Expandindo as atividades

24 09 2009

     Wilson Melo anda expandindo suas atividades. Agora, além do programa na TV Verde Vale, ele está no rádio, na Barbalha FM. O mesmo discurso de “um programa ético, que ouve todos os lados, sem conotação política”. Balela. Na prática, comete os mesmos erros e vícios jornalísticos do seu programa televisivo.

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Belchior – 35 anos de carreira

24 08 2009

     Se no final da semana passada, fazíamos uma singela homenagem a Raul Seixas, hoje é dia de homenagear justamente o cantor cearense que chegou a ser ironizado por Raul em suas músicas. É tempo de celebrar os 35 anos de carreira do grande Belchior. Fiquemos com três vídeos de músicas representativas da obra do compositor e cantor. Postamos também alguns trechos das letras.

     O primeiro é a bela versão ao vivo de “A Palo Seco”, um dos grandes sucessos de Belchior, que aqui canta com grande empolgação junto com o grupo Los Hermanos, numa apresentação do programa Altas Horas da Rede Globo. O segundo vídeo é uma seleção de imagens para servir de fundo a “Alucinação”, outra grande composição. Por último, Belchior canta, também ao vivo, “Velha Roupa Colorida”, uma das suas músicas (juntamente com a música “Como Nossos Pais”) que foi gravada por Elis Regina em 1976, dando-lhe início à projeção nacional.

     Com vocês, Belchior!

Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que você sonhava.
De olhos abertos, lhe direi:
- Amigo, eu me desesperava.
Sei que, assim falando, pensas
Que esse desespero é moda em 73.
Mas ando mesmo descontente.
Desesperadamente eu grito em português:

- Tenho vinte e cinco anos de sonho e
De sangue e de América do Sul.
Por força deste destino,
Um tango argentino
Me vai bem melhor que um blues.
Sei, que assim falando, pensas
Que esse desespero é moda em 73.
E eu quero é que esse canto torto,
Feito faca, corte a carne de vocês.

Eu não estou interessado
Em nenhuma teoria
Em nenhuma fantasia
Nem no algo mais
Nem em tinta pro meu rosto
Ou oba oba, ou melodia
Para acompanhar bocejos
Sonhos matinais…

Eu não estou interessado
Em nenhuma teoria
Nem nessas coisas do oriente
Romances astrais
A minha alucinação
É suportar o dia-a-dia
E meu delírio
É a experiência
Com coisas reais…

Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
E o que há algum tempo era jovem novo
Hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer

Joaseiro.com





Toca, Raul!

22 08 2009

     Mais homenagem a Raul Seixas, agora na voz de Zeca Baleiro:





Eu morri há vinte anos atrás

21 08 2009

Hoje faz vinte anos que o álcool levava mais cedo desta vida o cantor brasileiro Raul Seixas.





Léo Jaime e Chico Buarque em “Morena dos Olhos D’água”

2 08 2009

 





Homenagem atrasada ao Dia do Amigo

26 07 2009

Há alguns dias comemorou-se o dia do amigo (20 de julho). Postamos agora um vídeo com uma canção que talvez seja um dos maiores hinos à amizade da história da música. Um show de interpretação, de instrumentos, de letra, de emoção, enfim, de música. Dedicado do editor a todos os amigos que compõem este blog.

Letra: http://letras.terra.com.br/joe-cocker/8009/

Tradução: http://letras.terra.com.br/joe-cocker/454563/

Joaseiro.com





The Beatles

18 07 2009

Acesse: http://whiplash.net/materias/biografias/038585-beatles.html

Fonte: Whiplash.net; Youtube.com





Pink Floyd

18 07 2009

Acessem: http://whiplash.net/materias/biografias/038414-pinkfloyd.html

Fonte: Whiplash.net; Youtube.com





13 de Julho, Dia Mundial do Rock.

13 07 2009

Live Aid e o Dia Mundial do Rock

A maioria das datas importantes celebradas em nosso calendário requer uma reflexão sobre os acontecimentos que norteiam essa ostentação, fazendo com que nos debrucemos aos fatos e busquemos através da história a origem do dia comemorativo.


Por Alexandre Saggiorato | Em 12/07/09 | do site Whiplash.net

Como o dia mundial do rock aproxima-se, nada melhor do que explorar esse tema tão envolvente e importante para o mundo da música jovem. O rock originou-se nos Estados Unidos na década de 1950 e ganhou o mundo a partir daí, passando por diversas modificações sonoras e visuais. Mas é importante ressaltar que o dia mundial do rock não é apenas um dia estipulado por sua música ou pela mídia, mas também pelo seu envolvimento político e social que crescia a cada década e que foi simbolizado durante o festival de rock LIVE AID, realizado em 1985.

BOB GELDOF, compositor, humanista e vocalista da banda BOOMTOWN RATS, idealizou juntamente com MIDGE URI o evento que foi realizado no dia 13 de julho de 1985. O concerto aconteceu simultaneamente nos estádios JFK na Filadélfia nos Estados Unidos e no estádio Wembley em Londres na Inglaterra, e contou com a presença de diversos artistas, entre eles: STATUS QUO, Led Zeppelin, DIRE STRAITS, MADONNA, QUEEN, JOAN BAEZ, DAVID BOWIE, B. B. KING, MICK JAGGER, STING, U2, PAUL MCCARTNEY e PHIL COLLINS que curiosamente conseguiu tocar nos dois estádios, embarcando em um avião rapidamente após o show na Inglaterra rumo aos EUA.

O evento teve como objetivo principal e utópico, o fim da fome na Etiópia e foi transmitido pela BBC para diversos países. ERIC CLAPTON que também se apresentou no festival comentou em sua autobiografia sobre os momentos que antecederam sua apresentação no festival: “Nos hospedamos no Four Seasons Hotel, onde cada quarto estava ocupado por músicos. Era a Music City, e como a maioria das pessoas, fiquei acordado a maior parte da noite na véspera do concerto. Não pude dormir de nervoso. Deveríamos subir ao palco ao anoitecer, e fiquei assistindo às apresentações dos outros músicos na TV durante a maior parte do dia, o que provavelmente foi um erro psicológico”.

