Novo Colunista

26 04 2009

Para dar início à semana em que comemoraremos 1 ano de Joaseiro.com, hoje estreamos uma nova coluna, a do pernambucano Guilherme Patriota, que já era nosso leitor e comentarista assíduo. Guilherme publicará contos e reflexões sobre artes em geral. Deleitem-se!

Conto de Parágrafo Único:

Tradição é Tradição

     Na Itapetim de minha infância, moral e tradição sempre andavam juntas, e deviam ser interpretadas de acordo com nossos próprios sentidos. E nada mais tradicional do que a bodega de seu JS. Lá, nas quartas-feiras, dia da feira da cidade, todos se encontravam para comprar seus mantimentos ou mesmo para encher a cara ou simplesmente para observar os sitiantes que só apareciam naquele dia para fazer negócios e também suas feiras semanais. Mas para nós moradores da rua – como lá se dizia – a tradição era o queijo de manteiga fresquinho, que chegava pontualmente às 7h da manhã, e que era consumido por todos os habitantes daquela localidade. Seu JS nunca ficava pela manhã, apenas abria a bodega e ai acordar P, seu neto, que preguiçoso que era, vinha ainda sonolento tomar conta do negócio da família. Na minha casa, que tradicionalmente eu não tomava café da manhã, todos adoravam queijo de manteiga, principalmente no desjejum quando o queijo ainda estava quente e não precisava nem esquentar o pão para consumi-lo. Sendo eu o filho homem mais velho, meu pai sempre me atribuía a função de ir buscar o queijo fresco na bodega de seu JS, motivo este para eu nunca querer engolir aquele alimento tão tradicional na rotina alimentícia de nossa cidade. Diariamente a cena se repetia. Chegava eu na bodega e estava P sentado, com os joelhos junto ao rosto, meio acordado e meio dormindo, com os olhos cheios de remela e o nariz sempre escorrendo pelas duas narinas, esperando que qualquer freguês lhe acordasse para fazer seu pedido. O queijo, objeto de maior desejo de todos, geralmente, ficava em uma mesa logo a sua frente para facilitar a movimentação e para que o mesmo voltasse a cochilar mais rápido no intervalo entre um freguês e outro. Quando eu o chamava ele sempre dizia que não estava dormindo e, quase que mecanicamente, punha sua mão sobre a mesa, puxava o pano que cobria o queijo, passava em seu rosto, retirando todo aquele excremento que ali se encontrava, pegava a faca com a outra mão e limpava-a com o mesmo pano e me perguntava quantos quilos queria. Eu dizia a quantidade, ele cortava, pesava, embalava com um papel de embrulho e me entregava para que minha família pudesse tomar deliciada seu café da manhã. Certo dia, enojado com a situação e, principalmente, porque P estava extremamente resfriado, escorrendo rios de catarro por suas narinas e, ainda, resolveu limpar a parte superior do queijo com aquele mesmo pano que limpava seus excrementos, dado que era época de chuva e as moscas tomavam conta do local, resolvi perguntar se ele não se sentia mal por praticar tamanho ato anti-higiênico e o mesmo respondeu: “- Meu amigo, tradição é tradição! Você está querendo questionar a moral higiênica deste ambiente que alimenta toda uma cidade?” Sai de lá todo desengonçado e resolvi, pela primeira vez, comer aquele tão tradicional queijo brasileiro, realmente brasileiro, verde e amarelo.

Guilherme Patriota

Recife, 13 de fevereiro de 2009

Joaseiro.com





Somos animais

11 04 2009

O Joaseiro.com traz uma reflexão aos que só pensam em não comer carne na sexta-feira santa.

Por Franzé Matos

Em sonhos provindos de cavernas do passado
Vejo deturpados em voluptuosas correntes
Imagens decadentes de milhares de seres
Entre não contáveis joelhos e chifres
Vejo releases da matança da qual compactuava

Estes músculos, joelhos e chifres
Antes de serem defumados
Eram contemplados com a vida
Que em nossas certezas de discernimento
Achamos que a qualquer momento a vida de outro ser podemos tirar
Para nos alimentar com desculpas mesquinhas
Dizimando os inferiores
“Pois sou o mais forte!”

Entre toneladas de sangue coagulados
Resultados de um dia normal
Em corredores de carnificina
Vêem apenas um caminho
Lacrimejando os olhos por seu indelével destino
De um produto comercial

Tratamos a vida como nosso maior bem
Somos leões com quem tenta nos privar
Mas com a vida de bilhões de seres
Emitimos pareceres sem julgamento
Esperando apenas nosso estômago acalmar
Com o sangue de tantas vidas
As quais somos cúmplices em retirar e dizimar
Mas se já não nos consternamos com a morte de humanos
Porque se preocupar com a vida de um animal?
Um ser irracional que a única coisa que tem para nos dar é prazer
E falamos sem vacilo
“Eles são fabricados para isso!”

