Complexamente Entorpecido

2 10 2008

Por Franzé Matos

Complexamente entorpecido ao marcar páginas em branco,

Sinto-me esvaído de qualquer tipo de razão,

E na poesia que te escrevo,

Só me aproveito do ensejo,

Para ensandecidos absurdos falar,

Absurdos com certeza,

Pois quem tenta falar sem clareza,

De problemas tão logicamente enlouquecedores,

Sofre de um mal não natural de si,

Pois os caminhos que percorri,

Já não se encerram em mim ou nas minhas ânsias voláteis,

Mas em uma infinita amálgama de preceitos,

Que buscam, cada vez mais, em si e no todo, conceitos,

Os quais me façam prosseguir num caminho sem soluções peremptórias,

Mas solução notória e rica de pluralismo,

Sem se esquivar do perigo, de viver uma vida solitária ou pragmática,

Mas correndo como a luz de uma visão dogmática da construção do real

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Conceituo o que não sinto

11 09 2008

Por Franzé Matos

Conceituo o que não sinto,
Conceituo tudo que vejo,
Conceituo o amor, o ódio e o desrespeito,
Mas meus conceitos tornam-se preconceitos,
Se não reflito o que me levou a tal conceito,

Se a algo determino como certo,
Nego toda ordem de realidades em aberto,
E negar a contingência quem em tudo está presente,
É vedar-se com névoa inebriante,
E vagar errante em busca de louco ideal,

Desde a infância,
As famílias que nos alimentam,
Em todos nós fomentam,
Nossas primeiras concepções do real,
E se não pararmos para pensar que pensamos sobre égides pré-existentes,
E nunca confrontar nossas contradições iminentes,
É perambular em territórios de certezas aparentes,
E se perder em nosso orgulho existente,
E viver uma vida maquínica tão normal,

Confrontar a oposição e se render,
Tantas vezes, a nossa negação,
É dever do homem e combustível de sua sede devastadoracriadora.

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Filme: Depois do Casamento

8 09 2008

Por Franzé Matos

Terceiro filme da diretora dinamarquesa Susane Bier (Corações livres (2002) e Brothers (2004)), Depois do casamento é um daqueles filmes que o espectador não pode deixar de assistir. Indicado ao Oscar 2007 de melhor filme em língua estrangeira, que pela qualidade de seus concorrentes e, em minha opinião, leve injustiça não levou a estatueta, perdendo para outro grande filme “A vida dos outros”.

O roteiro escrito por Anders Thomas Jensen, sobre argumento de Susanne Bier é um dos pontos altos deste longa. Os fortes contornos melodramáticos se unem a um ambiente de diálogos curtos, lágrimas e sentimentos, os quais se proliferam pelo silêncio entre os personagens criando uma atmosfera constantemente impregnada de um mal-estar, tudo isso transmitido por uma câmera volátil, mas segura, que busca dar ênfase a natureza psicológica da cena, levando o espectador a inferir uma infinidade de conclusões, que nos dão uma leve noção de já ter assistido tantos outros filmes com o mesmo enredo. Talvez seja exatamente este o interesse da diretora, nos levar de mãos dadas pelo caminho que se abre fazendo-nos tirar conclusões quase que definitivas sobre o final do filme, para logo em seguida nos surpreender com diálogos, tons e emoções tão sutis que emocionam e angustiam nossas verdades e nos faz refletir sobre a condição humana dilacerando o clima gélido que se mantém por grande parte do filme.

O filme começa com Jacob (Mads Mikkelsen), um dinamarquês altruísta que luta para manter funcionando um orfanato a beira do colapso financeiro na Índia. Jacob não regressa ao seu país de origem há mais de 20 anos e refundou sua vida entre o povo sofrido mas feliz indiano, produzindo fortes laços afetivos com os garotos do orfanato, que parecem ser o motivo primordial de sua vida.

Ao receber a grande notícia que um financiador dinarmaquês, Jørgen (Rolf Lassgård) pretende doar uma verba substancial para que o orfanato continue suas atividades, impondo uma única condição que Jacob venha conversar pessoalmente na sede de sua empresa na Dinamarca, relutante, Jacob deixa a Índia e seus meninos, partindo para Copenhague depois de 20 anos de afastamento.

Ao chegar à cidade de seus fantasmas sente-se extremamente incomodado com o clima frio e denso da cidade mantendo uma postura lacônica com as pessoas com quem entra em contato. Ao encontrar-se com o Jørgen recebe a notícia que terá de ficar mais alguns dias no país, pois a filha do empresário está a beira do casamento e só em posteriori ao evento os dois terão a conversa definitiva sobre o futuro de sua obra na Índia.

Na cena do casamento, um dos pontos chaves do filme, começamos a nos inteirar sobre o passado, até então, obscuro de Jacob, que pelo belíssimo jogo de câmeras e frases proferidas pelos personagens quebram a gelidez da festividade dinamarquesa com um sem fim de olhares e sentimentos que dilaceram a felicidade aparente e a transformam-na numa amálgama de sensações indecifráveis.

A esposa de Jørgen, Helene, (Sidse Babett Knudsen) é uma ex-namorada de Jacob, que por uma separação dramática há mais de 20 anos não se encontravam. Sua filha Anna (Stine Fischer Christensen) é o produto proibido deste amor que se rompeu. Jacob atordoado busca, com a mesma força que luta pelos meninos do orfanato, uma aproximação com sua filha aumentando as tensões no longa até o limite da explosão(clímax), em que Jørgen revela seu incólume segredo e transforma a tônica de todo filme, deixando o espectador abismado com o poder narrativo do roteiro, com sua profusão de emoções em oposição a fotografia (Stine Hein, Ole Kragh-Jacobsen, Morten Soborg e Otto Stenov) extremamente bela, mas gélida.

