Poema

25 10 2009

O homem-máquina

Por Franzé Matos

O homem-máquina vivia
Antes numa ilusão de ser homem
Agora num desejo de ser máquina

No sol quente
Que lhe tocava a pele
Feria agora a química fria
Que protege e perece
Até o próximo frasco
Casco cheio de nova pele
Que se compra

O olhar se estende a vastidão
Do novo e límpido focar de sua mão
A matéria escura de todo universo
O subverso, o transverso já não são limites
O limite é a capacidade de ser máquina
De ser Deus na terra. Este demônio do homem?

Mefistófeles amigo
Que traz de volta o sentido
Sem te cobrar quase nada
Apenas sua alma
Sua gana, seu drama
De ser um novo homem
Homem perfeito e máquina.

Joaseiro.com





Poema da Semana

6 09 2009

Por Franzé Matos

Desligado de tudo estou

Sou um contato raro com o fundo

Desnudo de tu estou

Escrevo as loucuras do mundo

Sou a voz que se cala

Quando tu fala

Não o tu outro

Mas tu que tem fala

Que me cala, que me prende

Descrente que ainda existo

Sou teu interior

Puro torpor em revolução

Degeneração do que sempre vias

Pois tudo é aparente

Dormente segues

Se assim não te guias

Pergunta-me e te respondo

Da-me a mão e te dou um beijo

Mas basta um lampejo

Gracejo de mentiras

E por tempos não te vejo

Mas a vida é reação

Que por me esquecer

Faz-te  a cada golpe sofrer

Por buscar verdades

Nas mentiras

Talhadas a sangue, fé e fogo

Mito,religão e filosofia

As feridas que viram

cicatrizes da guerra interior

Que saram sem nunca desaparecer

Pois basta o medo aparecer

E sempre estarei lá

“Vem! Sou teu amigo”

Joaseiro.com





Poema da Semana

23 08 2009

Por Franzé Matos

Eis que surge o medo da vida e da morte

Sangrando horizontes, busco um norte

Para uma realidade que evanesceu

 

Perdido estou no apagar da chama

Clama agora a infinidade de perguntas

Sem resposta, sem resposta

Chora o meu mundo interior

Um mundo em quem ninguém mais mora

 

Aos loucos fui jogado

E os chamei de companheiros

as perguntas do passado?

Fortaleza de sem sentido passageiro

 

Sou portador de mim mesmo enjaulado

Busco a luz na noite fria

Para escapar da fugacidade

Da mudança eterna que se anuncia

Mas recrudesce um medo

Medo que não mais queria

 

As certezas aparentes

Anestesiadas dormentes

Com o teletransportar para prisão

Liberta o eu de dentro

Ser frágil e nu na vastidão

Um fiel descrente

Racional demente

De verdades em vão

Joaseiro.com





Poema da Semana

9 08 2009

Por Franzé Matos

Sentado ao banco olhando o horizonte

Sob um sol das trevas me tirar

Consigo imaginar uma visão de mundo diferente

 

A grande massa do mar

E a invisibilidade do ar

Fazem remeter às contradições iminente de nosso ser

 

Tente pensar o mar

Sem olhar para o que sempre vês

Sonhas obter algo diferente?

E todo o ar que não vês

Julgas conhecer, mesmo sem enxergar?

 

Enxergar o mar

É não reconhecer

A contradição de nossa visão

Um líquido em volição

Resultado de uma agonia unificadora

Das energias por elas mesmas

Infinitos átomos em relação

Produzem a sensação

Da compreensão do múltiplo como unidade

Mas e todo o ar que não vês?

Como não reconhecer que existe?

 

 

Acreditas demais nos sentidos

Que polidos para nos dar falsas afirmações

Completam sua missa

De nenhuma verdade nos mostrar

Pois nos comandos errados que damos

Recebemos o simples engano como resposta

E cabe a nós duvidar

E nessa mesma duvida contemplar

As visões diversas que se mostram

E na diversidade que aprece

Recrudesce um no modus para a verdade.

Joaseiro.com





Poema da Semana

26 07 2009

Por Franzé Matos

O que é isso sobre nossas cabeças?

Estrelas? Galáxias? Planetas? Não é o desconhecido

Aquilo que tanto temes em pensar

Vives num planeta que flutua sobre o nada

Que é um tudo. Sem saber que é poeira

Uma lareira ínfima. Em oceanos ao quadrado² ao quadrado²… de incertezas.