Como podemos notar nas palavras de Clapton o festival foi muito importante e tomou uma proporção monstruosa devido à diversidade de artistas a se apresentar, sem contarmos a responsabilidade dos músicos envolvidos em um projeto grandioso como esse. Para termos uma idéia, alguns artistas ainda se apresentaram em Moscou, Sidney e Japão.

Após 20 anos do evento, BOB GELDOF realizou em julho de 2005 o LIVE 8, uma espécie de “nova edição”, onde pôde contar com uma estrutura ainda maior, além da colaboração de inúmeros músicos para a solidificação de suas idéias, às quais, ainda se fundamentam em pressionar os principais líderes mundiais (o G8) para perdoar a dívida externa das nações mais pobres do mundo. Além disso, GELDOF firma-se na proposta de liberdade, ensino, cuidados médicos básicos para todas as crianças, remédios para portadores de AIDS, entre outras metas, que se depender de seu empenho, serão no mínimo amenizadas ou repensadas pelos líderes mundiais.

Fonte: Whiplash.net

***

Obs: Em virtude deste dia vamos postar, por toda esta semana, matérias relacionadas, vídeos e letras de bandas clássicas do tão aplaudido e eterno Rock And Roll. Em lugar de bandas de Forró de Plástico e letras de conteúdo sem relevância, esta homenagem à eminência de um estilo musical que se firmou pelo som forte e envolvente aliado à poesia e engajamento político e social de suas letras é de grande merecimento neste blog que tem por uma de suas metas a mudança na consciência política do nosso povo. Certamente, uma música que se tornou conhecida por méritos reconhecidos e relembrados ano após ano em nome de uma causa que, embora utópica, é um pouco o “Imagine” de todos nós.

Imagine
John Lennon
Imagine
John Lennon
Imagine there’s no heaven,
It’s easy if you try,
No hell below us,
Above us only sky,
Imagine all the people
living for today…

Imagine there’s no countries,
It isnt hard to do,
Nothing to kill or die for,
No religion too,
Imagine all the people
living life in peace…

Imagine no possessions,
I wonder if you can,
No need for greed or hunger,
A brotherhood of men,
imagine all the people
Sharing all the world…

You may say I’m a dreamer,
but Im not the only one,
I hope some day you’ll join us,
And the world will live as one

Imagine que não exista nenhum paraíso,
É fácil se você tentar.
Nenhum inferno abaixo de nós,
Sobre nós apenas o firmamento.
Imagine todas as pessoas
Vivendo pelo hoje…

Imagine que não exista nenhum país,
Não é difícil de fazer.
Nada porque matar ou porque morrer,
Nenhuma religião também.
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz…

Imagine nenhuma propriedade,
Eu me pergunto se você consegue.
Nenhuma necessidade de ganância ou fome,
Uma fraternidade de homens.
Imagine todas as pessoas
Compartilhando o mundo todo.

Você talvez diga que sou um sonhador,
Mas eu não o único.
Eu espero que algum dia você junte-se a nós,
E o mundo viverá como um único.

Joaseiro.com





O Alumioso: Di Freitas se apresenta em Fortaleza

28 05 2009

Radicado em Juazeiro do Norte, o músico Di Freitas lança hoje, no CCBNB, o álbum ´O Alumioso´

Da rabequinha, muita gente não gosta: som que mais parece a ladainha das rodas de um carro de boi… Instrumento de cego… É, muita gente teima em desaprovar as nossas raízes. Explorando a melopéia da tradição árabe em faixas como ´A transfiguração do Alumioso´, o músico cearense Francisco Ferreira de Freitas, ou simplesmente Di Freitas, apresenta a sonoridade da rabeca com as de outros instrumentos artesanais, fabricados por ele próprio, em seu segundo CD, ´O Alumioso´ (Sesc SP). O primeiro foi ´Ultraexistir´ (2007), com a cantora lírica italiana Francesca Della Monica. Rabeca, marimbau, viola de 13 cordas e até violoncelo, seu instrumento de formação erudita, ganham a textura rudimentar da manipulação de cabaças, para dar forma a sons regionais e universais, na companhia de músicos paulistas. No show, terá a companhia de músicos da orquestra de rabecas, coordenada por ele e mantida pelo Sesc em Juazeiro do Norte.

DifreitasEm alguns momentos, o som é extraído com o auxílio do arco herdado do violoncelo que Di Freitas começou a dominar na Escola de Música do Sesi. ´Em outros momentos, uso as cordas dedilhadas, que aprendi tocando violão com os professores Tarcísio Lima e Raul Soares, mesmo contra a vontade do maestro Vazquen Fermanian´, conta o músico que também ampliou sua formação tocando viola de gamba no grupo de música antiga Sintagma, influência registrada, sobretudo, em ´O Alumioso Caririzeiro´. Os pizzicatos (dedilhados) chegam também à viola de 13 cordas, feita pelo próprio músico e criador de instrumentos, mantendo a afinação original do instrumento (em Ré), mas que se aproxima mais do formato da viola caipira do Sudeste, e não das violas usadas pelos cantadores da nossa região.

Encontro iluminado

O violão, de técnica experimental, soa na única composição com letra, a romançal ´Flor de Algodão´, na voz da cantora Juliana Amaral. E na homenagem a Nonato Luiz, ´Lavras da Mangabeira´, em lirismo ´sujo´ e apoiado pelo acordeon de Lincoln Antonio. O violoncelo (de cabaça) volta a encantar com um clássico do cancioneiro nordestino, ´Vaca Estrela e Boi Fubá´ (Patativa do Assaré), prima-irmã de ´Memórias do Boi Mansinho´, onde, entre ritmos percussivos de outras plagas, o carro voa pelas estradas sonoras do compositor. Também guia a releitura de ´Juazeiro´ (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) e a melodia indígena de ´Manduri, Jati, Cupira´, embora a percussão de Ari Colares e o piano de Lincoln a deixem mais indiana do que propriamente indígena, em alguns momentos. Os dois instrumentos estão até juntos, nas mãos de Di Freitas, na canção ´A estranha cavalgada´, tema armorial por excelência.