 Joaseiro.com





Somente a realidade que me afeta

18 02 2009

Por Franzé Matos

Somente a realidade que me afeta

Anima meus sentidos

Projetando ondas de sentidos

Que se transformam em noções

A que nossa essência assiste

Que sendo separada desse mundo fenomênico

Precede à própria existência humana

Mas sem padecer de determinismos

Pois podemos através da razão

Descobrir padrões no caos fenomênico

E nos limites das coisas é que poderemos buscar estradas

Que nos possibilitem ressignificar toda jornada

Pois nos  limites das manifestações

Produzem-se as notícias do que pode ser entendido

Depois do limite. O que resta é especulação

E sobre essa abstração nada poderemos afirmar

Por estarmos subordinados a conhecer o mundo pelos sentidos

Somos coagidos a todo momento nosso conhecimento ressignificar

Joaseiro.com





Parte II – A Nova Cara da Música Mineira

6 02 2009

Parte II – “Abra Palavra”

Por Helayne Cândido

A música para mim sempre foi e será uma experiência de estar conectada a outra realidade, sair desse mundo e entrar em outro. Para que eu consiga escrever sobre música tenho que estar conectada a ela, quase que 24 horas do dia, sentindo vontade de escutá-la e fazer dela praticamente um mantra. Peço desculpas se sumi por esses tempos e conseqüentemente não dei continuidade à série “a nova cara da música mineira”. Não que eu tenha parado de escutar música mineira, muito pelo contrário, acabei descobrindo novos “sons mineiros” e espero que em outras oportunidades possa compartilhar com vocês, mas a vida de estudante, fim de semestre, dona de casa e moradora temporária em outro Estado me consumiu. Mas cá estou de volta e vamos parar com explicações, porque meu negócio por aqui é inventar que sei algo sobre música.

Dando continuidade, parece que foi ontem (já faz quase dois anos…) que eu simplesmente liguei a TV e saí procurando algo que me chamasse atenção. Chega um ponto que eu já passei praticamente todos os canais e chego à TV CÂMARA. Bem, olhe, eu gosto de assistir TV CÂMARA e TV SENADO, ok? Acho que se a maioria das pessoas parasse pra ver esses canais uma vez que fosse, acabariam “descobrindo” coisas bem legais! Não tem só discurso de político não (respeito aos de Suplicy, certo? Porque eu paro pra assistir os dele! Mas isso é outra conversa…), tem muitos programas interessantes e entre eles um que me chamou atenção de nome “Talentos”.

De onde vinha aquela poesia toda? Quem são esses dois? Isso soa tão Minas! E eu estava certa! Era uma dupla, uma moça bem bonitinha chamada Mariana Nunes, de uma voz extremamente doce e afinadíssima, e um rapaz de cabelos compridos, tocando violão, e cantando de forma segura. Eram simplesmente Vitor Santana e Mariana Nunes. Vamos lá, ficha técnica: Vitor Santana, além de violonista, é um excelente cantor, dono de um timbre forte, músico, compositor e autor do CD e DVD “Abra Palavra” e “Abra Palavra Ao Vivo” em parceria com Mariana Nunes. É também participante, idealizador e coordenador de vários projetos na área de cultura, como a ONG Contato – Centro de Referência da Juventude (www.contatocrj.org.br), na Filial do Contato na cidade de Ouro Preto, como também foi Diretor-administrativo e idealizador da SIM 2005-2007, e participante da Câmara Setorial de Música do Ministério da Cultura em 2005 na Funarte, Rio de Janeiro. Mariana Nunes é dona da voz suave e seu timbre de voz alcança regiões sonoras variadas, com técnica, sentimento e exatidão, estuda música na Fundação de Educação Artística, além de integrar o coral Voz e Companhia, um dos mais importantes corais populares de Minas.

Os dois são amigos desde muito novos e com a amizade surgiu a afinidade musical que, tempos depois, acabou por gerar a parceria (e que bela parceria!) no projeto “Abra Palavra” que foi amadurecido com participações muito especiais, entre elas destaco o Flávio Henrique (se lembra dele? É! O mesmo que produziu e dividiu composições com o Pedro Morais! Flávio Henrique está em todas!), e a cantora, Juliana Perdigão, que canta com o Vitor a música “Desalinho”, uma das mais belas do referido trabalho. Escutar esse projeto é conhecer não só a sonoridade mineira, mas principalmente do nosso país. São toadas, afro-sambas, baiões, em composições extremamente inspiradas, como nas canções Pra Não Chorar, Dois momentos, Abra Palavra, e Curral Del Rey, ou seja, é um Cd indispensável para quem gosta de conhecer um pouco mais do nosso país através da música e de artistas como o Vitor e a Mariana, que conseguem, de forma magnífica, unir contemporaneidade e tradição.

Confira os vídeos do DVD “Abra Palavra Ao Vivo”:

1

2

3

Quem quiser baixar o programa da TV CÂMARA com a dupla é só acessar esse link:

http://www.camara.gov.br/internet/TVcamara/default.asp?selecao=MAT&Materia=39381

***

Joaseiro.com

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Se quiser atingir o mundo

26 01 2009

Por Franzé Matos

Se quiser atingir o mundo

Buscando o sentido do viver

Voe rápido como um raio

Mas voe para dentro de você

O bem e o mal lhe virão

Na contramão de algo ficarás

Na calma de um pesar

Continue sempre na contramão

O caminho você escolhe

Escolha efetiva a opção

Voe rápido como um raio

Mas voe em sua direção

E no caos terrível de tudo

Descubra sua trajetória no mundo

E ame sem limites

O que realmente tiver que amar

Joaseiro.com





Espelhos

9 01 2009

Por Franzé Matos

No espelho que nos vemos
Nunca nos reconhecemos
Pois nestas figuras decrépitas que percebemos
Nem de longe são as imagens complexas e difusas
Do que realmente somos