Tu amigo não tens certeza de nada

Moras num grão de areia

Inebriado pelas glórias voláteis

De falsas verdades

E esqueces as estrelas

Tu? O bem maior da natureza.

Grande piada! Pó é pouco para o que tu és em relação a uma galáxia.

Admira-me ver quão amantes és das falácias…

Porque gostas tanto de se enganar?

Tua Terra gira e não sentes

Tua galáxia movimenta-se e não sentes

O universo se expande e não vês

Como podes crer nisso tudo que te mandam pensar?

Expande-se? para onde?

Buscas uma segurança onde não existe

Inebriar-se com certezas artificiais

Não traz paz alguma ao homem

Mas te faz viver em um cemitério

Coberto pela terra

Que te penetra a boca

Que transforma em rouca

A voz que agora chora por ti

E tu! Sem nunca refletir. Sobre o absurdo aparente que te entorna.

Pois fechando a porta para este universo de mistérios,

Corrompe-se a mentiras ditas como verdade

De onde baseias tua “inteligente” vida

Jogas uma bola para cima ela cai!

Que magnífica certeza, não?

Vais para lua e atira a mesma bola…

A bolsa de valores que agora quebra

Sais da Terra

De que te vale essa verdade?

Humildade é…

Sentir saudade do desconhecido

E ser ungido ao mundo que realmente te aproxima da verdade.

E a única saudade, humano, que deves ter

É a de perceber que realmente nada sabes.

Joaseiro.com





Poema da Semana

20 07 2009

Um Direto Eufemismo

Por Franzé Matos

A morte que se aproxima

A galope caminha em minha direção

Fomentando a contradição

De um medo assombroso sentir

Vire seus olhos para as estrelas

Tudo quanto vês e imaginas

Não faz jus a infinda

Magnitude universal

Em bilhões de anos-luz

De corpos incontáveis em relação

A morte está presente

Para destruir o aparante

E transformá-lo em sensação

Metamorfoseando as energias

Fazendo crescer nossa agonia

E em outro ponto

Nova vida surge

Mas como vivemos num mundo

Escravos dos sentidos e tempo

Sofremos em Refletir a morte como fim

No solo árido sem o húmus

Sob o sol a lhe queimar

O que pensas encontrar?

Se a morte não o aduba

Apegamos-nos a coisas que passam

Transformando-as em eternas

Criando as telas de nossas verdades

Que a morte também transformará

Transformando em energia

A lágrima que cai do teu rosto

Produzindo o próximo objeto posto para a felicidade que está porvir

Joaseiro.com





Poema da Semana

5 07 2009

Na análise das verdades

Por Franzé Matos

Na análise das verdades

Em que nutrimos uma saudade

Das coisas voláteis que sempre passam

É possível ser diferente

E pensar de forma divergente

De uma realidade enunciada

 

Enunciada pela boca de outros

Que partem de um conhecimento posto

Para não padecer do sofrimento

De todo conhecimento ter de reconstruir

Pois partindo de bases sólidas

Uma linda estrada se abre

E o homem caminha

Por vias seguras feito areia movediça

Olhando para um bonito céu de mentiras

Que parece a verdade

E nutrimos uma saudade

Do efêmero que sempre passa

 

E nesta estrada que se anuncia

Encontramos apenas a agonia

De seguir sem questionar

O conhecimento do movediço do asfalto posto

E com grande desgosto

No fim da vida percebermos a vida mesmo que perdemos.

 

O intuito do meu existir

É dinamizar esta via

E exorcizar a segurança da minha vida

E o oposto a mim sempre buscar

Para adentrar um eterno nascente

Que me oriente para um caminho novo sempre sonhar

Em que tudo careça de ressignifcados

E que mesmo neste estado de incerteza

Encontrarei mais clareza

Do que no pensamento posto.

 

Construir o conhecimento em você

Não pode ser algo fácil

Mas como um parto

Rompendo as forças que tentam lhe prender.

Irrompendo em ato

Ato de liberdade

Que é a vida.