E o bailado gostoso de ´Segura o Coco´, em contraponto com o piano mais sensorial de Lincln Antonio, e dobrando a melodia de sua rabeca com viola tocada por Filpo Ribeiro, confirmam como o ´alumioso´ artista estava certo em sua decisão de mesclar referências. ´Salsa com Baião´ também, mais parecendo levada do Mestre Ambrósio até a hora de assumir uma latinidade imprevisível. Com uma levada mais quebrada da percussão e bateria do pernambucano Éder ´O´ Rocha, presente em todas as faixas do CD, ´A dança do Rei Negro´ o traz revisitando as matrizes sonoras do Oriente Médio com outro instrumento seu, batizado de lira nordestina, enquanto Filipo se encarrega da rabeca e Lincln Antonio ataca de piano e pifes.

Nas apresentações de hoje, o público de Fortaleza poderá se aproximar um pouco mais desta riqueza sonora, em que o rabequeiro, flautista e violoncelista terá a companhia de Evânio Soares (rabeca e viola), Cidália Maria (percussão e rabeca), Amélia Coelho (voz e percussão) e do músico egípcio Youssef Atwan. Só não poderá levar o CD, que acabou e não vai ter nem para os lançamentos no circuito Sesc de São Paulo e Rio, mês que vem. Quem puder conferi-lo depois verá um belo projeto, desde a capa de Leda Catunda. Di Freitas acredita estar cada vez mais próximo da linguagem popular, se desfazendo das normas da tradição erudita. Melhor para todo mundo.

CD O Alumioso, 2009

 14 FAIXAS, R$ 15

Di Freitas
Contato: franciscofreittas@yahoo.com.br

 

HENRIQUE NUNES
Fonte: Diário do Nordeste





Programação da Festa de Barbalha 2009

16 05 2009

     Apesar de ainda predominar o mau-gosto e a falta de qualidade, temos muitas atrações boas este ano, algumas regionais. Fazer o quê? Aproveitar o que há de bom e ficar em casa nos outros dias… O destaque fica para a programação do dia do Pau da Bandeira: quatro palcos, todos eles com boas atrações. Boa festa!

  • Dia 31 – Dia do Pau da Bandeira

Palco 01- Parque da Cidade – Geraldo Azevedo; Joãozinho do Exu e Forró Kaquiado.

Palco 02 – Largo do Rosário – Dorgival Dantas; Casa de Reboco; Flávio Leandro e Cicéu.

Palco 03 – Marco Zero – Chico Pessoa; Maninho e Banda; Maurício Jorge e Fernandinho.

Palco 04 – Praça da Estação – Caninana do Forró; Ítalo e Reno e Forró Tapera.

  • No Parque da Cidade:

Dia 01, grátis, Swing Massa; Capim Cubano e Forró Cuxixo.

Dia 02, grátis, Ítalo Queiroz, Lázaro Barbalhense e Ellus Musical.

Dia 03, pago, Maninho e Banda; Calypso e Arreio de Ouro.

Dia 04, grátis, Os Pelejas; Os Águias e Forró de Nós.

Dia 05, grátis, Patrícia Michelly; Stéphane Pontes e Dé do Norte.

Dia 06, pago, Tchekerê; Louro Santos e Garota Safada.

Dia 07, grátis, Hélio Ferraz; Maurício Jorge e Dalton e Daniel.

Dia 08, grátis, Waldonys; Forró Tapera e Orlando Sanfoneiro.

Dia 09, grátis, Caixa Oito; Banda Retina e Epitácio Pessoa.

Dia 10, pago, Forró do Muído; Forró do Bom; Boca de Moça e Casa de Reboco.

Dia 11, grátis, Nilsinho e Cia; Chamego Bom e Zé Ramalho Barbalhense.

Dia 12, pago, Patrícia Michelly; Edu e Maraial; Parangolé e Forró de Taipa.

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Encontro Lusófono

8 05 2009

     Acontecerá, de 12 a 16 de maio, na Fundação Casa Grande, em Nova Olinda, a Mostra de Artes em Língua Portuguesa. O evento privilegiará músicos e instituições culturais, com uma programação que permitirá ao público conhecer melhor o trabalho de instituições culturais lusófonas, como BNB de Cultura, Sesc CE, Itaú Cultural e ONG Etnia, de Portugal. O evento apresentará ao público um pouco da boa música produzida em nosso idioma, porém pouco conhecida no Brasil.

Fonte: Diário do Nordeste

Comentário: A Fundação Casa Grande tem realizado um belíssimo trabalho lá em Nova Olinda (quem ainda não conhece precisa conhecer!) e vem se tornando cada vez mais conhecida em nível nacional. Neste mês de maio, a banda de lata formada pelos meninos da Fundação e chamada de “Os Cabinha” tocará em São Paulo, com Marcelo Camelo, ex-Los Hermanos. Conheça o site da Casa Grande, CLICANDO AQUI. Ou pegue o carro, dirija 50km de Juazeiro até Nova Olinda e conheça pessoalmente o projeto. Chegando lá, todo mundo ensina onde fica!

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Uma ‘ruma’ de shows na sexta

7 05 2009

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Fonte: Blog Agende-se.blospot.com





Show de Geraldo Júnior na sexta

15 04 2009

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Fonte: Divulgação do Blog Agende-se





O sonho se realizou

5 04 2009

Poucos sabem, mas saiu de Juazeiro do Norte no dia 30 de Março último deste mesmo 2009 dois ônibus repletos de fãs e “fiéis” para o show do Iron Maiden em Recife. Muitos, entre jovens e pessoas que há mais de 20 anos ouvem e colecionam discos da banda inglesa (hoje com 34 anos de vida), esperavam por este inesquecível espetáculo que se realizou no Jockey Clube de Recife, na noite do dia 31 de Março.

