra ver São Jorge no cavalo

O calor mais quente e o frio tão atraente

Minha cidade é mesmo de cor, cor dos que voltam sempre

Cheia de verde, cheia de rosa, cheia de água, mas nada de mar

Cidade sem cartão-postal, mas com visita garantida dos que regressam





Nós tentamos…

11 07 2009

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Um dia conseguiremos.

***

Postagem dedicada às produtoras de eventos, políticos e imprensa da região.

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Fonte da tirinha: http://rafaelsica.zip.net





Conto da Semana

6 07 2009

     Como neste domingo não nos chegou o conto do Guilherme Patriota, convocamos Antônio Abujamra pra nos narrar o conto da semana. Aumentem o volume e apreciem!

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Poema da Semana

5 07 2009

Na análise das verdades

Por Franzé Matos

Na análise das verdades

Em que nutrimos uma saudade

Das coisas voláteis que sempre passam

É possível ser diferente

E pensar de forma divergente

De uma realidade enunciada

 

Enunciada pela boca de outros

Que partem de um conhecimento posto

Para não padecer do sofrimento

De todo conhecimento ter de reconstruir

Pois partindo de bases sólidas

Uma linda estrada se abre

E o homem caminha

Por vias seguras feito areia movediça

Olhando para um bonito céu de mentiras

Que parece a verdade

E nutrimos uma saudade

Do efêmero que sempre passa

 

E nesta estrada que se anuncia

Encontramos apenas a agonia

De seguir sem questionar

O conhecimento do movediço do asfalto posto

E com grande desgosto

No fim da vida percebermos a vida mesmo que perdemos.

 

O intuito do meu existir

É dinamizar esta via

E exorcizar a segurança da minha vida

E o oposto a mim sempre buscar

Para adentrar um eterno nascente

Que me oriente para um caminho novo sempre sonhar

Em que tudo careça de ressignifcados

E que mesmo neste estado de incerteza

Encontrarei mais clareza

Do que no pensamento posto.

 

Construir o conhecimento em você

Não pode ser algo fácil

Mas como um parto

Rompendo as forças que tentam lhe prender.

Irrompendo em ato

Ato de liberdade

Que é a vida.

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Crônica

4 07 2009

Abuso de Mediocridade

Por Sávio S.F. Machado

“Poesia não tem dono
Alegria não tem grife”

Zeca Baleiro

     Descendo a Rua São Pedro, após comprar três camisas, as mais simples que achou – sem estampa e sem nomes horríveis que chamassem mais a atenção do que seu usuário – deparou-se com um camelô vendedor de relógios. Há anos precisava comprar um relógio com contagem de segundos para o seu trabalho, mas tinha se acomodado em usar o cronômetro do celular, embora isso o fizesse perder grande tempo e manter uma das mãos ocupadas. Tão prático e tão barato um relógio de pulso, mas com o que não se acostumava para deixar de abrir os olhos pra outras possibilidades? Naquele momento, abrira: precisava comprar o relógio.

     Parou um instante e veio o olhar do vendedor, aquele olhar de quem iria puxar o cliente, oferecer milhares de produtos e dizer todos aqueles clichês dos vendedores da Rua São Pedro. Já estava preparado pra devolver o olhar do homem, reeditando o olhar fulminans que fizera há cinco minutos para a vendedora da loja das camisas, quando esta disse que a blusa preta com a caveira “assentaria” muito bem nele. Ante a negativa, ainda teve de usar uma dose maior da sua grosseria silenciosa quando indagado da possibilidade de levar uma cueca estampada com o pato donald ou uma calcinha para a namorada ou pra mãe. Era “tudo promoção” – promoção do ridículo.

     Eis que o senhor simpático surpreendeu gentil, pouco invasivo:

 

     – Bom dia, vamos dar uma olhadinha aí nos relógios?

     - É…

     – É pro senhor? – embora tivesse idade pra ser pai do aspirante a cliente, o tratou com respeito.

     – Sim.

     – De ponteiro ou digital?

     – Ponteiro.

     – Tem esses quatro aqui à prova d’água.

 

     Direto e ainda o tinha feito lembrar-se de um requisito importante pra sua escolha: não queria ter de ficar tirando e botando o relógio toda vez que fosse fazer entrar em contato com água. Vivia lavando as mãos no trabalho.

 

     – E esse outro aqui, né à prova d’água não?

     – É não, senhor, esse é só resistente.

     – Ah! – fez a maior cara de entendido que foi capaz.

 

    relogio-bolsoPassou a provar dos relógios, todos os quatro com poucas diferenças, basicamente nas cores. Ficou entre o azul e preto. O homem começou a ajustar a pulseira dos dois para que se adequasse ao braço do comprador. Ficaram apertados: gostava – lembrava-se de seu último relógio há cinco anos – deles girando em torno do pulso sem maiores dificuldades. Mais alguns ajustes e estavam bons. Punha um, depois o outro, os dois juntos, olhava, hesitava. Pensou que quando tivesse dinheiro compraria um daqueles relógios de bolso de modelo bem antigo. Queria mesmo era todos vendo que não se adequava àquele mundo, que preferia o século XIX, que apesar da pouca idade preferia o tempo antigo que não vivera, que protestaria contra a modernidade usando um bom, arcaico e anacrônico relógio de bolso com algarismos romanos e tudo mais! O camelô começou:

 

     – Achei que esse preto se assenta mais no senhor.

     – (Ah, meu Deus!)

     – Esses relógios são muito bons, viu? Tem garantia, qualquer coisa é só trazer aqui que eu mesmo ajeito.

     – Realmente é uma grande garantia.

     – É! – disse sem entender a ironia. Olhe, tá todo mundo usando. O senhor acredita que até os protestantes estão me comprando esses modelos aí?

     – Não me diga! (E o que diabos os protestantes têm de especial?)

     – Os representantes de vendas também me compram muito e…

relógio de pulso     – Tá bom, eu vou levar o azul.

     – Eu percebi que o senhor gostou mais desse…

     – Quanto custa?

    - Não vai querer levar nenhum modelo feminino pra namorada ou pra mãe? Eu lhe faço um desconto se…

     – Não, quanto custa só o meu?

     – Bom, é doze reais.

     – Que ridículo! – enfureceu-se.

     – Mas… o quê? O senhor quer trocar por outro modelo? Fique à vontade, pode experimentar aí…

     – Não, meu senhor, seu preço, seu preço é que é ridículo. Vocês vendedores são todos iguais, querem vender um troço por dez reais e dizem que custa doze pra poder a gente pedir desconto, dizer que só quer dar oito reais e aí a gente fecha nos dez reais que o senhor queria, não é? “Nem eu, nem você, vamos fechar nos dez né?” Que ridículo! Pois olhe, meu senhor, eu não peço pra baixar não, viu? Tá aqui seus doze reais e pronto!

     – Mas senhor, me desculpe, eu…

     – Nada de desculpe, pegue os seus doze reais e fique calado se não quiser que eu o denuncie agora mesmo ao Decom por abuso de mediocridade!

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Imagens: relogiolandia.com