Joaseiro.com





Poema da semana

28 06 2009

A consolação da Filosofia – Homenagem a Boécio

Por Franzé Matos

 

No ambiente que me permeia

Sinto no âmago da extensão cutânea

A umidade putrefata dos caminhos que cerceiam

O meu livre caminhar

Que pela falta de liberdade permanecem sozinhos

Encharcados de água no ar

Que de tão úmidos parecem o mar

Mar de lama! E só me resta a cama

E a caneta filosófica usar

Para me afastar dos meus tormentos

Que por uma pena obtusa pagar

Eu deixe de alimentar sentimentos tão vis

Que demovem a noção do ser racional que sou

quE se me deixo vagar

Pelo lado puramente isntintitvo do meu ser

Sinto extremo prazer em concretizar o que pede minha mente

Sofismas e atos doentes

Que me deixam descrente

Da importância do continuar.

Mas pela filosofia

Despejo em tintas minha agonia

E mancho o papel em busca da consolação

Que traz a perfeição de saber que Deus é o próprio bem

E que quem leva uma vida justa e virtuosa

Tem cadeira certa no mundo dos intelectíveis

Pois superar este corpo, que é caverna

É entender a contradição da matéria

E saber que essa mesma contradição

É condição para a verdade

E no caminho do saber sigo pelos anos.

E as prisões materiais que me prendem

Fizeram florescer vivaz energia

Transformando a agonia na força que impulsiona

O livre voar do meu pensamento

Que descobriu a verdade

E que em meu corpo já não habita

E sou princípio de tudo que exista

O puro ato de criar

Sou o próprio nada em movimento.

Joaseiro.com





Um comentário que merece ser lido

25 06 2009

     Realmente dá gosto editar o Joaseiro.com. Mesmo quando o tempo nos falta e passamos alguns dias sem postar, eis que os comentaristas continuam as discussões, enriquecendo o conteúdo do blog e nos incentivando a continuarmos o trabalho. É muito bom ter esse retorno de vocês, leitores. Atualmente, uma boa discussão sobre cultura de massa e arte vem se travando no post “Programação da Expocrato 2009″, algo que vale a pena ser lido, pela qualidade dos questionamentos e argumentações expostas. Outro comentário fantástico que nos chamou a atenção foi o do [colunista] Franzé Matos, acerca do conto de Guilherme Patriota postado logo mais abaixo. Franzé sintetizou em poucas linhas grandes reflexões sobre a individualidade humana, os valores nos dias de hoje e banalização de vários aspectos da vida do homem moderno. Reflexões assim merecem ser lidas por todos e, por isso mesmo, reproduzimos o comentário aqui na página principal.

     Aproveitamos a oportunidade em que falamos diretamente aos leitores para agradecer ao Sr. José Gondim, nosso leitor de Fortaleza que nos enviou email elogioso. A ele, nosso forte abraço. E também agradecemos a Luciano Sá, Assessor de Imprensa do Centro Cultural do Banco do Nordeste, que ‘descobriu’ nosso site e agora manda diretamente para o nosso email a programação dos eventos do CCBN. Comprometemo-nos em continuar a divulgar a valorosa a agenda do CCBN, especialmente a do Cariri.

Joaseiro.com

     “O sentimento de angústia no mundo de I é também o meu. Não entendo porque uma pessoa se torna “massa”. Uma pessoa é todo um mundo, mas agimos hoje de maneiras tão semelhantes que tornamo-nos “massa”. 6 bilhões e não mais existem vanguardas? Artistas espetaculares? Grande filósofos? Que contradição é essa?

    Acredito justamente no oposto: há muito mais arte, muito mais literatura, muito mais diversidade que em qualquer época. Mas pela quantidade de novo que a todo segundo surge, torna-se tudo banal demais? E por quê?

     Quantificamos, categorizamos, distinguimos, criamos padrões. É verdade, facilita mais a vida e a ”mudança que cada ser pode dar para seu habitat”, mas aonde isto está nos levando? Literatura é banal, filosofia banal, arte é banal, saber a cada segundo o que ocorre em todo o mundo é banal, destruir a natureza de todo o planeta é banal, quase duas dezenas de países com bomba atômica é banal, a morte é banal, árvore banal, animal banal, tudo banal? Para que viver assim? Se banal tournou-se a vida? Que grande caminho para onde fomos levados.