Parecia impossível que uma banda cujo porte já percorreu mais de 100 países, levando seu som forte e com letras que versam sobre fatos históricos e clássicos da literatura mundial, de repente, não mais que de repente (como disse o poeta), vir a Recife e consigo trazer à cidade excursões de todo o nordeste e norte do país (vinte ônibus de Natal, vinte de Fortaleza, oito de Campina Grande, etc). Emocionados, gente de todas as idades e sotaques se viu imersa numa massa uniforme de fãs do bom e velho rock’n'roll (sem rótulos), contando ao todo mais de 35 mil fãs. Estamos gratos, sim (um dos editores do Joaseiro.com esteve lá). Para compartilhar deste sentimento de saudosismo pelo espetáculo de uma hora e quarenta e cinco minutos, o Caderno 3 do Diário do Nordeste publicou texto do músico e professor juazeirense Michel Macedo, um desses fãs veteranos da banda, sobre suas impressões e experiências neste primeiro show do Iron na capital pernambucana. E lembrando: eles querem voltar em 2011!

A seguir, vídeo do show e a lista de músicas para quem quiser procurar as respectivas gravações no youtube (sim, estão todas lá).

Música, história e energia

O músico e professor Michel Macedo Marques* conferiu o show do Iron Maiden em Recife, na última terça-feira, e compartilha impressões com os leitores do Caderno 3 (Diário do Nordeste)


Conheci o Iron Maiden em 1987, e demorei um bocado para gostar. Na época só ouvia rock progressivo. Mas, com o passar dos anos, aprendi a apreciar e entender a importância desta que, com certeza, pode realmente ser considerada uma lenda viva do heavy metal.

Ano passado os vi em São Paulo, após uma espera de 21 anos. E este ano me dei como missão prestigiar a entrada do nosso tão sofrido Nordeste brasileiro na lista do seleto grupo de primeira linha de shows internacionais. O Iron Maiden se apresentaria em Recife numa terça feira, 31 de março, pela primeira vez na nossa região.

Este show deu muito trabalho para ser confirmado, foram muitas as dificuldades de local e quanto às exigências da banda. Mas, no final, foi uma aula de organização.

Também se pôde mostrar que um evento como este, ao contrário das tradicionais ´festas´ de música de qualidade duvidosa, pode trazer benefícios turísticos enormes para a cidade, pois todos os outros estados da região se fizeram presentes em caravanas enormes.

No diálogo entre os fãs da banda em Recife, ficamos sabendo da chegada de 20 ônibus provenientes de Natal, dois de Juazeiro do Norte, além de uma estimativa de 5 mil pessoas de Fortaleza. Sem falar de grupos com bandeiras de outros estados. O público foi estimado em 35 mil pessoas, que, além de irem ver o show, também lotaram hotéis, restaurantes e procuraram fazer novas amizades para uma possível volta.

Pontualidade britânica

Quanto ao show, uma aula de profissionalismo, simpatia e energia. Começou com a tradicional pontualidade britânica: exatamente às 20h entrou no palco a fraquíssima Lauren Harris (mas nada menos que filha do fundador da banda, o baixista Steve Harris), com um show de 30min que mais pareceram duas horas. Foi bom para vermos que temos bandas ótimas por aqui que mereciam ter melhores oportunidades e ser mais valorizadas também. Não é só o que é de fora que é bom.

Também pontualmente às 21h o sonho de muitos começava a tomar forma: lá estava a banda esbanjando energia, apesar dos mais de 300 anos que havia no palco (cada um dos integrantes já passou dos 50). Nesta turnê que já tem dois anos, eles celebram a noite com clássicos que, além de boa música, são uma aula de história e literatura inglesa.

Lá estava o carismático vocalista Bruce Dickinson descrevendo o combate aéreo entre a Inglaterra e a Alemanha durante a Segunda Guerra, com a música que nunca pode faltar no início do show da banda: ´Aces High´. Depois usando a máscara egípcia para contar uma das lendas que cerca o rei Osíris e recriando a obra do poeta inglês Samuel Taylor Colerige, com ´Rime of the Ancient Mariner´ (com seus mais de 15 minutos) e ´The Number of the Beast´ (que não tem nada de satânico, e sim bíblico). Além de outras, como ´Wrathchild´, ´Wasted Years´, ´The Evil that Men Do´, ´Fear of the Dark´ e outras. São clássicos eternos na história da banda e do rock em si.

A produção do show também merece destaque, com recursos visuais como monstros (o carismático robô mascote Eddy), muitos fogos e explosões. Foram 1h45min de plena felicidade para um público enorme e educado. Uma platéia que mais parecia formada por ´amigos de infância´ que haviam se conhecido naquele momento. Uma verdadeira irmandade em que todos queriam contagiar e ser contagiados de alegria.

Para quem não foi a Recife, fica o alerta de que a banda pretende voltar ao Brasil em 2011. Quem sabe pisando em solo cearense também. Além de uma promessa de presença do Metallica, em dezembro, na capital pernambucana.

(05/04/2009)

***

Gravação imperdível por um fã da música Fear Of The Dark (uma das mais conhecidas):

Lista de músicas gravadas do show no youtube (é só pôr o nome de cada uma seguida de “Recife” que acha):

1. Churchill Speech/Aces High
2. Wrathchild
3. Two Minutes to Midnight
4. Children of the Damned
5. Phantom of the Opera
6. The Trooper
7. Wasted Years
8. Rime of the Ancient Mariner
9. Powerslave
10. Run to the Hills
11. Fear of the Dark
12. Hallowed Be Thy Name
13. Iron Maiden
14. The Number of the Beast
15. The Evil That Men Do
16. Sanctuary

Up the Irons!