Vemos nossa imagem através de pressupostos
De interpretações que nos sublimam as noções
E naquelas formas projetadas que nos aparecem
São frutos das imaginações
Do acúmulo de percepções e interpretações
Que formam as projeções da figura que se expõe

O ser é pensamento, o ser não é imagem
Imagens, cor, som são tentações
Que nos levam a alçapões de obscuridades
Se assim o desejarmos

Se pensamos que somos corpos animados
Visivelmente incrustados de falsos baluartes
Prosseguiremos e mataremos em todos os milionésimos momentos o verdadeiro esplendor do nosso ser
Que é pensamento

O corpo não sente nada
Nunca tocamos em nada
Pois em campos magnéticos
De causas e efeitos em repulsões e atrações
É que o mundo empírico se mostra
Muitas vezes entendido de maneira torta
E desprezamos o pensar sem nem tentar conceituar
O mais fundamental “o que sou eu?”

Não somos imagens em espelhos
Somos amalgamas de pensamento
E todo esse excremento que nos mandam pensar
É nosso dever duvidar
E buscar na mais simples dúvida uma certeza
E vislumbrar com clareza a base de onde
A partir daí a tudo, novamente, devemos questionar.

Joaseiro.com





Enlouquecido de Prazer

18 12 2008

Por Franzé Matos

Enlouquecido de prazer

Sinto-me enlouquecer

E a produção de saliva acelerar

Sentenciado de rancor

Afogo-me num licor

Ou deixo o cheiro de brasa voar

E dizimar o cheiro do ar puro

Transformando-o em puramente poluído

Com cheiros de coisas que se queimam

Que por todo globo desvaneiam

E obrigam a todos máscaras de fumaça comprar

Para esconder o rosto

Do grande desgosto

De um ar brancamente-cinza respirar

E abrigar nos pulmões

As futuras dilacerações

Frutos dos nossos vícios

Da grandeza e da fraqueza dos sentidos

E aguardamos sem pensar

A cristalização dos alvéolos

Que destroem parte do mistério

Do dualismo Corpo x Alma que nos assola

Aproximando com grande êxito

A inefetivação que vai chegar

E no desenrolar desta vida

Vejo tanta destruição

Condizente com tanta contradição

Que só me resta protestar

E escrever demências

Que façam das carências minhas também as suas

Por ser um defensor do diferente

Tenho uma opinião divergente

De quase tudo que possas associar

Digo-te que releia o poema

E enfrente o dilema de um pensamento diferente encontrar

E faça desta contradição

Caminho para uma junção dos opostos em você

Pois em vez de demência

Acharás a sensação do mais pleno bem estar.

Joaseiro.com





Poesia

6 12 2008

Por Franzé Matos

Czares do conhecimento produzem seus bustes em concreto

Envaidecidos de dádivas efêmeras

Delinqüindo-se em idéias ilustres

Produzindo pensamentos ditosos

Recebendo generosos elogios

Engrossando as espessuras do cimento

Decalcados conhecimentos tentam apagar

Meu modo de estar em descontato com o mundo

Descontato ridículo para olhos normais

Que se alinham a álibis jocosos

E que cheios de altruísmo tentam me levar

Para um mundo idílico

De prazeres massivos em que meus hormônios

Podem se propagar feito hera em muros férteis

E em indeléveis momentos de torpor

Sobe-me um amargor, um jato assustador

Que da boca me saiu

Sujando o chão de dejetos

Do produto do meu enojo

De uma fantasia que a algo tenta mascarar

Sem pormenorizar suas reais intenções

E agindo como arautos da sabedoria

Cegos de certezas, sentido-se altezas

Observam maravilhados seus bustes de fantasia

E a espessura do cimento sempre a aumentar.

Joaseiro.com





Vagando entre universos paralelos

21 11 2008

 Por Franzé Matos

Vagando entre universos paralelos,

Visando algumas respostas encontrar,

Dirijo-me ao infinito,

E contemplo o limbo metafísico,

Do encontro pós-físico de todos os paralelos,

Na estranha viagem da minha alma,

Com medo vociferante do desconhecido,

Contemplo embevecido idéias cristalizadas,

E linhas curvas formadas e deformadas

Por uma força incomum,

A que nenhum homem pode se eximir de sentir,

E a esta força indescritível,

Que a tudo animou,

Não consigo explicá-la por palavras e sentidos,

Pois corro o risco de me atirar em litígios,

E viver um ostracismo,

De tentar conceituar o que nem se pode imaginar,

Sendo assim, deixo-lhe uma ingrata missão,

Se quiser encontrar seu verdadeiro ser,

Liberte-se de tufo que pensas ter,

E finque os pés nos desconhecidos,

Pois as respostas estão nos abismos,

E não tão visíveis, que a qualquer momento possamos imaginar.