     O novo é a constância, não mais a ruptura. O “sistema” de hoje vive e se mantém da produção e consumo deste novo. E ele é, antes de virar ruptura, trazido para o seio do sistema como produto que o próprio sistema possibilitou. Nosso pensamento vive sobre uma única lógica. É preciso reverter a própria lógica. Pois a lógica influencia todos nossos pensamentos e ações. E mudarmos os pensamentos e ações e não refundarmos a lógica de onde eles surgem, de que adianta? É muito maior e mais complexo. Vivemos no mundo que é um grão de areia e esquecemos de todo o resto. Em nosso entorno há quatrilhões e quatrilhões de quilômetros pelo universo. Olhando para a mesa a sua frente ela fervilha num movimento incessável e achamos que ela está parada.

    Radicalidade realmente. Precisamos de um grande gole, urgente.”

 Franzé Matos





Poema da Semana

21 06 2009

Por Franzé Matos

Na relação com o outro

Tome cuidado, mas mantenha a tensão

As marcas de um diálogo

Ficam incrustadas nas palavras ditas

 

Fales sempre de forma valente

Buscando na mente a idéia esguia

Que transformam o latente em via a se pensar

 

Tome cuidado com o que desejas

Nesta peleja pelo que buscas

Podes encontrar a guerra

E na esfera deste embate

Podes sentir saudade da paz que não querias

 

Falar com outro

Já é um confronto

Em que sentidos se chocam

Desde o abraço que anuncia

A aproximação de dois mundos

Onde as diferenças alheias

São incontáveis como grãos de areia

Que na natureza ainda podes contar.

 

Buscamos conversar

Para encontrar e conhecer nossas verdades no

Pois sabes bem, como é difícil caminhar sozinho

A relação com o outro é imprevisível

Um encontro com o invisível

Um universo de diferença

Que nos faz evoluir como humano

Reconhecendo o engano

Na impossibilidade de se reconhecer sozinho.

Joaseiro.com





Uma sensação deturpadora da razão

28 05 2009

Por Franzé Matos

Uma sensação deturpadora da razão

Percorre meu corpo nesses segundos

Em que o mundo parece desabar

Sobre ossos perfurantes

E gritos jorrantes de adrelina e cuspes a jorrar junto com palavras

Manchando de negro o ambiente

E transformando baluartes de negação e concordância

Em uma distância visceralmente enorme de transpassar

Pois entre mundos distintos

Há todo um jogo de instintos

Que a nossa mente e aos outros quer controlar

Sendo material pesado todo esse estado de incompreensão e divergência

E na iminência do embate

No corpo que se debate sob a parede que rui

Com líquidos de tristeza

Em variantes incertezas dos minutos que custam a cessar

Só resta contemporizar

Se por novamente em um altar famigerado

E criticar, criticar e criticar.

Joaseiro.com





Trazendo o conhecimento do manifesto

20 05 2009

Por Franzé Matos

Trazendo o conhecimento do manifesto

Para o eterno postular de forças em relação

Que produzem o movimento

Em todo momento que pudermos questionar

Aquilo que vemos como unidade

E transformá-la em múltiplos espelhos da realidade

Criando multiplicidades tamanhas

Que fazem chocar minha própria razão

Criando em mim uma negação

Fomentando a contradição do ingênuo flertar

Elevando minha relação sujeito-objeto

Para outro paradigma e começo a compreender

O caminho que devo seguir para que algo de eterno original eu possa contemplar

E praticar na vida sensitiva os frutos desse pensar

Pois refletir sem praticar os conceitos que lhe assolam

É se prender entre medos dos pesadelos vazios

Num torpe medo das reações

Das mesmas sensações que todos os homens também sentem

Que por não refletirem sobre realidades postas

Permanecem expostas sob pano negro invisível

Que esconde sua real vocação

Ser manifestação de mútiplos

Tornando indivisível toda a realidade

E escondendo a verdade

Para uma vida de mentiras sonhar.

Joaseiro.com





Mais poesia

1 05 2009

No dia do nosso aniversário, postamos a bela instigante poesia de Franzé Matos, nosso grande parceiro desde o início do blog.

 

Sou um sofista. Produzo minha doxografia em poesias

Que virtuam e desvirtuam o pensamento de tanta gente

Pois nossa razão baseada em projeção não privilegia a verdade

Mas um mundo de virtualidade que cremos como a única forma possível de se pensar.

Esquecemo-nos das grandes dúvidas que forma o homem

Inebriados por juros, mercados, paixões e das bolsas em colapso

Ai meu deus! Quanto dinheiro eu perdi?