Fontes: Diário do Nordeste, JC Online, Youtube.





O Ritmo Oitentista

17 03 2009

A Subcultura Gótica

por Rafael Soares, colaborador

     O termo gótico é utilizado para designar a subcultura urbana que teve suas origens na Inglaterra, por volta dos anos 80. Quando falamos em subcultura abrangemos uma série de fatores específicos diversos como a pintura, a música, o vestuário, e mesmo características como relacionamento e comportamento que a delimitam. Aqui, iremos priorizar a música gótica.

     Por volta do final dos anos 60 até o final dos anos 70 tivemos as primeiras influências do que, mais tardiamente, seria conhecido como música gótica. O glam rock, cujos nomes mais marcantes apontam para David Bowie e Brian Eno (destaque na foto) representaram uma influência direta, assim como o Krautrock com os alemães do Kraftwerk, que já apresentava uma sonoridade bem peculiar. Não podemos esquecer o The doors e o Velvet Underground, também foram influências desta época.

     No fim dos anos 70 até o início dos anos 80, temos um verdadeiro “surto” de estilos musicais representando vários momentos de convergência entre o experimentalismo da fase anterior, a música pop e o underground. Surge o pós punk, o coldwave, o sinth e o industrial, dentre outros estilos. Bauhaus (destaque na foto), Joy Division, The Cure, Siouxie, Cocteau Twins (Liz Fraser-the voice of God), Alien Sex Find e Christian Death destacam-se como principais expoentes musicais numa fase que representou a abertura do caminho para a consolidação do gótico.

     Com o final dos anos 80 e começo dos anos 90 notamos que o termo gótico, aplicado as bandas oriundas do pós-punk, passa a caracterizar um tipo de música acessível, com características influenciadas pelos estilos do período anterior que acabam consolidando um som bem definido, susceptível ao experimental, mas sempre com a mesma “personalidade” que essencialmente identifica o gótico. Nesse leque de criatividade destacamos desde o Fields of Nephilim, Sisters of Mercy, Clan of Xymox, All About Eve e Opera Multi Steel até as sonoridades waves do This Mortal Coil, Dead Can Dance e Deine Lakaien e outras bandas como o Two Witches (de onde sai a Anne Nurmi para o Lacrimosa), Mephisto Walz e Eva O (ex- Christian Death), dentre uma infinidade de bandas destacando-se em primeiro plano o cenário inglês, francês e alemão.

     No decorrer dos anos 90 temos um período de renovação e atualização sonora iniciada na cena eletrônica alemã com o darkwave e com a definição da cena goth nos EUA. Não poderia ser diferente, a popularização de bandas que assumiriam o rótulo goth-darkwave. Destacamos aqui o Switchblade Symphony, Nosferatu, London After Midnight, Paralised Age, Ikon, Inkubus Sukkubus, In Strict Confidence, Cinema Strange, Lycia, The Cruxshadows dentre mais uma infinidade de bandas responsáveis pelo desenvolvimento da subcultura gótica num de seus pilares de convergência dos mais importantes, que é a música.

     Encerramos os anos 90 e caminhamos até os dias de hoje e o que temos é a contínua renovação da sonoridade própria da subcultura gótica. Bandas como The Scary Bitches (and the lesbian Vampires!!! funny, funny, funny), Diva Destruction, The Ghost Of Lemora (de alto destaque no cenário atual), lame immortelle, Ego Likeness, Voltaire, Emilie Autumn, e Helium Vola, o que demonstra versatilidade e amplitude musical em cima de uma identidade primitiva única que parece se preservar o que, na minha opinião, é o mais incrível desta subcultura.

     Com essa pequena explanação trilhamos superficialmente os caminhos da musicalidade gótica, mostrando um pouco sua evolução e que nunca morreu ou esteve latente como muitos pensam. Além do que, diferentemente do que se pensa, não existiu uma evolução diferenciada da subcultura gótica no sentido de consolidar o que se conhece hoje por Gothic Metal. O Gothic Metal surgiu nas linhas de evolução da subcultura Metal.

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No Ceará também é assim

21 02 2009

Pernambuco tem festival internacional de jazz e blues até segunda, e de graça

“Em meio ao Agreste pernambucano haverá, neste feriado, uma alternativa e tanto para quem desejar fugir dos costumes de carnaval. Nada de blocos, axé ou desfiles de escolas de samba. Em Garanhuns (PE), vão dominar os sons requintados do jazz e blues. O Garanhuns Jazz Festival começa hoje e segue até segunda-feira com uma programação cheia de nomes internacionais para os interessados em boa música.”

Fonte: Jornal da Paraíba

Sem querer ser ufanista, mas Guaramiranga já faz um festival com Jazz e Blues há que de 5 anos. Nada contra o de Garanhuns. Aliás, que iniciativas como esta se repitam mais e mais para exilar os não-foliões em não-carnavais absolutamente agradáveis. Entretanto, valorizando o que é da terra, e repetindo a famosa estrofe do Trio Iraquitan: No ceará (também) é assim.

Web site do Festival de Jazz e Blues de Guaramiranga: http://www.jazzeblues.com.br

Prefeitura de Guaramiranga – CE: http://www.guaramiranga.ce.gov.br

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Padres, pastores e forrozeiros…

11 01 2009

Todos no mesmo balaio de gato

som41     A poluição sonora em Juazeiro é tão frequente que chega a se tornar natural. Vizinhos não respeitam vizinhos e escutam seus cds no mais alto volume. Frequentadores de bares, restaurantes, ou quem está fazendo uma comemoração em casa mesmo se acham no direito de abrir a traseira do carro, derrubar várias caixas de som no chão pra que o quarteirão todo ouça (e trema também) o que chamam de “música”, em geral de péssimo gosto. Mesmo se não fosse, que fosse a melhor música do mundo, ainda assim não teriam o direito de subir o volume do seu som, pois os que estão ao redor não são obrigados a escutar nada que não queiram. Em geral, essas pessoas que fazem a perigosa mistura álcool, direção e som alto não respeitam as escolas, faculdades, igrejas, templos, hospitais, postos de saúde, etc. Some-se a isso a falta de fiscalização e o caos está instalado.