Joaseiro.com





Sentimentos calados

16 11 2008

Por Franzé Matos

Sentimentos calados

Em espaços fechados

Numa luz que se apaga

 

Do breu que se anuncia

Minha alma irradia

Uma fagulha de esperança

 

Em amores latentes

Florescem pungentes

Herança da filosofia

 

Caminho que se abre

Entre as sombras que já sabem

Que este ser não podem assombrar

 

Uma razão treinada

Visceralmente incrustada

De uma sutil sensibilidade

É condição para a liberdade

E todo medo enfrentar

 Joaseiro.com





O tempo que não se pode medir

29 10 2008

Por Franzé Matos

O tempo que não se pode medir

E as explicações sistemáticas do devir

Fazem-me refletir sobre a nossa relação com a abstração

 

Refletir sobre a abstração

É encarar a contradição

De quão efêmera a percepção sensorial o é

 

Como não consigo conceituar,

Por símbolos inteligíveis, o que é abstração,

Somento posso comentar, os processos que me levam,

A noção da mais tênue sensação,

Deste quase insondável vislumbrar,

 

No ato de escrever minhas poesias,

E no fim achar que não são minhas,

Pelo seu processo de criação,

 

Sinto-me como avatar,

E me deixo controlar,

Por forças irreconhecíveis,

Que me dirigem por não-físicos incompreensíveis

E produzem o texto que aqui está.

 

Joaseiro.com





O Produto dos Meus Sonhos

16 10 2008

Por Franzé Matos (Aniversariante de Hoje)

O produto dos meus sonhos

Que agora se concretizou

Tenta me deixar

E as pilastras de minha vida esfacelar

Feito lágrima ao tocar o chão

 

Depois de violar

Com sentimento tão lindo meu mundo

Como podes, por um segundo, pensar em abandonar

 

Proponho um amor diferente

Daqueles que poucas pessoas buscam, sentem ou querem encontrar

Erguido sobre paredes de virtudes

Que o tempo poupará

Pois seu constituto é permanente

Diferente de que com o tempo irá se desmanchar

 

O amor não é racional

E sendo assim, não tem torná-lo banal

Como se a toda hora outro novo fôssemos encontrar

 

E todo mal que me traz

Não se compara a paz

Que seu amor me dá

 

Abrindo as portas do meu pensamento

Para que todo esse excremento efêmero que nos mandam pensar

Dinheiro, velhice, fama e morte

Não consigam me dominar

 

E se de alguma forma sou forte

Nas dificuldades da vida

É apenas o produto

Do amor que me remete a verdade

Que está para além dos sentidos

E prossigamos unidos

Pois o amor é mais sutil e verdadeiro

Do que toda essa verdade que juras enxergar.

Joaseiro.com

Nossos parabéns a Franzé!





Interesses subjetivos, aspirações práticas

11 10 2008

 Por Franzé Matos

Em nossos interesses subjetivos

Viajamos por horizontes desarmônicos

Buscando antecipar os ritmos lascivos

E os efeitos nocivos

Do simples pensar.

 

Pensar em dizer, pensar em fazer.

Buscar entender, flertar com o prazer.

Não fazem de você

Algo melhor ou pior do que já és.

 

O mundo e as coisas não são linhas retas. Deixe a contingência tomar conta de seus atos.

Em interesses subjetivos, almejes aspirações práticas. E assim instaures a divergência.

 

Faça nascer, faça crescer.

Comece a viver, faça morrer.

Sem nunca temer a razão

Faça partir, enxergue o devir.

Faça fluir, espere partir.

E que se exploda a razão.

 

Joaseiro.com





Estupefato pela ebulição ruidosa de imagens

5 10 2008

Por Franzé Matos

Estupefato pela ebulição ruidosa de imagens,

Em que todas são absurdas miragens,

Fotografias tratadas para vislumbrar-nos a realidade,

Que não é a minha, nem a sua,

 

Crédulos de significados ontológicos,

Assistimos apenas a conceitos porosos,

E na gama de especulações tortuosas,

Vemos a dissolução de tantas tentações,

E criação instantânea de tantas soluções,

De problemas que nem sabia que tinha,

 

Com meus olhos tomados pelo branco da parede,

A qual me deparo, incólume, por insondáveis momentos,

Sou invadido por palavras exteriores de “louco!”,

Mas quando assisto à um quadrado-retângulo animado,

Não se sintam rogados de louco também me chamar,

 

E em viajosas penumbras que nos envoltam,

Entre filosofias e estercos argilosos,

Que tentam soltar e prender nossas mentes no voar,

Prossigamos misteriosos. Não, por não saber para onde ir,

Mas para onde, e como queiramos chegar.