Depois do casamento, portanto, é um filme que merece ser visto e apreciado da forma mais atenta possível. É uma grande jornada pela sutileza dos sentimentos humanos e uma experiência engrandecedora cinematograficamente.

Ficha Técnica: Título Original: Efter Brylluppet
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 120 minutos
Ano de Lançamento (Dinamarca / Suécia):
2006
Site Oficial: www.aftertheweddingmovie.com
Estúdio: Zentropa Entertainments
Distribuição: California Filmes
Direção: Susanne Bier
Roteiro: Anders Thomas Jensen, baseado em estória de Anders Thomas Jensen e Susanne Bier
Produção: Sisse Graum Olsen
Música: Johan Söderqvist
Fotografia: Stine Hein, Ole Kragh-Jacobsen, Morten Soborg e Otto Stenov
Desenho de Produção: Soren Skjaer
Figurino: Manon Rasmussen e Signe Sejlund
Edição: Pernille Bech Christensen e Morten Hojbjerg

Elenco:

Mads Mikkelsen (Jacob Petersen), Sidse Babett Knudsen (Helene), Rolf Lassgard (Jorgen), Stine Fischer Christensen (Anna), Mona Malm (Farmor), Christian Tafdrup (Christian), Ida Dwinger (Annette), Frederik Gullits Ernst (Martin), Kristian Gullits Ernst (Morten), Meenal Patel (Sra. Shaw), Anne Fletting (Secretária), Niels Anders Thorn (Padre), Rita Angela (Tia), Erni Arneson (Tia), Marie-Louise Coninck (Tia)

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Os políticos que anunciam

4 09 2008

Por Franzé Matos

Os políticos que anunciam

Grandes melhorias para a sua cidade

Ou estão com saudade de um poder desfrutar

Ou preocupados em ajudar, de verdade, a população

 

Reconheça no seu candidato

Seu verdadeiro substrato

A que tantas vezes tenta mascarar

Para aumentar seu número de votos

E rir de sua decisão

 

Na robótica propaganda eleitoral

Em que tudo parece tão igual

Busque reconhecer

E as máscaras demover

Dos candidatos que se debatem

 

E se mesmo assim errar

E seu candidato só maquinar

Inócuas proposições

Funde uma comunidade

E parta para ação

 

Pois os tempos das grandes mudanças passaram

Tudo parece mais homogêneo!

Ou só querem que pensemos assim?

 

Se lamentar sem cobrar

É se deixar levar

Pela desrazão do seu candidato

Se deixar levar

Nada mais é que compactuar

Com a roubalheira a qual combatias.

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Descompassados símbolos sonoros

28 08 2008

Por Franzé Matos

Descompassados símbolos sonoros,
Embevecidos de paradoxos não inteligíveis,
Provenientes desde os primeiros movimentos,
Recrudescem intermitentes, em todo esmo momento,
Fazendo vibrar películas sonoras,
Contendo as informações,
De todas as não-inanições,
Que o cosmos produziu,
Nestas ondas paradoxais,
Em que opostas forças se degladiamam,
Trazendo em seu cerne as contradições do seu existir,
Uníssonos e ruídos produzem a história,
E rememoram as sutis memórias,
De tempos imemoriais,
O som se assemelha ao homem,
Incompreensíveis estabilidades oxímiricas,
Vibram e se modificam nas relações,
Compassadas por dinâmicas emoções,
Criando complexas ressonâncias,
E transformando provocativas dissonâncias,
Em infinitas metamorfoses de si.

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Ignorante? Obrigado!

21 08 2008

Por Franzé Matos

Veja toda fugaz beleza
Mas sinta a genial leveza
Da expressão como ideal

Vemos o que não conhecemos
E conhecendo o desconhecido
Erramos sem ter entendido
A verdade na concepção do real

Formados por irônicas ideologias
Corremos atrás das fantasias
Que nos mascaram dia após dia
Sem nem se perguntar o porquê!

E se não sabemos por que pensamos
A toda ora erramos
Na busca da compreensão sensorial

E no não saber por que pensar
E a toda hora deitar
E maquinar insólitas abstrações
Nos perdemos nas confusões

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Um Deus transcedente

15 08 2008

Por Franzé Matos

Um Deus transcendente, uma moral decadente,
Um sol permanente é em que nos mandam acreditar,
Sem conjecturar a divindade infinita,
Das coisas mais bonitas ou mais sujas,
Que se pode enxergar,Desenvaginações e invaginações do infinito
Formam as complexas visões do finito,
Formando todas as formas,
E construindo todas as normas,
Que entornam nosso real,

A Natureza que se mostra,
Que pelo nosso orgulho e imbecilidade,
Cremos como morta, permanece exposta,
Aos nossos intentos tão vis,

Neste mundo de bilhões de reis,
Em que toda gama de Ignorância se fez,
O importante mesmo, parece ser, o segundo seguinte,
E como cegos entre corredores apertados,
Mantemo-nos acorrentados às nossas visões tão parciais,

Que transformam nosso mundo num descampado verde-escarlate,
Encharcado por sangue e seiva,
De toda a natureza,
Comentando apenas: “O importante é o progresso!”.

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