     Porém, os religiosos muitas vezes perdem a noção (e a razão) e baixam o nível a ponto se igualarem aos que cometem os atentados à boa convivência em sociedade. Referimo-nos às igrejas e templos que não restringem o som de suas solenidades aos seus limites físicos, àquelas pessoas que estão participando, e espalham seus sons por todo o bairro. É conhecida a prática de algumas igrejas protestantes, cujos pastores gritam muito (e desnecessariamente) nas suas pregações e ainda pedem pra que os fiéis repitam os gritos todos juntos. Em outras cidades do país, vizinhos incomodados afixaram faixas em frente a templos com os dizeres: “Falem Baixo! Deus não é surdo!”. E é verdade, a fé não é diretamente proporcional ao volume…

franciscano 

     As igrejas católicas também não podem ficar imunes a essas críticas que fazemos. Pra citar um exemplo prático, a igreja do Bairro Franciscano (Santuário de São Francisco), em todas as comemorações religiosas especiais, além de expandir o som das celebrações para a parte externa, toca seu sistema de sinos em um volume altíssimo. Alguém pode argumentar que essa é uma tradição bonita, que remonta às pequenas cidades do interior, que chama a comunidade para se reunir, etc. Tudo bem, mas fazer isso às 5 horas da manhã, quando o sol ainda nem nasceu? Todo dia, inclusive sábados, domingos e feriados? Acordando crianças, idosos, doentes que moram ao redor da igreja? Que falta de bom-senso, senhores frades!

     É preciso aprender a respeitar as diferenças: quem não é católico não quer ouvir as celebrações nem o toque dos sinos, e tem tal direito, mesmo que more em frente à igreja. E quem é católico, se quiser, tem o direito de descansar e ir à missa em outro horário durante o dia ou à noite, e terminar de dormir seu sono tranquilamente no fim da madrugada e início da manhã. É preciso que os padres, pastores e demais religiosos tenham mais bom-senso, senão não poderão nem reclamar dos forrozeiros que atrapalham as suas celebrações, pois estão adotando em essência a mesma prática condenável do ponto de vista da boa convivência em sociedade. Os atos religiosos merecem respeito, não podem ser atrapalhados. Mas também devem respeitar e não podem atrapalhar!

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Ri-di-chulus XXIX

11 01 2009

 ”Joelma anuncia que Calypso pretende gravar em inglês”

Tomara que incluam a Faixa de Gaza quando forem fazer a turnê internacional

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Fábio Carneirinho – Quase um hino do Juazeiro

30 11 2008

A terra é quente (…)

Tem muito matuto metido a sulista (…)

Tem gente que come e depois cospe no prato (…)

Tem muita gente sem feijão no prato (…)

Mas (assim mesmo) o melhor lugar o mundo

É encostado ao Crato (…)

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Grandes shows, concertos, cursos e exposições

23 11 2008

Juazeiro sedia Lutheria Brasil

     Acontecerá em Juazeiro do Norte o encontro nacional dos luthiers (segundo a internet, o termo luthieria é de origem francesa (“luth” = alaúde). Luthier era quem construia alaúdes na época medieval, na Europa. E hoje o termo se aplicou a todo profissional de conserto e construção de instrumentos. O profissional de luthieria regula, restaura, transforma, adapta peças a instrumentos de cordas, sopro, percussão e também constrói instrumentos de acordo com as exigências dos músicos aliadas as possibilidades de desenvolvimento do instrumento em questão. Aí entra o conceito de instrumentos customizados que são personalizados e únicos.)

      E quem vai ganhar muito com esse encontro é a cidade de Juazeiro. Entre os shows, que acontecerão no Ginásio Poliesportivo, destacam-se os artistas nacionais Chico César, Ana Cañas, Choro de Três, André Madi, além de vários artistas da terra. Vejam a programação completa:

Espaço Sonoridades – Programação
Ginásio Poliesportivo – Juazeiro do Norte/CE
   
                      Artista – Quarta-Feira (26/11) Procedência   Horário

João Nicodemos

Crato/CE   21h

Chico César

São Paulo/SP   22h

Forró Tapera

Barbalha/CE   0h
Marcelo Randemarck  -  Quinta-Feira (27/11) Fortaleza/CE   21h
Luciano Brayner Juazeiro do Norte/CE   22h
Forró Tapera Barbalha/CE   0h
Treminhão                   -        Sexta (28/11) Recife/PE   21h
Choro das Três São Paulo/CE   22h

Hélida Germano

Juazeiro do Norte/CE   23h
Cícero do Assaré e Banda Cariri Crato/CE   0h
Geraldo Júnior          -     Sábado (29/11/08) Juazeiro do Norte/CE   21h
Calé Alencar           Fortaleza/CE   22h
Arice Morais Crato/CE   23h
Dr. Raiz Juazeiro do Norte/CE   0h
Flávio Leandro Juazeiro do Norte/CE   1h
Zabumbeiros Cariris   -   Domingo (30/11/08) Juazeiro do Norte/CE   21h
André Madi (Participação especial: Marcelo Mariano) São Paulo/SP   22h
Ana Cañas São Paulo/SP   23h
Fábio Carneirinho Juazeiro do Norte/CE   0h

Espaço Cego Oliveira – Programação Teatro Marquise Branca – Juazeiro do Norte/CE    

Atração - Quinta-Feira 27/11
Procedência 
 
Horário 
Orquestra de Flautistas do Guarani  
Campos Sales/CE 
 
19h 
Orquestra de Rabecas Cego Oliveira
Juazeiro do Norte/CE 
 
20h 
Duo Spes  
Brasília/DF 
 
21h 
Di Freitas              - Sexta-Feira 28/11 
Juazeiro do Norte/CE 
 
19h 
Orquestra Filarmônica Chapada do Araripe  
Araripe/CE 
 
20h 
Marília Vargas  
Basel, Suíça 
 
20h30min 
Grupo de Flautas UFC     - Sábado 29/11 
Fortaleza/CE 
 
19h 
Marcos Bonilla  
Porto Alegre/RS 
 
20h30min 
Hary Schweizer  
Brasília/DF 
 
21h30min 

     Além dos shows e concertos acima, haverá uma Oficina de Construção de Viola Caipira, outra de Reparos e Ajustes para Violino, Viola e Violoncelo e uma palestra sobre Arcos: História, Desenvolvimentos e Transições.
     Mais informações sobre a programação do evento clicando aqui.