Joaseiro.com 





Complexamente Entorpecido

2 10 2008

Por Franzé Matos

Complexamente entorpecido ao marcar páginas em branco,

Sinto-me esvaído de qualquer tipo de razão,

E na poesia que te escrevo,

Só me aproveito do ensejo,

Para ensandecidos absurdos falar,

Absurdos com certeza,

Pois quem tenta falar sem clareza,

De problemas tão logicamente enlouquecedores,

Sofre de um mal não natural de si,

Pois os caminhos que percorri,

Já não se encerram em mim ou nas minhas ânsias voláteis,

Mas em uma infinita amálgama de preceitos,

Que buscam, cada vez mais, em si e no todo, conceitos,

Os quais me façam prosseguir num caminho sem soluções peremptórias,

Mas solução notória e rica de pluralismo,

Sem se esquivar do perigo, de viver uma vida solitária ou pragmática,

Mas correndo como a luz de uma visão dogmática da construção do real

Joaseiro.com





Conceituo o que não sinto

11 09 2008

Por Franzé Matos

Conceituo o que não sinto,
Conceituo tudo que vejo,
Conceituo o amor, o ódio e o desrespeito,
Mas meus conceitos tornam-se preconceitos,
Se não reflito o que me levou a tal conceito,

Se a algo determino como certo,
Nego toda ordem de realidades em aberto,
E negar a contingência quem em tudo está presente,
É vedar-se com névoa inebriante,
E vagar errante em busca de louco ideal,

Desde a infância,
As famílias que nos alimentam,
Em todos nós fomentam,
Nossas primeiras concepções do real,
E se não pararmos para pensar que pensamos sobre égides pré-existentes,
E nunca confrontar nossas contradições iminentes,
É perambular em territórios de certezas aparentes,
E se perder em nosso orgulho existente,
E viver uma vida maquínica tão normal,

Confrontar a oposição e se render,
Tantas vezes, a nossa negação,
É dever do homem e combustível de sua sede devastadoracriadora.

Joaseiro.com





Filme: Depois do Casamento

8 09 2008

Por Franzé Matos

Terceiro filme da diretora dinamarquesa Susane Bier (Corações livres (2002) e Brothers (2004)), Depois do casamento é um daqueles filmes que o espectador não pode deixar de assistir. Indicado ao Oscar 2007 de melhor filme em língua estrangeira, que pela qualidade de seus concorrentes e, em minha opinião, leve injustiça não levou a estatueta, perdendo para outro grande filme “A vida dos outros”.

O roteiro escrito por Anders Thomas Jensen, sobre argumento de Susanne Bier é um dos pontos altos deste longa. Os fortes contornos melodramáticos se unem a um ambiente de diálogos curtos, lágrimas e sentimentos, os quais se proliferam pelo silêncio entre os personagens criando uma atmosfera constantemente impregnada de um mal-estar, tudo isso transmitido por uma câmera volátil, mas segura, que busca dar ênfase a natureza psicológica da cena, levando o espectador a inferir uma infinidade de conclusões, que nos dão uma leve noção de já ter assistido tantos outros filmes com o mesmo enredo. Talvez seja exatamente este o interesse da diretora, nos levar de mãos dadas pelo caminho que se abre fazendo-nos tirar conclusões quase que definitivas sobre o final do filme, para logo em seguida nos surpreender com diálogos, tons e emoções tão sutis que emocionam e angustiam nossas verdades e nos faz refletir sobre a condição humana dilacerando o clima gélido que se mantém por grande parte do filme.

O filme começa com Jacob (Mads Mikkelsen), um dinamarquês altruísta que luta para manter funcionando um orfanato a beira do colapso financeiro na Índia. Jacob não regressa ao seu país de origem há mais de 20 anos e refundou sua vida entre o povo sofrido mas feliz indiano, produzindo fortes laços afetivos com os garotos do orfanato, que parecem ser o motivo primordial de sua vida.

Ao receber a grande notícia que um financiador dinarmaquês, Jørgen (Rolf Lassgård) pretende doar uma verba substancial para que o orfanato continue suas atividades, impondo uma única condição que Jacob venha conversar pessoalmente na sede de sua empresa na Dinamarca, relutante, Jacob deixa a Índia e seus meninos, partindo para Copenhague depois de 20 anos de afastamento.

Ao chegar à cidade de seus fantasmas sente-se extremamente incomodado com o clima frio e denso da cidade mantendo uma postura lacônica com as pessoas com quem entra em contato. Ao encontrar-se com o Jørgen recebe a notícia que terá de ficar mais alguns dias no país, pois a filha do empresário está a beira do casamento e só em posteriori ao evento os dois terão a conversa definitiva sobre o futuro de sua obra na Índia.

Na cena do casamento, um dos pontos chaves do filme, começamos a nos inteirar sobre o passado, até então, obscuro de Jacob, que pelo belíssimo jogo de câmeras e frases proferidas pelos personagens quebram a gelidez da festividade dinamarquesa com um sem fim de olhares e sentimentos que dilaceram a felicidade aparente e a transformam-na numa amálgama de sensações indecifráveis.

A esposa de Jørgen, Helene, (Sidse Babett Knudsen) é uma ex-namorada de Jacob, que por uma separação dramática há mais de 20 anos não se encontravam. Sua filha Anna (Stine Fischer Christensen) é o produto proibido deste amor que se rompeu. Jacob atordoado busca, com a mesma força que luta pelos meninos do orfanato, uma aproximação com sua filha aumentando as tensões no longa até o limite da explosão(clímax), em que Jørgen revela seu incólume segredo e transforma a tônica de todo filme, deixando o espectador abismado com o poder narrativo do roteiro, com sua profusão de emoções em oposição a fotografia (Stine Hein, Ole Kragh-Jacobsen, Morten Soborg e Otto Stenov) extremamente bela, mas gélida.