Por isso a filosofia é salutar

Pois nos faz rememorar

Da dádiva que é ser um ser racional

E poder superar o animal que a todo momento tenta nos dominar

Devemos rememorar o sentido que nossas efêmeras vidas devem trilhar

Para fazer frutificar em campos de selvagerias e futilidades

Sem se preocupar com as fatalidades que tal busca lhe trará

Pois enunciar pensamentos idiossincráticos sobre a vida de outro ser pensante

É divagar por preconceitos incessantes

E ser queimado em fogueiras

Já não as de madeira, mas de risos irônicos e flertes atônitos

Que transformam toda contraposição

Em uma simples memória

Que aos poucos se evapora

Pois outra bolsa acabou de falir.

Joaseiro.com





Somos animais

11 04 2009

O Joaseiro.com traz uma reflexão aos que só pensam em não comer carne na sexta-feira santa.

Por Franzé Matos

Em sonhos provindos de cavernas do passado
Vejo deturpados em voluptuosas correntes
Imagens decadentes de milhares de seres
Entre não contáveis joelhos e chifres
Vejo releases da matança da qual compactuava

Estes músculos, joelhos e chifres
Antes de serem defumados
Eram contemplados com a vida
Que em nossas certezas de discernimento
Achamos que a qualquer momento a vida de outro ser podemos tirar
Para nos alimentar com desculpas mesquinhas
Dizimando os inferiores
“Pois sou o mais forte!”

Entre toneladas de sangue coagulados
Resultados de um dia normal
Em corredores de carnificina
Vêem apenas um caminho
Lacrimejando os olhos por seu indelével destino
De um produto comercial

Tratamos a vida como nosso maior bem
Somos leões com quem tenta nos privar
Mas com a vida de bilhões de seres
Emitimos pareceres sem julgamento
Esperando apenas nosso estômago acalmar
Com o sangue de tantas vidas
As quais somos cúmplices em retirar e dizimar
Mas se já não nos consternamos com a morte de humanos
Porque se preocupar com a vida de um animal?
Um ser irracional que a única coisa que tem para nos dar é prazer
E falamos sem vacilo
“Eles são fabricados para isso!”

 Joaseiro.com





Somente a realidade que me afeta

18 02 2009

Por Franzé Matos

Somente a realidade que me afeta

Anima meus sentidos

Projetando ondas de sentidos

Que se transformam em noções

A que nossa essência assiste

Que sendo separada desse mundo fenomênico

Precede à própria existência humana

Mas sem padecer de determinismos

Pois podemos através da razão

Descobrir padrões no caos fenomênico

E nos limites das coisas é que poderemos buscar estradas

Que nos possibilitem ressignificar toda jornada

Pois nos  limites das manifestações

Produzem-se as notícias do que pode ser entendido

Depois do limite. O que resta é especulação

E sobre essa abstração nada poderemos afirmar

Por estarmos subordinados a conhecer o mundo pelos sentidos

Somos coagidos a todo momento nosso conhecimento ressignificar

Joaseiro.com





Se quiser atingir o mundo

26 01 2009

Por Franzé Matos

Se quiser atingir o mundo

Buscando o sentido do viver

Voe rápido como um raio

Mas voe para dentro de você

O bem e o mal lhe virão

Na contramão de algo ficarás

Na calma de um pesar

Continue sempre na contramão

O caminho você escolhe

Escolha efetiva a opção

Voe rápido como um raio

Mas voe em sua direção

E no caos terrível de tudo

Descubra sua trajetória no mundo

E ame sem limites

O que realmente tiver que amar

Joaseiro.com





Espelhos

9 01 2009

Por Franzé Matos

No espelho que nos vemos
Nunca nos reconhecemos
Pois nestas figuras decrépitas que percebemos
Nem de longe são as imagens complexas e difusas
Do que realmente somos

Vemos nossa imagem através de pressupostos
De interpretações que nos sublimam as noções
E naquelas formas projetadas que nos aparecem
São frutos das imaginações
Do acúmulo de percepções e interpretações
Que formam as projeções da figura que se expõe

O ser é pensamento, o ser não é imagem
Imagens, cor, som são tentações
Que nos levam a alçapões de obscuridades
Se assim o desejarmos

Se pensamos que somos corpos animados
Visivelmente incrustados de falsos baluartes
Prosseguiremos e mataremos em todos os milionésimos momentos o verdadeiro esplendor do nosso ser
Que é pensamento

O corpo não sente nada
Nunca tocamos em nada
Pois em campos magnéticos
De causas e efeitos em repulsões e atrações
É que o mundo empírico se mostra
Muitas vezes entendido de maneira torta
E desprezamos o pensar sem nem tentar conceituar
O mais fundamental “o que sou eu?”