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Hoje tem festa do verdadeiro forró!

21 11 2008

     Hoje à noite temos show do forró autêntico, na Casa de Taipa em Barbalha, com Dominguinhos, Fábio Carneirinho e Ítalo & Reno.

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DN entrevista Geraldo Júnior

21 11 2008

     O Diário do Nordeste, edição de ontem, fez boa entrevista com o artista de Juazeiro Geraldo Júnior no seu Caderno 3. Vejam só:

Caminhos da música cariri

Ex-integrante do Dr. Raiz, um dos grupos mais representativos do atual som do Cariri, Geraldo Júnior conversou com o Caderno 3, durante a Mostra Sesc. Em pauta, sua atual carreira solo no Rio de Janeiro, o CD ´Calendário´, a convergência estética – e a pluralidade – dos músicos do Cariri e os desafios desses artistas em busca de maior repercussão.

Como é estar de volta ao Cariri pela primeira vez, após a mudança para o Rio de Janeiro?

A oportunidade de vir ao Cariri surgiu quando nos agregamos ao grupo de teatro Filhotes de Leão, dirigido por Sidnei Cruz. Fizemos as músicas pra um espetáculo deles, com um texto do Arthur de Azevedo, e estamos gravando um disco com esse trabalho. Se não fosse isso, a gente não tinha vindo. Não que a gente não quisesse, mas a gente não chegou a mandar material (para a seleção da Mostra), porque não daria tempo de preparar o show novo. A gente lançou o disco (´Calendário´) agora, e tá fazendo a divulgação lá no Sudeste. Com esse trabalho, a gente não teria como se bancar pra vir pra Mostra este ano. Estamos no Rio faz cinco meses, mas ainda é um período de adaptação. Tínhamos planejado ir pra São Paulo, mas começaram a aparecer coisas no Rio, e fomos ficando, eu, Ranier (Oliveira, acordeonista e pianista) e Flauberto (Gomes, percussionista). Naturalmente, a gente ficou muito feliz de estar no Cariri, com essa oportunidade. Eu tô desde a primeira Mostra, ou produzindo, ou me apresentando.

Como é que vem sendo o dia-a-dia no Rio? E o espaço para o trabalho tem surgido como vocês imaginavam?

Estamos morando perto da Lapa, tem uma movimentação, dá pra ir pra lá a pé, quando a gente vai tocar. E os espaços têm surgido. A gente se apresentou no Sesc, nos espaços da noite, com o projeto paralelo Forró de Raiz… Fizemos o show do CD na Livraria Saraiva, tocamos no Circo Voador no Tangolomango, no Rio Cenário, no Democráticos… Temos gostado. É muito bom pra gente, pelo lado profissional, mas o trabalho da gente tem muito do Cariri, e a gente sente muita falta daqui.

A concorrência lá também é bem maior…

Sem dúvida. Lá a gente tá disputando espaço direto com os nomes nacionais. Tocamos onde Alceu, Cordel, Geraldo Azevedo toca. De lá a gente já tem amizade com o Yamandu. Existe essa proximidade. Mas a gente saiu daqui sem essa falsa idéia do Sudeste. Foi mesmo na necessidade de dar uma saída. É óbvio que lá é o centro do País ainda, pelo vetor de trabalho, mas a gente chegou sem deslumbramento. E lá a gente vê que o nível técnico, inevitavelmente, tem que subir muito. Tudo, do palco ao material que a gente manda pros projetos, tem que ter muita qualidade. Levando isso em conta, acho que o disco tá sendo bem recebido. Ainda não temos um produtor só nosso, mas é uma função que nós também fazemos, eu já tinha essa experiência, já viajava. E todo mundo tem nos recebido bem.

O Dr. Raiz, no show na Mostra Sesc, fez questão de homenagear você. Olhando de hoje, você vê a sua saída da banda como inevitável? E o que você achou do show?

Rapaz, eu cheguei na hora, fui direto pro show, mesmo vindo da maratona do Tangolomango. A saída do grupo foi mesmo uma necessidade do trabalho. Foram quase 10 anos de convívio, ou até mais. Aí foi bem difícil, uma separação mesmo. A questão maior pra sair foi a impossibilidade dos meninos viajarem. Até querer eles queriam, mas não podiam. E aí a gente não tinha como crescer. Eu tava me achando limitado, porque tava desgastando, o mercado é muito fechado. Até antes a Secult tinha um circuito de eventos em todas as regiões, e aquilo nos ajudou muito, por muito tempo. Depois disso a gente tinha planos de viajar, mas passou a haver dificuldades, inclusive nas composições e tudo, em função dessa coisa, dos meninos não terem condição de parar. Tanto que, com a minha saída, os meninos tão gravando o disco novo, mas dentro do tempo que eles têm. E eu parei faculdade, parei tudo. Hoje não tenho casa, vendi minha moto pra pagar o disco. Eu conversei, disse que entendia a situação, mas que eu tinha trabalhado pra isso. E aí, com toda a dor no coração, saí e depois encontrei outras pessoas a fim de viajar. A idéia era montar outro grupo, mas, como não tinha músicos fixos, usei o Geraldo Júnior, até pra diferenciar do (guitarrista cearense) Júnior Boca (nome utilizado também por Geraldo Júnior, quando integrante do Dr. Raiz). Quanto ao show deles, eu gosto muito do trabalho, mas acho que falta uma pessoa pra dar uma movimentação maior, cantando. Até falei com o Dudé, que as pessoas sentem falta disso. Os meninos estão em processo, mas eu gostei do show. Estou torcendo por eles.