Depois do casamento, portanto, é um filme que merece ser visto e apreciado da forma mais atenta possível. É uma grande jornada pela sutileza dos sentimentos humanos e uma experiência engrandecedora cinematograficamente.

Ficha Técnica: Título Original: Efter Brylluppet
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 120 minutos
Ano de Lançamento (Dinamarca / Suécia):
2006
Site Oficial: www.aftertheweddingmovie.com
Estúdio: Zentropa Entertainments
Distribuição: California Filmes
Direção: Susanne Bier
Roteiro: Anders Thomas Jensen, baseado em estória de Anders Thomas Jensen e Susanne Bier
Produção: Sisse Graum Olsen
Música: Johan Söderqvist
Fotografia: Stine Hein, Ole Kragh-Jacobsen, Morten Soborg e Otto Stenov
Desenho de Produção: Soren Skjaer
Figurino: Manon Rasmussen e Signe Sejlund
Edição: Pernille Bech Christensen e Morten Hojbjerg

Elenco:

Mads Mikkelsen (Jacob Petersen), Sidse Babett Knudsen (Helene), Rolf Lassgard (Jorgen), Stine Fischer Christensen (Anna), Mona Malm (Farmor), Christian Tafdrup (Christian), Ida Dwinger (Annette), Frederik Gullits Ernst (Martin), Kristian Gullits Ernst (Morten), Meenal Patel (Sra. Shaw), Anne Fletting (Secretária), Niels Anders Thorn (Padre), Rita Angela (Tia), Erni Arneson (Tia), Marie-Louise Coninck (Tia)

Joaseiro.com





Os políticos que anunciam

4 09 2008

Por Franzé Matos

Os políticos que anunciam

Grandes melhorias para a sua cidade

Ou estão com saudade de um poder desfrutar

Ou preocupados em ajudar, de verdade, a população

 

Reconheça no seu candidato

Seu verdadeiro substrato

A que tantas vezes tenta mascarar

Para aumentar seu número de votos

E rir de sua decisão

 

Na robótica propaganda eleitoral

Em que tudo parece tão igual

Busque reconhecer

E as máscaras demover

Dos candidatos que se debatem

 

E se mesmo assim errar

E seu candidato só maquinar

Inócuas proposições

Funde uma comunidade

E parta para ação

 

Pois os tempos das grandes mudanças passaram

Tudo parece mais homogêneo!

Ou só querem que pensemos assim?

 

Se lamentar sem cobrar

É se deixar levar

Pela desrazão do seu candidato

Se deixar levar

Nada mais é que compactuar

Com a roubalheira a qual combatias.

Joaseiro.com





Santa Joana, Bernard Shaw

31 08 2008

Continuação da série Bernard Shaw em Santa Joana em 4 partes. Publicamos Joana Soldado, Joana Feiticeira e, por fim, Santa Joana:

SANTA JOANA

Por Andreína Vieira

O curioso epílogo foge de toda estrutura realista da peça até a cena VI. Já se passaram vinte e cinco anos desde a condenação de Joana à fogueira; a antiga herege, agora tem as acusações a seu respeito perdoadas perante o Papa e a Igreja Apostólica Romana. Seus juízes, não mais vivos, são excomungados e acusados de corruptos. Shaw esquematiza todas as personagens que sofreram a presença ou interferência de Joana nas suas vidas em cena, são espíritos mortos e vivos apresentados num sonho de Carlos, antigo Delfim. Eles saúdam Joana pela sua conquista, admiram sua personalidade guerreira e se desculpam por algum transtorno a ela causado.

Não há como eles esconderem a admiração profunda sentida pelas atitudes da moça, mas este mesmo sentimento é embaraçado à incompreensão de saber conviver ao lado dela. Joana perdoada pelos eclesiásticos católicos também será séculos depois considerada santa. O autor faz deste epílogo algo surreal, faz estranhos tempos se confrontarem e deixarem evidente a protagonista o quanto ela é bem quista estando morta, assim pode ser adorada, ter honras e saudações. Viva, independente, da época seja o século quinze ou vinte, mesmo outorgada santa será incômoda, pois suas atitudes permanecerão de um ser visionário e revolucionário. Nenhum tempo comporta Joana ou seres a ela semelhantes sejam eles Che Guevara, Gandhi, Lênin, Conselheiro ou Beato Lourenço. As mega instituições precisam destas grandes personalidades caladas, mortas em corpo e lembranças vivas nos livros, memórias do povo, na história ou no extremo de virarem produtos comercializados nas canecas e camisetas, numa época distante de George Bernard Shaw, mas próxima de nós.

E como o disse Shaw através de sua personagem:

Ó Deus, que fizeste esta bela Terra, quando estará ela preparada para receber os Teus santos? Quando, ó Senhor, quando?

Santa Joana é um grito, de dor e indignação, pois tivemos revoluções na técnica, na filosofia, ciência, artes, mas as ações de toda uma massa social (incluindo opressores e oprimidos) permanecem vazias de significado maior: o valor humano, sua liberdade de expressar-se como indivíduo dotado de determinados saberes. Mas o grito é de esperança, também, pois joanas irão nascer enquanto não existir liberdade e mudanças tiverem de ser feitas no âmago de uma dada estrutura política, cultural ou humana. Porque um ideal estranho não deve despertar medo, sobretudo, desejos de amalgamar, compreender ou perpetuar.