Não somos imagens em espelhos
Somos amalgamas de pensamento
E todo esse excremento que nos mandam pensar
É nosso dever duvidar
E buscar na mais simples dúvida uma certeza
E vislumbrar com clareza a base de onde
A partir daí a tudo, novamente, devemos questionar.

Joaseiro.com





Enlouquecido de Prazer

18 12 2008

Por Franzé Matos

Enlouquecido de prazer

Sinto-me enlouquecer

E a produção de saliva acelerar

Sentenciado de rancor

Afogo-me num licor

Ou deixo o cheiro de brasa voar

E dizimar o cheiro do ar puro

Transformando-o em puramente poluído

Com cheiros de coisas que se queimam

Que por todo globo desvaneiam

E obrigam a todos máscaras de fumaça comprar

Para esconder o rosto

Do grande desgosto

De um ar brancamente-cinza respirar

E abrigar nos pulmões

As futuras dilacerações

Frutos dos nossos vícios

Da grandeza e da fraqueza dos sentidos

E aguardamos sem pensar

A cristalização dos alvéolos

Que destroem parte do mistério

Do dualismo Corpo x Alma que nos assola

Aproximando com grande êxito

A inefetivação que vai chegar

E no desenrolar desta vida

Vejo tanta destruição

Condizente com tanta contradição

Que só me resta protestar

E escrever demências

Que façam das carências minhas também as suas

Por ser um defensor do diferente

Tenho uma opinião divergente

De quase tudo que possas associar

Digo-te que releia o poema

E enfrente o dilema de um pensamento diferente encontrar

E faça desta contradição

Caminho para uma junção dos opostos em você

Pois em vez de demência

Acharás a sensação do mais pleno bem estar.

Joaseiro.com





Poesia

6 12 2008

Por Franzé Matos

Czares do conhecimento produzem seus bustes em concreto

Envaidecidos de dádivas efêmeras

Delinqüindo-se em idéias ilustres

Produzindo pensamentos ditosos

Recebendo generosos elogios

Engrossando as espessuras do cimento

Decalcados conhecimentos tentam apagar

Meu modo de estar em descontato com o mundo

Descontato ridículo para olhos normais

Que se alinham a álibis jocosos

E que cheios de altruísmo tentam me levar

Para um mundo idílico

De prazeres massivos em que meus hormônios

Podem se propagar feito hera em muros férteis

E em indeléveis momentos de torpor

Sobe-me um amargor, um jato assustador

Que da boca me saiu

Sujando o chão de dejetos

Do produto do meu enojo

De uma fantasia que a algo tenta mascarar

Sem pormenorizar suas reais intenções

E agindo como arautos da sabedoria

Cegos de certezas, sentido-se altezas

Observam maravilhados seus bustes de fantasia

E a espessura do cimento sempre a aumentar.

Joaseiro.com





Vagando entre universos paralelos

21 11 2008

 Por Franzé Matos

Vagando entre universos paralelos,

Visando algumas respostas encontrar,

Dirijo-me ao infinito,

E contemplo o limbo metafísico,

Do encontro pós-físico de todos os paralelos,

Na estranha viagem da minha alma,

Com medo vociferante do desconhecido,

Contemplo embevecido idéias cristalizadas,

E linhas curvas formadas e deformadas

Por uma força incomum,

A que nenhum homem pode se eximir de sentir,

E a esta força indescritível,

Que a tudo animou,

Não consigo explicá-la por palavras e sentidos,

Pois corro o risco de me atirar em litígios,

E viver um ostracismo,

De tentar conceituar o que nem se pode imaginar,

Sendo assim, deixo-lhe uma ingrata missão,

Se quiser encontrar seu verdadeiro ser,

Liberte-se de tufo que pensas ter,

E finque os pés nos desconhecidos,

Pois as respostas estão nos abismos,

E não tão visíveis, que a qualquer momento possamos imaginar.