Hoje, nos seus shows, você conta com o Ranier e o Flauberto…

É verdade. Inclusive o Beto Lemos, do Carroça de Mamulengo, que também foi do Dr. Raiz e do Zabumbeiros Cariris. E quando a gente faz o show do CD, que pode bancar todo mundo, tem também o Antônio Queiroz, o Beto Lemos e o Francisco Gomide, do Carroça, mais eu, Ranier e Flauberto. Viola, violão, rabeca, flauta, zabumba, baixo.

Que avaliação você faz dessa geração de vocês, do Dr. Raiz, do Zabumbeiros, de outros cantores e compositores do Cariri? Que acertos e erros cometidos você enxerga?

Não posso dizer que essa visão é só agora, que a gente tá fora, mas por essas viagens todas que a gente fez. Essa coisa de sentir saudade, de não romper essa ligação direta com a região, porque indireta a gente sempre tem, o nosso trabalho é musica caririense. Chamamos de música cariri, porque a essência da música tá aqui. O que posso dizer é que tem uma galera fazendo uma musica nova, fora do clichê de música de raiz. Sabendo que fazer música de viola, de pífano, não é a única verdade. E nossa ideologia é fincada na realidade da gente, com essa grande diversidade cultural – e não apenas ligada à cultura popular tradicional. Mas esses trabalhos, Zabumbeiros, Dr. Raiz, Luciano Brayner, Ermano Morais, a gente, o Ranier, o Flauberto como instrumentistas, o Beto Lemos, o Carroça, um trabalho mambembe mas que hoje se pode dizer que é do Cariri, todo esse pessoal eu acho que o que tá fazendo de certo é ter humildade. E cabeça aberta, no mundo. O pessoal já teve oportunidade de viajar também. E mesmo os que optaram por ficar aqui, ou não puderam viajar, estão trabalhando, mesmo com toda a dificuldade. Não existe um mercado consumidor, pra gente poder montar um show, gravar um disco, fazer esse show e começar um novo ciclo. E mesmo assim o pessoal continua. Mesmo quem não é ligado à cultura popular, como o pessoal do hip-hop e do rock que fala do Cariri. E a gente tem contato com trabalhos como o do Abidoral (Jamacaru), o Luís Fidélis, o (Luís Carlos) Salatiel, o Zé Flavio, Dihelson Mendonça, Ibbertson Nobre… A gente vem crescendo junto com esse pessoal.

Mas também se percebe nos músicos locais um olhar crítico em relação à própria Mostra Sesc. Há queixas sobre diferenças de cachês, horários, espaços de shows, em relação a artistas de fora. Como você analisa essas reclamações?

Eu sempre digo que tem uma galera que vem trabalhando há mais tempo, mas se você pegar esses 10 anos de Mostra, com certeza a formação de público pro artista local é uma coisa antes e outra coisa depois da Mostra. Acho que a classe artística caririense ainda precisaria ter mais representatividade. As festas da região, antes todas tinham espaço pros artistas locais. Hoje não é assim. Falta sensibilidade dos produtores, das prefeituras. E a classe artística cearense poderia estar melhor organizada para cobrar esse espaço. Houve uma época em que tava acontecendo muita coisa e a gente tinha mais contato com Fortaleza, principalmente ali no Movimento Cabaçal (início dos anos 2000), que a gente conquistou muita coisa. Havia comunicação entre os grupos, e o público de todo mundo se juntou. Agora, uma entidade como o Sesc, eu acho que eu sou suspeito pra falar, mas eles sempre tiveram muito carinho com o pessoal daqui. Uma coisa que vejo como produtor e cidadão é que muitos artistas ainda não conseguem acompanhar a coisa da produção, de ter um ´release´, ter um material, um show preparado. O cara que se apresentou ano passado critica porque não entrou este ano, mesmo sem ter mandado um projeto novo. Às vezes eu tava na Mostra e chegava um artista daqui no último dia de inscrição, ou já depois do prazo, com um ´release´ manuscrito, pra se inscrever. A gente ficava até triste, ajudava, digitava. Mas essa dificuldade é porque não existe mercado, nem políticas públicas, pra que isso se desenvolva, pra que o show possa ser apresentado, que o artista possa ter um retorno financeiro. Só existe a mostra, o BNB e um ou outro evento escasso. O Sesc ainda tem uma série de atividades, que na verdade culminam na Mostra. Os cachês são baixos, mas não são distantes do que o BNB, por exemplo, paga em Fortaleza. Pra mudar isso, não vejo que seja uma questão apenas do Sesc. Inclusive existem artistas que criticaram a programação em outros anos, foram convidados pra fazer a curadoria e não aceitaram, porque sabem do peso que é, da responsabilidade que vão ter que enfrentar depois. Mas a questão maior é da nossa organização pra construir esse mercado.

DALWTON MOURA
Repórter – Diário do Nordeste





Banda Alegoria da Caverna

9 10 2008

Apresentações:

Quinta-Feira (09) às 20h no SESC Crato

Sexta-Feira (10) às 19h30min no Centro Cultural Banco do Nordeste em Juazeiro

Sábado (11) às 22h no Café Estação em Crato

O repertório será uma mescla do trabalho autoral da banda, juntamente com parte do repertório do seu projeto paralelo “Os Transacionais”.

Esse projeto traz o melhor da música brasileira produzida nas décadas de 60 e 70, indo do Iê Iê Iê ao rock psicodélico, passeando pelo samba-rock e carimbó, unindo a peculiaridade do brega e descontração da surf-music.

 Fonte: Divulgação

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Val Andrade no SESC Juazeiro

9 10 2008