Joaseiro.com





Descompassados símbolos sonoros

28 08 2008

Por Franzé Matos

Descompassados símbolos sonoros,
Embevecidos de paradoxos não inteligíveis,
Provenientes desde os primeiros movimentos,
Recrudescem intermitentes, em todo esmo momento,
Fazendo vibrar películas sonoras,
Contendo as informações,
De todas as não-inanições,
Que o cosmos produziu,
Nestas ondas paradoxais,
Em que opostas forças se degladiamam,
Trazendo em seu cerne as contradições do seu existir,
Uníssonos e ruídos produzem a história,
E rememoram as sutis memórias,
De tempos imemoriais,
O som se assemelha ao homem,
Incompreensíveis estabilidades oxímiricas,
Vibram e se modificam nas relações,
Compassadas por dinâmicas emoções,
Criando complexas ressonâncias,
E transformando provocativas dissonâncias,
Em infinitas metamorfoses de si.

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Joana Feiticeira, Bernard Shaw.

24 08 2008

Continuação da série Bernard Shaw em Santa Joana em 4 partes. Publicamos Joana Soldado, e agora Joana Feiticeira:

JOANA FEITICEIRA

Por Andreína Vieira

A natureza feminina é mistério para um mundo governado pelo ser macho. Muitas mulheres foram queimadas na Idade Média, antes desta prática horrenda já se sacrificavam jovens na Antiguidade, no contexto contemporâneo, a violência contra a mulher é assombrosa. Joana foi à fogueira acompanhando várias outras fêmeas denominadas bruxas, mas difere bastante delas, pois, esta moça que virou soldado seria exterminada quantas vezes nascesse e nas mais diversas épocas. Não apenas por ter sido mulher e ousar trajar-se de roupas inadequadas ou simplesmente ouvir vozes celestes, ela era ideóloga da equidade, não a satisfazia o sistema político-social o qual estava imersa. Joana era revolucionaria e nenhum tempo histórico abriga impetuosos revolucionários. Seria ela fuzilada, prisioneira, perseguida, processada, nunca livre pensante, sempre livre errante no emaranhado sistema.

A camponesa não entendia o jogo político cada vez mais cerceador, não soube se envolver neste jogo e usar a paciência ou talvez até sedução feminina a seu favor. Vivia a práxis impensada, queria liberdade de idolatrar seu Deus, queria agir consonante a suas vozes e a ninguém além delas ouvia. Tinha um objetivo, um ideal, e nunca o largaria.

A Igreja a culpava de herege, seus juízes, principalmente, Cauchon não lhe foram corruptos ou iníquos, julgaram-na como interpretava a Inquisição os casos de heresia. Poderiam tê-la salvado da morte se viesse a proclamar seus pecados e se submetesse a uma solidão purificadora, distante da vida mundana. Ora, a Donzela nascera a respirar os ventos campônios, sua personalidade era de ferro e enferrujaria nos escuros porões legados aos prisioneiros católicos. Preferia o fogo à sarjeta. E para os eclesiásticos católicos um ser independente das rígidas doutrinas hierarquizadas da “Santa Mãe Igreja” não poderia viver em harmonia com aqueles aos seus valores obedientes.

Eis outro furacão provocado pela persona da jovem. Inocente de seus atos, não imaginava que seu Deus era concorrente do Deus da mesma Igreja também amada no seu coração. Era herege, assim o tribunal católico a qualificou. Cauchon personifica toda a indecisão da Instituição religiosa ao ter de punir uma alma jovem e pura, mas era preciso, havia algo no momento mais valoroso em questão.

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Da série [em três partes]: a nova cara da música mineira! [eu quero ir pra Minas!]

22 08 2008

Parte I – “O mundo é resultado dos contrários”

Por Helayne Cândido

     Quando te perguntam o que te lembra Minas Gerais você responde o quê? Eu respondo, não necessariamente nesta ordem, a música do Milton Nascimento (apesar dele ter nascido no Rio de Janeiro), a política do café-com-leite (não tenho culpa se sempre preferi História à Química), e uma nova safra de artistas fazendo música boa, muito boa (são tantos, tantos…). Entre esse novo pessoal que faz a nova cara da música mineira, escolhi três e começo falando do Pedro Morais: cantor, compositor, e instrumentalista, dono de uma voz incomum e invejável, um timbre do tipo médio-grave, exata na interpretação, precisa na técnica, um espetáculo, e que já possui com apenas 23 anos um trabalho que merece muita atenção.