Joaseiro.com





Sentimentos calados

16 11 2008

Por Franzé Matos

Sentimentos calados

Em espaços fechados

Numa luz que se apaga

 

Do breu que se anuncia

Minha alma irradia

Uma fagulha de esperança

 

Em amores latentes

Florescem pungentes

Herança da filosofia

 

Caminho que se abre

Entre as sombras que já sabem

Que este ser não podem assombrar

 

Uma razão treinada

Visceralmente incrustada

De uma sutil sensibilidade

É condição para a liberdade

E todo medo enfrentar

 Joaseiro.com





O tempo que não se pode medir

29 10 2008

Por Franzé Matos

O tempo que não se pode medir

E as explicações sistemáticas do devir

Fazem-me refletir sobre a nossa relação com a abstração

 

Refletir sobre a abstração

É encarar a contradição

De quão efêmera a percepção sensorial o é

 

Como não consigo conceituar,

Por símbolos inteligíveis, o que é abstração,

Somento posso comentar, os processos que me levam,

A noção da mais tênue sensação,

Deste quase insondável vislumbrar,

 

No ato de escrever minhas poesias,

E no fim achar que não são minhas,

Pelo seu processo de criação,

 

Sinto-me como avatar,

E me deixo controlar,

Por forças irreconhecíveis,

Que me dirigem por não-físicos incompreensíveis

E produzem o texto que aqui está.

 

Joaseiro.com





O Produto dos Meus Sonhos

16 10 2008

Por Franzé Matos (Aniversariante de Hoje)

O produto dos meus sonhos

Que agora se concretizou

Tenta me deixar

E as pilastras de minha vida esfacelar

Feito lágrima ao tocar o chão

 

Depois de violar

Com sentimento tão lindo meu mundo

Como podes, por um segundo, pensar em abandonar

 

Proponho um amor diferente

Daqueles que poucas pessoas buscam, sentem ou querem encontrar

Erguido sobre paredes de virtudes

Que o tempo poupará

Pois seu constituto é permanente

Diferente de que com o tempo irá se desmanchar

 

O amor não é racional

E sendo assim, não tem torná-lo banal

Como se a toda hora outro novo fôssemos encontrar

 

E todo mal que me traz

Não se compara a paz

Que seu amor me dá

 

Abrindo as portas do meu pensamento

Para que todo esse excremento efêmero que nos mandam pensar

Dinheiro, velhice, fama e morte

Não consigam me dominar

 

E se de alguma forma sou forte

Nas dificuldades da vida

É apenas o produto

Do amor que me remete a verdade

Que está para além dos sentidos

E prossigamos unidos

Pois o amor é mais sutil e verdadeiro

Do que toda essa verdade que juras enxergar.

Joaseiro.com

Nossos parabéns a Franzé!





Interesses subjetivos, aspirações práticas

11 10 2008

 Por Franzé Matos

Em nossos interesses subjetivos

Viajamos por horizontes desarmônicos

Buscando antecipar os ritmos lascivos

E os efeitos nocivos

Do simples pensar.

 

Pensar em dizer, pensar em fazer.

Buscar entender, flertar com o prazer.

Não fazem de você

Algo melhor ou pior do que já és.

 

O mundo e as coisas não são linhas retas. Deixe a contingência tomar conta de seus atos.

Em interesses subjetivos, almejes aspirações práticas. E assim instaures a divergência.

 

Faça nascer, faça crescer.

Comece a viver, faça morrer.

Sem nunca temer a razão

Faça partir, enxergue o devir.

Faça fluir, espere partir.

E que se exploda a razão.

 

Joaseiro.com





Estupefato pela ebulição ruidosa de imagens

5 10 2008

Por Franzé Matos

Estupefato pela ebulição ruidosa de imagens,

Em que todas são absurdas miragens,

Fotografias tratadas para vislumbrar-nos a realidade,

Que não é a minha, nem a sua,

 

Crédulos de significados ontológicos,

Assistimos apenas a conceitos porosos,

E na gama de especulações tortuosas,

Vemos a dissolução de tantas tentações,

E criação instantânea de tantas soluções,

De problemas que nem sabia que tinha,

 

Com meus olhos tomados pelo branco da parede,

A qual me deparo, incólume, por insondáveis momentos,

Sou invadido por palavras exteriores de “louco!”,

Mas quando assisto à um quadrado-retângulo animado,

Não se sintam rogados de louco também me chamar,

 

E em viajosas penumbras que nos envoltam,

Entre filosofias e estercos argilosos,

Que tentam soltar e prender nossas mentes no voar,

Prossigamos misteriosos. Não, por não saber para onde ir,

Mas para onde, e como queiramos chegar.

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