     O moço das Minas Gerais vive em contato com a música desde muito cedo e fez os primeiros acordes de violão aos sete anos de idade, passando pelo bandolim, e a freqüente participação na companhia do pai, Dalton Magalhães em rodas de chorinho e samba-canção não deixaram que Pedro se separasse mais da música. Em 1999, ao participar do 16º Festival da Canção de Turmalina (Festur) foi considerado o melhor intérprete com uma música de sua própria autoria. Em 2000, é convidado a participar de um projeto chamado “Viva a Praça – Cantores, do BDMG Cultural, e anos mais tarde, 2004, é um dos vencedores do Conexão Telemig Celular 2004 – Novos Talentos na Música Mineira, participando do CD do projeto com as músicas “Minha Loucura” e “Muito Mais” – esta última, com participação especial de Marina Machado (abro um parêntese aqui para essa música, porque é uma das que mais gosto de escutar, principalmente porque casou muito bem as duas vozes, e tem uma percussão muito gostosa. Marina Machado é aquela cantora “descoberta” pelo Milton Nascimento uns anos atrás, que de companheira do mestre “nos bailes da vida” lançou-se como cantora solo com o aval do Milton. “Péssimo” início, não é? Quem não a conhece, basta procurar no Youtube os vídeos do especial Milton Nascimento no programa Som Brasil da Globo, que a moça que aparece cantando com ele a música “Tristesse” é a Marina Machado (mais uma mineira).

     O CD de estréia em 2006, homônimo, possui 11 faixas autorais e uma versão à capela (be-lís-si-ma!) de “O Mestre Sala dos Mares”, de João Bosco e Aldir Blanc, conta com uma porrada de gente muito boa entre instrumentalistas e compositores, dos quais destaco o compositor brasiliense Magno Mello, que juntamente com o Pedro assina nada mais, nada menos, que 8 das 11 faixas autorais (tem uma música do Magno Melo disponível em: www.myspace.com/magnomello chamada “ao pé da cama” que tem uma das letras mais lugar-comum-porém-NADA-clichê que somada a interpretação do Pedro Morais tornou-se quase um mantra na minha vida, dá uma sacada aí que vale a pena!) e o produtor, cantor, compositor, e instrumentalista mineiro Flávio Henrique. A música de Pedro é o encontro dos Beatles com os Novos Baianos, de Tom Zé com Los Hermanos, e suas letras não imprimem somente poesia, mas questionamentos que fazemos todos os dias e por isso se torna tão verdadeiramente humana. O reconhecimento do trabalho rendeu ao Pedro dividir o palco com artistas reconhecidos do cenário da música mineira e nacional, como Vander Lee, Max de Castro, Paulinho Moska, Toninho Horta, Beto Guedes, Flávio Venturini, Ná Ozzetti e Simone Guimarães. Num primeiro momento você vai achar que é só mais um “cantor de MPB estilo barzinho-e-violão”, mas pare, escute, e principalmente sinta, porque “Pedro vai, vai sobre a linha do trem (…) E tudo que a vida prometeu, ainda caminha a prometer”. E como promete Pedro, como promete pra você.

***

Para experimentar: http://www.myspace.com/opedromorais

Para baixar: http://rapidshare.com/files/25186717/Pedro_Morais.zip.html

Confira os vídeos:

e mais este:

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Ignorante? Obrigado!

21 08 2008

Por Franzé Matos

Veja toda fugaz beleza
Mas sinta a genial leveza
Da expressão como ideal

Vemos o que não conhecemos
E conhecendo o desconhecido
Erramos sem ter entendido
A verdade na concepção do real

Formados por irônicas ideologias
Corremos atrás das fantasias
Que nos mascaram dia após dia
Sem nem se perguntar o porquê!

E se não sabemos por que pensamos
A toda ora erramos
Na busca da compreensão sensorial

E no não saber por que pensar
E a toda hora deitar
E maquinar insólitas abstrações
Nos perdemos nas confusões

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Um Deus transcedente

15 08 2008

Por Franzé Matos

Um Deus transcendente, uma moral decadente,
Um sol permanente é em que nos mandam acreditar,
Sem conjecturar a divindade infinita,
Das coisas mais bonitas ou mais sujas,
Que se pode enxergar,Desenvaginações e invaginações do infinito
Formam as complexas visões do finito,
Formando todas as formas,
E construindo todas as normas,
Que entornam nosso real,

A Natureza que se mostra,
Que pelo nosso orgulho e imbecilidade,
Cremos como morta, permanece exposta,
Aos nossos intentos tão vis,

Neste mundo de bilhões de reis,
Em que toda gama de Ignorância se fez,
O importante mesmo, parece ser, o segundo seguinte,
E como cegos entre corredores apertados,
Mantemo-nos acorrentados às nossas visões tão parciais,

Que transformam nosso mundo num descampado verde-escarlate,
Encharcado por sangue e seiva,
De toda a natureza,
Comentando apenas: “O importante é o progresso!”.

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Colunistas

15 08 2008

     Hoje estreamos a coluna de Franzé Matos, mais um juazeirense que vem se somar à equipe do Joaseiro.com. Franzé começará postando suas poesias, mas esperamos que em breve ele possa nos escrever sobre outros assuntos também. A idéia é que as poesias publicadas aqui, ao final do ano, transformem-se no seu primeiro livro.

     No início da semana, estreou a coluna da barbalhense Andreína Vieira, estudiosa das Artes Cênicas que falará predominantemente sobre Teatro. E já está conosco a também juazeirense Helayne Cândido, escrevendo sobre música e outros assuntos.

     Esperamos que nossos leitores apreciem as novas seções do site. Continuamos falando sobre os assuntos do dia-a-dia da cidade e da região, mantendo o espírito crítico, mas ganhamos a leveza e a sensibilidade proporcionadas por nossos caros colunistas.

      Boa leitura!

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